Ministério

Ministério (διακονία, diakonia; שֵׁרוּת, sherut) refere-se ao serviço realizado em nome de Deus e para o benefício da comunidade de fé. O termo grego diakonia, utilizado no Novo Testamento, abrange uma variedade de atividades, desde o serviço prático, como o cuidado dos necessitados, até a proclamação do evangelho e o cuidado espiritual. A ideia central é a de um serviço humilde e abnegado, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir” (Marcos 10:45).

O conceito de ministério é frequentemente contrastado e, ao mesmo tempo, relacionado com outras palavras que denotam serviço. Enquanto diakonia enfatiza a ação voluntária e motivada pelo amor, outros termos como doulos (δοῦλος; עֶבֶד, eved) referem-se a um servo ou escravo, submisso a um mestre, e leitourgia (λειτουργία; עֲבוֹדָה, avodah) denota um serviço público ou litúrgico, muitas vezes associado ao culto no templo. Hyperetes (ὑπηρέτης) é um termo que descreve um assistente ou subordinado, que executa ordens.

Embora doulos possa implicar uma posição de menor autonomia, o Novo Testamento frequentemente utiliza essa palavra para descrever os seguidores de Cristo, indicando uma submissão voluntária à vontade divina. Leitourgia, por sua vez, conecta o ministério ao culto e à adoração. Hyperetes, aplicado a ministros como Paulo, enfatisa o papel de cooperadores de Deus. Todas estas palavras compartilham a ideia de serviço, mas diakonia se destaca pela ênfase no amor, na humildade e na motivação altruísta.

Mini

Mini (מִנִּי, Minniy) é mencionado em Jeremias 51:27 como um dos três reinos – junto com Ararate e Asquenaz – convocados por Deus para guerrear contra a Babilônia. Apesar de sua breve aparição na Bíblia, Mini representa um reino histórico identificado com os Manai das fontes acádias. No entanto, informações sobre este reino são escassas e fragmentadas.

Os Manai, ou Manneanos, são mencionados em textos assírios e babilônicos a partir do século IX a.C. como um povo que habitava a região a sudoeste do Lago Urmia, no noroeste do Irã atual. Eles estabeleceram um reino que floresceu entre os séculos IX e VII a.C., entrando em conflito com os assírios em diversas ocasiões.

Fontes assírias descrevem campanhas militares contra os Manai, lideradas por reis como Tiglate-Pileser III e Sargão II. Esses registros fornecem informações sobre a localização geográfica de Mini, seus governantes e conflitos com os poderosos impérios da época. No entanto, a história interna de Mini, sua cultura e organização social permanecem pouco conhecidas.

No período em que Jeremias profetizou, Mini já estava sob o domínio dos medos. A ascensão do Império Medo no século VII a.C. levou à subjugação de diversos reinos na região, incluindo Mini. Essa subordinação política explica a menção de Mini em Jeremias 51:27, onde Deus convoca os medos e seus aliados para destruir a Babilônia.

A inclusão de Mini nesta profecia destaca o poderio medo e a diversidade de povos sob seu controle. Embora subjugado, Mini ainda mantinha sua identidade e representava uma força potencial a ser mobilizada contra o Império Babilônico.

Média

A Média (מָדַי, Maday) era uma região localizada no noroeste do Irã e nordeste do Iraque (Curdistão) atuais, ao longo da extensão norte das Montanhas Zagros. Os medos participaram da queda do Império Neoassírio (612 a.C.) e foram conquistados por Ciro II, o Grande (550 a.C.). Apesar de sua importância histórica e relevância bíblica, a Média e os medos permanecem envoltos em mistério, com fontes limitadas e muitas vezes incertas.

Os Medos na Bíblia

A Média é mencionada em várias passagens bíblicas, principalmente em relação a eventos históricos e profecias. Em Gênesis 10:2 e 1 Crônicas 1:5, Média é listada como um dos descendentes de Jafé, filho de Noé. O livro de Reis relata a deportação de israelitas do reino do norte para “as cidades dos medos” pelo rei assírio Salmaneser V (2 Reis 17:6; 18:11).

Profetas como Isaías e Jeremias mencionam a Média como um instrumento de punição divina contra a Babilônia (Isaías 13:17; 21:2; Jeremias 51:11, 27-28). Curiosamente, o livro de Esdras afirma que o decreto de Ciro II para a reconstrução do templo em Jerusalém foi encontrado em Ecbatana, a capital meda (Esdras 6:2). Os livros de Ester e Daniel, porém, combinam os medos e persas em um único império, refletindo a posterior fusão dos dois povos.

