Ferezeus

Ferezeus são um dos povos que habitavam Canaã antes da chegada dos israelitas. A etimologia do termo hebraico הַפְּרִזִּי (ha-perizzi) é incerta, com algumas sugestões ligando-o a “aldeia” ou “lugar aberto”, indicando talvez um estilo de vida mais estabelecido do que nômades.

Os ferezeus são frequentemente listados ao lado de outros grupos cananeus, como heteus, amorreus, cananeus, heveus e jebuseus, como em Êxodo 3:8 e Deuteronômio 7:1. Essa presença constante nas listas sugere que os ferezeus eram um grupo significativo na região, com sua própria identidade cultural e social.

A Bíblia não oferece muitos detalhes sobre a cultura, costumes ou organização social dos ferezeus. As narrativas bíblicas se concentram principalmente em seu relacionamento com os israelitas, especialmente no contexto da conquista de Canaã. Em várias passagens, como Josué 24:18 e Juízes 1:4, os israelitas são instruídos a destruir ou subjugar os povos cananeus, incluindo os ferezeus.

Faraó

Faraó, título derivado do egípcio “per-aa” (“grande casa”), designava os monarcas do Egito Antigo. Na Bíblia, o termo “faraó” aparece frequentemente associado a figuras poderosas e, por vezes, opressoras. Embora a maioria dos faraós mencionados nas Escrituras permaneçam anônimos, alguns são identificados pelo nome, como Sisaque (1Rs 14:25), Sô (2Rs 17:4), Tiraca (2Rs 19:9), Neco (2Rs 23:29) e Hofra (Jr 44:30).

Outros faraós, embora não nomeados, aparecem na Bíblia. O faraó que tentou tomar Sara, esposa de Abraão (Gn 12:15-20), o que promoveu José a governador do Egito (Gn 41:39-46), e o que oprimiu os israelitas antes do Êxodo (Êx 1-2).

O faraó do Êxodo (Êx 5-14) resistiu à vontade de Deus e a opressão do povo escolhido. As dez pragas e a abertura do Mar Vermelho marcam o confronto entre o poder divino e a autoridade terrena do faraó.

Outro faraó deu asilo a Hadade de Edom (1Rs 11:18-22). Há ainda o faraó que atacou Gaza nos dias de Jeremias (Jr 47:1).

Fragmentos de Wolfenbüttel

Os Fragmentos de Wolfenbüttel referem-se a uma coleção de escritos de Hermann Samuel Reimarus, publicados postumamente por Gotthold Ephraim Lessing entre 1774 e 1778. Estes fragmentos possuem relevância no contexto do deísmo alemão e dos estudos críticos sobre a Bíblia, desafiando doutrinas cristãs consolidadas.

Hermann Samuel Reimarus foi um filósofo e escritor alemão do Iluminismo, cujas obras se concentraram na análise do Jesus histórico e das origens do cristianismo sob uma perspectiva racionalista. Ele buscou criticar tanto a ortodoxia católica quanto a luterana, abordando conceitos teológicos e textos bíblicos. Após sua morte em 1768, seus manuscritos inéditos chegaram às mãos de Lessing, que iniciou a publicação de extratos em uma série intitulada Zur Geschichte und Literatur aus den Schätzen der herzoglichen Bibliothek zu Wolfenbüttel. A primeira parte foi publicada em 1774.

Os Fragmentos de Wolfenbüttel incluem reflexões críticas sobre a revelação bíblica, propondo que Jesus não foi uma figura divina, mas um místico cuja expectativa por um reino terreno não se concretizou. Reimarus argumentou que os apóstolos criaram a narrativa da ressurreição para ocultar o fracasso de Jesus em atingir seus objetivos. Essa visão suscitou controvérsias significativas, levando ao Fragmentenstreit, um debate acalorado que marcou um momento importante na aplicação de métodos histórico-críticos aos textos bíblicos.

