Francisco de Assis

Francisco de Assis (1181-1228) foi um frade, diácono e pregador católico italiano.

É o fundador da Ordem dos Frades Menores masculino, da Ordem feminina de Santa Clara, da Ordem Terceira de São Francisco. Francisco tornou-se conhecido pelo seu amor pela natureza e pelos animais, bem como pela sua humildade e compromisso com a pobreza. Também é lembrado por acreditar na importância de viver em harmonia com todas as criaturas.

Félix de Urgel

Felix de Urgel (m. 818), também conhecido como Felix de Urgell, foi um bispo cristão e teólogo do século VIII, amplamente reconhecido por sua defesa do Adocionismo, uma doutrina cristológica que afirma que Jesus foi adotado como Filho de Deus em seu batismo, em vez de ser Filho por natureza.

Felix foi bispo de Urgel, localizada na atual Catalunha, Espanha. Embora sua data de nascimento seja desconhecida, ele assumiu o episcopado por volta de 783, permanecendo no cargo até sua morte. Viveu em um período de transição política, quando a região passou do domínio visigótico para o controle franco após a conquista franca em 789.

Sua teologia foi influenciada pelo Adocionismo, doutrina originária dos antigos territórios visigóticos, que ganhou força sob a liderança de Elipando de Toledo, mentor de Felix. O Adocionismo sustentava que Jesus, como ser humano, foi escolhido por Deus e tornou-se Filho de Deus por adoção, e não por nascimento divino. Essa posição atraiu duras críticas de teólogos proeminentes, como Alcuíno de Iorque.

Em 792, Felix foi convocado ao Concílio de Regensburg, convocado por Carlos Magno, para defender suas ideias. Apesar de inicialmente defender sua posição, acabou por retratar-se sob pressão das autoridades eclesiásticas. Contudo, suas ideias continuaram sendo motivo de controvérsia. No Concílio de Frankfurt, em 794, sua condenação como herege foi reafirmada. Felix enfrentou novas sanções, incluindo o exílio de Urgel, mas seguiu envolvido em disputas teológicas.

Após o exílio, estabeleceu-se em Lyon, onde continuou a defender seus pontos de vista. Participou de outro concílio em Aachen, em 799, no qual novamente se retratou, embora permanecesse sob suspeita. Faleceu em Lyon.

Salvatore Ferretti

Salvatore Ferretti (1817-1874) foi um ministro evangélico livre italiano, editor, hinista e humanitário.

Ferretti se preparava para o sacerdócio católico, mas se apaixonou. Fugiu de Florença para se casar e em Lausanne foi aluno de Vinet e abraçou a fé evangélica.

Em Londres encontrou com Darby, participou da Igreja Livre dos exilados italianos e publicou o periódico L’Eco di Savonarola e o hinário Inni e Salmi ad uso dei Cristiani d’ Italia (1850). A partir de 1844 começou a recolher nas ruas filhos de emigrantes italianos, que tinham caído na pobreza nas mãos de indivíduos obscuros que os exploravam. Ao retornar à Itália, estabeleceu-se em Florença, onde dirigiu um orfanato.

Fundamentalismo

Fundamentalismo é a designação dada tanto a vertentes doutrinárias cristãs quanto a fenômentos sociológicos.

1. Fundamentalismo como fenômeno sociológico

O fundamentalismo pode ser definido como um fenômeno sociológico complexo, caracterizado por uma adesão fervorosa a um conjunto de crenças percebidas como verdades absolutas. Sua emergência se dá em resposta a ameaças percebidas à identidade, valores ou tradições de um grupo, frequentemente em contextos de rápidas transformações sociais e culturais da modernidade.

Dentre as características principais do fundamentalismo, destacam-se:

  • Reivindicação de um literalismo escritural: Observa-se uma interpretação intransigente dos textos sagrados, considerados inerrantemente como a autoridade máxima em todas as questões. Contudo, apenas a interpretação autorizada pelo grupo é considerada válida. As frequentes alegações de interpretação literal das escrituras não resistem a um escrutínio hermenêutico rigoroso, visto que algumas partes dos textos são lidas literalmente enquanto outras não, a fim de adequá-los à ideologia do grupo.
  • Rejeição da modernidade: Constata-se uma resistência a valores, ideias e práticas modernas, percebidas como elementos que corroem as crenças e normas sociais tradicionais. Apesar de aderir a um ideal de tradição e passado, trata-se antes de uma criação e resposta da modernidade.
  • Fronteiras Rígidas: Verifica-se a criação de distinções claras entre crentes e não-crentes, o que frequentemente conduz à exclusão social e à intolerância. Isso pode levar a um paradoxal separatismo em relação à sociedade ampla, com formação paralelas de suas próprias instituições (escolas, clínicas) ao mesmo tempo que fomenta o ativismo político para impor suas visões à sociedade ampla não aderente ou com um discurso de ameaça a seus valores.
  • Ativismo Político: Nota-se um engajamento em ações políticas com o objetivo de promover suas crenças e moldar a sociedade de acordo com sua visão ideal de realidade.
  • Liderança Carismática: Observa-se a dependência de líderes carismáticos e tradicionais. Tais líderes podem alegar possuir uma compreensão privilegiada da vontade divina e, por conseguinte, guiam seus seguidores. Outras vertentes valorizam figuras que expressem autoridade tradicionais, apresentando-os como

O fundamentalismo manifesta-se em diversas tradições religiosas, incluindo o Cristianismo, o Islamismo, o Judaísmo e o Hinduísmo. É crucial salientar que nem todos os adeptos dessas religiões são fundamentalistas. O fundamentalismo representa uma resposta específica à modernidade e à secularização, marcada pela rigidez, exclusividade e resistência à mudança.