O Enigma do “Império” Medo

Embora historiadores tradicionalmente se refiram a um Império Medo, sua existência como uma entidade política unificada e duradoura é cada vez mais questionada. As fontes históricas, como anais assírios e babilônicos e os relatos de Heródoto, fornecem informações limitadas e muitas vezes contraditórias. Evidências arqueológicas também são escassas e ambíguas.

Sabe-se que os medos desempenharam um papel crucial na destruição do Império Neoassírio, aliando-se aos babilônios na captura de cidades importantes como Calá e Nínive. No entanto, a extensão de seu poder e influência antes da conquista persa permanece incerta. A capital meda, Ecbatana, continuou sendo um centro administrativo importante para os impérios subsequentes, incluindo o persa aquemênida e o parta.

Cultura e Religião Medas

A cultura e a religião dos medos também são pouco conhecidas. Heródoto menciona os magos como uma tribo meda, associando-os a práticas religiosas e sacerdotais. Estudiosos debatem a possível influência da religião meda no zoroastrismo e em outros cultos, como o mitraísmo. A deusa Anahita, uma divindade iraniana ocidental, possivelmente teve origem ou grande popularidade na Média.

A língua meda, um idioma indo-iraniano, não deixou registros escritos diretos. Alguns estudiosos postulam a existência de uma língua ou dialeto medo distinto, enquanto outros argumentam que o medo era próximo ao persa antigo. A cultura meda provavelmente era uma amálgama de elementos iranianos e influências de povos nativos da região.

Mal

O mal não poderia ser isolado como substância, matéria, agente ou força em oposição ao bem. O mal é bastante complexo e pode ser entendido como uma privação ou ausência do bem, uma distorção do que é naturalmente bom ou um uso indevido de qualquer extensão de livre arbítrio que possa existir.

Considerando os conceitos de agência e estrutura, o mal tem lados ainda mais complexos. Processos naturais ou inevitáveis ​​como o conflito de interesses (que envolve agência) e a sobrevivência do mais apto (que depende da estrutura) podem, mesmo sem intenção maliciosa, levar a resultados que podem ser considerados maus.

Uma simplificação popular de que o mal seia simplesmente a obra do Diabo não explica muito. Teologicamente, a Bíblia não se preocupa nem com a causa nem com a origem do mal (especulações tardias são questões levantadas mais pela mentalidade que buscava a etiologia das coisas), mas sobre a vitória sobre o mal.

A Evolução da Ideia do Mal nas Religiões Abraâmicas

No período do Primeiro Templo, a Bíblia Hebraica revela um Deus soberano que controla tanto o bem quanto o mal (Isaías 45:7). O mal era compreendido como consequência do pecado e da desobediência a Deus, ou como eventos fora do controle humano, como catástrofes naturais.

Após o exílio na Babilônia, novas ideias podem ter sido introduzidas, possivelmente sob influência persa. No entanto, a visão de Satã como um oponente de Deus se desenvolveu gradualmente ao longo do tempo, e não há evidências que sustentem a ideia de um “domínio autoexistente” do mal estabelecido nesse período. Contrário disso, o mal não é visto como um poder independente, mas subordinado à soberania divina.

No período Helenístico e do Novo Testamento, o judaísmo apresentava diversas interpretações sobre o mal, com influências da cultura grega e de outras religiões. Surgiram ideias sobre poderes e principados moralmente ambíguos, e o gnosticismo floresceu, vendo o mundo material como mau e o mal como resultado da distância entre o ser humano como ente material e Deus espiritual.

Os primeiros autores patrísticos, anteriores a Agostinho, como Irineu e Justino Mártir, rejeitaram o dualismo gnóstico e defenderam a bondade da criação divina. No entanto, suas visões sobre o mal variavam, com alguns, como Orígenes, explorando o papel do livre arbítrio humano, enquanto outros enfatizavam a importância da graça divina.

O maniqueísmo, uma religião influenciada pelo gnosticismo e pelo zoroastrismo, abraçou um dualismo radical, com um princípio do bem e um princípio do mal em conflito.

Agostinho de Hipona, influenciado pelo neoplatonismo, desenvolveu a teoria do mal como privação do bem. Para ele, o mal não tinha existência própria, mas era a ausência ou corrupção do bem.

A escolástica esmiuçou a teologia do mal. Abelardo enfatizou a intenção por trás dos atos, enquanto Tomás de Aquino distinguiu entre o mal moral (pecado) e o mal físico (sofrimento).