O impacto das ideias de Reimarus é notável nos estudos posteriores sobre o Jesus histórico. Sua distinção entre os ensinamentos de Jesus e as interpretações posteriores feitas por seus seguidores lançou bases para debates teológicos e análises críticas que perduram. Embora as reações à publicação dos fragmentos tenham sido intensas e polarizadoras, seu legado permanece como parte da evolução do pensamento crítico no campo da teologia e dos estudos bíblicos.

Fundo da agulha

O fundo da agulha, olho da agulha ou buraco da agulha, em grego ρυπήματος ῥαφίδος, é uma expressão proverbial presente nos Evangelhos Sinópticos (Mateus 19:24, Marcos 10:25, Lucas 18:25), utilizada por Jesus em um ensinamento sobre a relação entre a riqueza e a entrada no Reino de Deus. Essa passagem ocorre no contexto da narrativa em que Jesus orienta um jovem rico a vender seus bens, e em seguida afirma que “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”.

O contraste entre o camelo, o maior animal comum na Palestina, e o buraco de uma agulha, uma das menores aberturas imagináveis, serve para ilustrar uma impossibilidade. Tal hipérbole é comum na literatura rabínica. Por exemplo, o Talmude menciona um elefante passando pelo buraco de uma agulha como um evento impossível. Desse modo, Jesus utilizava uma expressão idiomática bem compreendida no contexto judaico de sua época.

A reação dos discípulos, expressa na pergunta “Então, quem pode ser salvo?”, reflete a crença comum de que a riqueza era um sinal de bênção divina para os justos. A resposta de Jesus enfatiza a soberania divina ao afirmar que “com Deus todas as coisas são possíveis”. O objetivo aparente da passagem é demonstrar a inadequação de confiar em riquezas como meio de alcançar a salvação, destacando a necessidade de depender de Deus.

Ao longo da história, surgiram interpretações alternativas para amenizar a dificuldade do ensinamento. Uma proposta do século V sugere que o termo grego kamelos (camelo) deveria ser lido como kamilos, significando corda ou cabo de ancoragem. Apesar de versões armênias e georgianas adotarem essa leitura, ela não é amplamente aceita devido à escassez de evidências textuais e por não aliviar significativamente a hipérbole. Outra sugestão, originada no século XV, identifica o “buraco da agulha” com um suposto pequeno portão nas muralhas de Jerusalém, pelo qual um camelo só poderia passar com grande dificuldade, ajoelhado e sem carga. Contudo, não há fundamento literário, histórico ou arqueológico que comprove a existência de tal portão.

Estudos modernos enfatizam a interpretação literal do dito como uma metáfora para impossibilidades humanas em contraste com o poder divino. A discussão contemporânea sobre essa expressão continua a explorar seu significado cultural e teológico, especialmente no que diz respeito à relação entre riqueza, espiritualidade e a ética do Reino de Deus.

Elmer K. Fisher

Elmer K. Fisher (1866–1919) foi uma figura significativa no início do movimento pentecostal nos Estados Unidos.

Fisher esteve entre os primeiros colaboradores de William Seymour durante o avivamento da Rua Azusa. Ele desempenhou um papel ativo na propagação da mensagem pentecostal em Los Angeles, contribuindo para o crescimento e a consolidação do movimento em suas etapas iniciais.

Após seu envolvimento com Seymour, Fisher tornou-se pastor da Upper Room Mission, também localizada em Los Angeles. Sob sua liderança, a missão tornou-se um ponto focal para a pregação pentecostal e a formação de comunidades de fé. Ele promoveu a experiência do batismo no Espírito Santo e enfatizou o fervor espiritual como central para a prática cristã.

A influência de Fisher no pentecostalismo transcendeu sua própria vida e ministério. Seu genro, Wesley Steelburg, inicialmente um ministro da Pentecostal Assemblies of the World, tornou-se mais tarde superintendente-geral das Assemblies of God. Um de seus netos, Stanley Horton, destacou-se como um teólogo das Assemblies of God.