2. Fundamentalismo cristão

O fundamentalismo cristão é uma vertente encontrada no protestantismo, com equivalentes no catolicismo e ortoxia oriental. Surgiu no final do século XIX e início do século XX, com a publicação da série de livretos chamados Os Fundamentais. Originalmente um movimento angloamericano, propagou-se pelo mundo mediante literatura, missionários, ativismo e cooperação.

A Controvérsia Fundamentalista-Modernista, um cisma marcante no protestantismo americano do início do século XX, eclodiu em meio a debates sobre a interpretação da Bíblia e a adaptação da fé cristã à modernidade. Fundamentalistas, apegados à inerrância bíblica e à ortodoxia doutrinária, defendiam a imutabilidade da fé cristã (Judas 1:3). Modernistas, influenciados pelo Iluminismo e pela ciência moderna, buscavam reinterpretar a fé à luz de novas descobertas.

O conflito se intensificou com a ascensão do que chamavam de “alta crítica”, método que analisava a Bíblia como documento histórico-literário, e com o caso Briggs. A publicação de “The Fundamentals” (1910-1915) e o sermão “Shall the Fundamentalists Win?” (1922) de Harry Emerson Fosdick cristalizaram as facções. O julgamento de Scopes (1925), sobre o ensino da evolução, evidenciou a polarização entre fundamentalistas, liderados por William Jennings Bryan, e modernistas, representados por Clarence Darrow.

Figuras como J. Gresham Machen, defensor da ortodoxia, e Charles Erdman, conciliador, protagonizaram debates teológicos e institucionais. A cisão se concretizou com a fundação do Seminário Teológico de Westminster por Machen e seus seguidores, após a reorganização do Seminário de Princeton em 1929. A controvérsia se estendeu às missões estrangeiras, culminando na criação da Junta Independente para Missões Estrangeiras Presbiterianas e na formação da Igreja Presbiteriana Ortodoxa em 1939. Muitas igrejas locais independentes adotaram a designação “igreja bíblica”, sendo várias delas associadas à Fellowship of Fundamental Bible Churches em 1939.

No geral, o fundamentalismo era cessacionista e amplamente demonizava o pentecostalismo. Contudo, as primeiras gerações pentecostais a buscarem um avanço em educação teológica acabavam por consumir materiais fundamentalistas e adaptá-los à espiritualidade e teologia pentecostais, carregando muito do conteúdo fundamentalista para suas denominações, principalmente entre pentecostais dos Estados Unidos.

Em meados do século XX, uma nova cisão começou a se formar dentro do movimento fundamentalista. Insatisfeitos com o isolamento e o que viam como um anti-intelectualismo crescente, alguns fundamentalistas buscaram uma reaproximação com a cultura e um diálogo mais construtivo com a sociedade. Esse grupo, que passou a se identificar como “evangelical”, mantinha a crença na inerrância bíblica e nas doutrinas fundamentais da fé cristã, mas rejeitava o separatismo e a militância política que caracterizavam os fundamentalistas “clássicos”. Líderes como Billy Graham e Harold Ockenga lideraram esse movimento em direção a uma maior ênfase no evangelismo e na ação social, buscando influenciar a cultura através do diálogo e da persuasão, em vez do confronto. Essa separação resultou na formação de novas instituições e organizações, como a Associação Nacional de Evangélicos (NAE), e marcou o início de uma nova fase no protestantismo americano, com os evangélicos assumindo um papel cada vez mais proeminente na vida religiosa e política dos Estados Unidos.

A partir da década de 1970, uma nova onda de defesa do fundamentalismo ganhou força entre os americanos. Dentro da Sociedade Teológica Evangélica (ETS), a controvérsia sobre a inerrância bíblica se intensificou, culminando na expulsão de membros. A coordenação de vertentes fundamentalistas, como a “ressurgência conservadora” entre os batistas levaram à tomada de posições-chave em estruturas denominacionais. Coincide com a emergência do novo calvinismo. A Declaração de Cambridge consolidou os posicionamentos do neofundamentalismo. Todas essas tendências também estavam conexas com as políticas partidárias norteamericanas, desde a eleição de Jimmy Carter.

BIBLIOGRAFIA

King, Gerald W. Disfellowshiped: Pentecostal Responses to Fundamentalism in the United States, 1906–1943. Eugene, Ore.: Pickwick, 2011.

Noll, Mark A. The Scandal of the Evangelical Mind. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1994.

Marsden, George M. Fundamentalism and American Culture: The Shaping of Twentieth-Century Evangelicalism: 1870–1925. New York: Oxford University Press, 1980.

Filhos de Belial

A expressão filhos de Belial, בְּנֵֽי־בְלִיַּעַל, indica pessoas sem valor, incluindo idólatras (Deuteronômio 13:13), os homens de Gibeá (Juízes 19:22, 20:13) , os filhos de Eli (1 Samuel 2:12).

Belial não era uma pessoa ou personagem no Antigo Testamento, mas significa inútil’ ou sem valor. Portanto, filhos de belial seriam filhos da perversidade, filhos da iniquidade ou filhos da inutilidade.

No período do Segundo Templo surgiu o nome Beliar para indicar uma entidade demoníaca.