No Iluminismo, o racionalismo desafiou as explicações religiosas tradicionais para o mal. Leibniz, buscando conciliar a existência do mal com a bondade de Deus, propôs a teodiceia e a ideia de que este mundo é o “melhor dos mundos possíveis”. Hume elaborou sobre o Problema do Mal (veja abaixo).

Atualmente, o debate sobre o mal se expandiu para além da esfera humana, abrangendo questões como o sofrimento animal e a justiça para todas as formas de vida sencientes.

O Problema do Mal

O problema do mal é um dos desafios mais persistentes e angustiantes para a fé religiosa e o pensamento filosófico. Ele questiona como a existência do mal, em suas diversas formas – sofrimento, dor, injustiça – pode ser conciliada com a crença em um Deus onipotente, onisciente e onibenevolente.

Essa questão, como observou David Hume, remonta à antiguidade, encontrando expressão nas indagações de Epicuro: se Deus deseja evitar o mal, mas não pode, então é impotente; se pode, mas não deseja, então é malévolo; se pode e deseja, de onde então vem o mal?

O problema do mal não se limita ao sofrimento humano. Fiódor Dostoiévski, em Os Irmãos Karamazov, através da personagem Ivan, questiona o sofrimento inocente das crianças: “Se todos devem sofrer para comprar a harmonia eterna por meio de seus sofrimentos, o que as crianças têm a ver com isso?”.

Ao longo da história, pensadores como Platão, Agostinho, Tomás de Aquino e Leibniz buscaram respostas para o problema do mal. Platão, em “A República”, sugere que Deus, sendo bom, não pode ser a causa do mal, questionando a onipotência divina. Agostinho, influenciado pelo neoplatonismo, argumenta que o mal não possui existência própria, sendo a privação do bem.

A teodiceia, ramo da teologia que busca justificar os caminhos de Deus, oferece diferentes abordagens. A teodiceia do livre-arbítrio argumenta que o mal é consequência da liberdade humana, um dom divino que permite tanto o bem quanto o mal. A teodiceia da alma-criadora, proposta por John Hick, sugere que o sofrimento é necessário para o desenvolvimento moral e espiritual dos seres humanos.

No entanto, essas tentativas de solucionar o problema do mal enfrentam críticas. John Mackie, em Evil and Omnipotence, argumenta que Deus, sendo onipotente, poderia ter criado seres livres que sempre escolhessem o bem. James Wetzel, em Can Theodicy be Avoided?, questiona se a teodiceia não exige uma emaranhamento das nossas sensibilidades contra a racionalização do mal.

O problema do mal, portanto, permanece como um desafio para a teologia e a filosofia. Ele nos convida a questionar a natureza de Deus, a liberdade humana e o significado do sofrimento. As respostas podem variar ao longo da história e entre diferentes culturas, mas a busca por sentido e justiça diante do mal continua sendo uma constante na experiência humana.

BIBLIOGRAFIA

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Maná

Maná (מָן, man; μάννα, manna), o “pão do céu” (Êx 16:4; Sl 78:24) provido por Deus aos israelitas durante seus 40 anos de peregrinação no deserto, era uma substância branca, semelhante à semente de coentro, com sabor de bolos de mel (Êx 16:31). Coletado diariamente, exceto no sábado (Êx 16:5), o maná sustentava o povo até sua chegada à terra prometida (Êx 16:35; Js 5:12).

Embora alguns associem o maná a fenômenos naturais, a Bíblia o descreve como uma provisão miraculosa, um teste à fé do povo (Êx 16:4-5, 16-19; Dt 8:2-3). Apesar da constante provisão divina, os israelitas murmuravam, questionando a libertação do Egito e demonstrando falta de confiança em Deus (Êx 17:3; Nm 11:20; 20:5).

No Novo Testamento, o maná adquire significado figurativo, representando Cristo, o “pão da vida” (Jo 6:35, 48-51). Em João 6, após alimentar 5.000 pessoas, Jesus é confrontado com a demanda por um sinal messiânico, uma alusão ao maná (Jo 6:30-31). Ele responde que o verdadeiro pão do céu é Aquele que desceu do céu para dar vida ao mundo (Jo 6:33).

Hebreus 9:4 menciona o maná como parte dos objetos sagrados guardados na arca da aliança, símbolos da aliança e da provisão divina. A presença do maná no Santo dos Santos prefigura o ministério de Cristo, o sumo sacerdote que ofereceu o sacrifício perfeito para redenção eterna (Hb 9:11-12).

Apocalipse 2:17 promete o “maná escondido” aos que vencerem. Essa expressão pode se referir ao maná guardado na arca, à Eucaristia, ao alimento espiritual ou ao próprio Cristo, revelado plenamente aos fiéis na consumação dos tempos.