Gilberto, o Universal

Gilberto, o Universal, Gilbert Universalis ou Gilbertus Universalis (falecido em 1134) foi um bispo de Londres.

Educado em Laon, era notório por sua erudição. Escreveu comentários sobre Lamentações, Pentateuco e Profetas Maiores. Foi contemporâneo aos biblistas de Paris. Foi colocado como bispo em 1128.

Gilberto, o Universal, escreveu uma Glossa ordinaria. Trava-se de uma compilação do que comentaristas escreveram sobre os livros da Bíblia ao longo da história de sua recepção.

Biblistas de Paris

A Escola de Paris de exegese bíblica, florescente nos séculos XII e XIII, representou um marco na interpretação das Escrituras. Conhecidos como “os biblistas de Paris” ou “os vitorinos,” em referência à Abadia de São Vítor onde boa parte estava associado, seus membros buscaram uma abordagem mais literal e histórica, em contraste com a exegese alegórica predominante.

Composta por clérigos da Abadia de São Vítor, estudiosos da escola da catedral de Notre Dame e leigos da nascente Sorbonne, os biblistas de Paris reacenderam os interesses pela exegese. Praticavam a lectio continua, isto é, uma leitura expositiva livro a livro das Escrituras.

William de Champeaux, Hugo de São Vítor, André de São Vítor, Pedro Lombardo, Pedro Abelardo e Stephen Langton figuram entre os seus principais expoentes. Hugo de São Vítor enfatizou a importância do estudo das línguas originais e da geografia bíblica, enquanto André de São Vítor se destacou por seu profundo conhecimento do hebraico e por sua consulta a fontes judaicas. Pedro Lombardo, com suas Sentenças, fundamentou uma crítica dialética que influenciaria tanto teologia medieval quanto a harmonização de passagens bíblicas. Stephen Langton contribuiu para a divisão da Bíblia em capítulos.

Uma versão popular da Bíblia foi escrita por Pedro Comestor. Sua Historia scholastica, uma paráfrase da Bíblia escrita para a escola da catedral de Notre Dame, acabou tornando-se um texto amplamente copiado para uso nas universidades e na devoção popular.

A Escola de Paris impulsionou o desenvolvimento da crítica textual e histórica, pavimentando o caminho para a exegese moderna.

Profetas de Zwickau

Os Profetas de Zwickau ou os Abecedarianos, um movimento religioso radical do início do século XVI, emergiram da cidade têxtil de Zwickau, na Saxônia, notórios por uma postura anti-intelectual e anti-teologia acadêmica.

Liderados por Nikolaus Storch, Thomas Dreschel e Markus Stübner, o movimento foi influenciado por Thomas Müntzer, embora a relação exata seja disputada, com alguns historiadores sugerindo que Storch influenciou a radicalização de Müntzer.

Os Profetas de Zwickau defendiam uma “igreja de membros cheios do Espírito”, priorizando revelações diretas do Espírito Santo sobre a autoridade escritural. Acreditavam que a verdade divina era acessível até aos mais ignorantes, rejeitando a necessidade de educação formal ou estudo bíblico, o que lhes valeu o apelido de “Abecedarianos”. Essa ênfase na revelação direta era acompanhada pela crença em um apocalipse iminente e pela defesa do batismo de crentes, embora não tenham instituído a prática do batismo adulto. Também apoiavam a eleição congregacional de pastores e criticavam a institucionalização da igreja, refletindo uma abordagem restauracionista.

Suas origens remontam à influência de Thomas Müntzer, um pregador luterano que serviu em Zwickau de 1520 a 1521. Embora a associação de Müntzer com o grupo seja complexa, com alguns historiadores sugerindo que Storch influenciou a radicalização de Müntzer, os Profetas de Zwickau desenvolveram suas próprias posições teológicas distintas. Em 1521 tentaram avançar seu programa de Reforma em Zwickau, sendo expelidos pelos magistrados locais.

Exilados de Zwickau, Storch, Dreschel e Stübner chegaram a Wittenberg em 1521, onde ganharam apoio de reformadores como Andreas Karlstadt. No entanto, sua presença causou agitação, levando Philipp Melanchthon a buscar a intervenção de Martinnho Lutero, que retornou a Wittenberg em 1522 e pregou contra os “Schwärmer” (fanáticos), suprimindo o radicalismo crescente. Após um confronto com Lutero, onde se recusaram a autenticar suas reivindicações com um milagre, denunciaram Lutero e deixaram Wittenberg.

Após sua partida, os Profetas se dispersaram. Storch continuou sua agitação em vários lugares, enquanto Stübner permaneceu mais tempo em Wittenberg, ganhando seguidores, incluindo Gerhard Westerburg e Martin Borrhaus antes de desaparecer dos registros históricos. Storch pode ter liderado uma seita anabatista na Francônia, e possivelmente retornou a Zwickau. Embora não tenham estabelecido uma igreja ou movimento duradouro, os Profetas de Zwickau deixaram uma marca significativa na paisagem religiosa da Reforma, desafiando a autoridade estabelecida e enfatizando a revelação espiritual.

A relação entre os Profetas e o anabatismo é controversa e não provada. Exceto a rejeição teórica do batismo infantil, não há conexões atestadas entre os dois movimentos.

BIBLIOGRAFIA

Burnett, Amy Nelson. “Karlstadt and the Zwickau Prophets: A Reevaluation” Archiv für Reformationsgeschichte – Archive for Reformation History, vol. 114, no. 1, 2023, pp. 105-128. https://doi.org/10.14315/arg-2023-1140106

Inscrição de Yahweh do Monte Ebal

A inscrição de Yahweh do Monte Ebal, descoberta em 1980 pelo arqueólogo israelense Adam Zertal, é um fragmento de cerâmica do século XIII a.C. contendo uma inscrição em proto-hebraico ou cananeu.

A suposta presença do tetragrama YHWH, o nome de Deus, tem gerado debates sobre sua autoria e significado. Enquanto alguns estudiosos a consideram evidência de um culto monoteísta israelita precoce, outros argumentam que a inscrição pode ser de origem cananeia, o que complexifica sua interpretação. A localização da inscrição no Monte Ebal, mencionado em Deuteronômio 11:29 como local de bênçãos e maldições, aumenta sua relevância para a história da religião israelita.

Inscrições de Umm el-Marra

As escavações em Umm el-Marra, sítio arqueológico no norte da Síria, lideradas por Glenn Schwartz desde 1994, revelaram descobertas notáveis que contribuem para a compreensão da escrita no Oriente Próximo antigo.

Datado do início da Idade do Bronze, cerca do terceiro milênio a.C., o sítio apresenta tabletes protocuneiformes, o que poderia mudar a data para o uso da escrita anteriormente ao que se pensava. A descoberta de inscrições alfabéticas ainda mais antigas, prévias aos alfabetos de Ugarit e Protossinaítico, sugere que Umm el-Marra foi um centro de experimentação e desenvolvimento de sistemas de escrita. As inscrições informam sobre as práticas administrativas e religiosas da época, e o uso da escrita indica um alto nível de sofisticação tecnológica e administrativa.