Jacinto

Jacinto (ὑάκινθος, hyákinthos, em grego) é uma palavra no livro do Apocalipse, com um significado que difere do uso moderno do termo para a flor homônima. Não há um termo hebraico correspondente direto nas passagens relevantes do Antigo Testamento, pois a menção ocorre em um contexto grego do Novo Testamento.

Em Apocalipse 9:17, durante a visão da sexta trombeta, João descreve cavalos e cavaleiros com couraças de “fogo, de jacinto e de enxofre”. Aqui, ὑάκινθος (hyákinthos) não se refere à flor, mas a uma pedra preciosa ou a uma cor. A interpretação mais provável é que se refira a uma pedra de cor azul-escura ou violácea, possivelmente safira, lápis-lazúli ou uma variedade de zircão. A descrição tricolor (fogo, jacinto e enxofre) sugere cores intensas e ameaçadoras associadas ao juízo.

Em Apocalipse 21:20, o jacinto (ὑάκινθος, hyákinthos) é listado como a décima primeira pedra fundamental da Nova Jerusalém. Novamente, a referência é a uma pedra preciosa, não à flor. A escolha de pedras preciosas para descrever os fundamentos da cidade celestial simboliza beleza, raridade, valor e a glória de Deus.

A identificação exata do hyákinthos bíblico é incerta. Na antiguidade, os termos para pedras preciosas eram menos precisos do que na mineralogia moderna, e a mesma palavra podia se referir a diferentes pedras com cores semelhantes. O termo grego hyákinthos, originalmente, pode ter se referido a uma flor (possivelmente a Hyacinthus orientalis ou alguma outra flor azul-escura), e, por extensão, à cor dessa flor. Posteriormente, o termo passou a ser aplicado a pedras preciosas com tonalidade similar.

Benedictus

Benedictus (latim para “Bendito”) é o nome dado ao cântico proferido por Zacarias, pai de João Batista, conforme registrado em Lucas 1:68-79. O nome deriva da primeira palavra do cântico na Vulgata: “Benedictus Dominus Deus Israel” (“Bendito o Senhor Deus de Israel”). O texto grego original começa com Εὐλογητὸς (Eulogētós), que também significa “Bendito” ou “Louvado seja”. Não há um termo hebraico correspondente único para o cântico como um todo, mas a frase inicial seria traduzida como בָּרוּךְ (baruch), que é uma forma comum de louvor em hebraico.

O contexto do Benedictus é o nascimento e a circuncisão de João Batista. Zacarias, que havia ficado mudo por sua incredulidade no anúncio do nascimento de João, recupera a fala e profere este cântico de louvor e profecia.

O Benedictus pode ser dividido em duas partes principais:

  1. Louvor pela Redenção de Israel (vv. 68-75): Zacarias louva a Deus por visitar e redimir seu povo, cumprindo as promessas feitas a Abraão e aos profetas. Ele celebra a vinda do Messias, descendente de Davi, que trará salvação, libertação dos inimigos e a oportunidade de servir a Deus em santidade e justiça.
  2. Profecia sobre João Batista (vv. 76-79): Zacarias profetiza sobre o papel de seu filho, João, como profeta do Altíssimo, que preparará o caminho do Senhor, anunciando o conhecimento da salvação ao povo, através do perdão dos pecados. A vinda do Messias é descrita como a aurora que visita o povo, trazendo luz e paz.

O Benedictus é rico em alusões ao Antigo Testamento, ecoando temas de salvação, aliança, profecia e a esperança messiânica. É um hino de louvor pela fidelidade de Deus às suas promessas e um anúncio da chegada iminente do reino de Deus em Jesus Cristo.

O Benedictus tem sido amplamente utilizado na liturgia cristã, especialmente nas orações da manhã (Laudes) na tradição católica e em outras tradições litúrgicas. Ele expressa a alegria e a esperança da comunidade cristã na obra redentora de Deus, iniciada com a vinda do Messias e continuada através da missão da Igreja.

Maldição

A maldição (em grego: κατάρα; em hebraico: קְלָלָה) é um tema recorrente na Bíblia, presente em diversas narrativas e leis. Ela se manifesta como uma força misteriosa, capaz de trazer infortúnio, dor e até mesmo a morte sobre aqueles que a recebem.

No Antigo Testamento, a maldição aparece frequentemente associada à desobediência a Deus e à quebra de alianças. As maldições proferidas por Deus contra o pecado e a idolatria são exemplos de como a maldição pode ser uma consequência direta das ações humanas.

As maldições também podem ser proferidas por pessoas, como no caso da maldição de Noé sobre Canaã (Gênesis 9:20-27) ou das maldições presentes no Livro de Deuteronômio (Deuteronômio 27-28). Essas maldições podem ser vistas como expressões de ira, vingança ou mesmo como tentativas de invocar forças sobrenaturais para prejudicar alguém.

No Novo Testamento, a maldição perde um pouco de sua centralidade, com o foco se deslocando para a graça e o perdão oferecidos por Jesus Cristo. No entanto, a maldição ainda aparece em algumas passagens, como na maldição de Paulo contra aqueles que pregam um evangelho diferente (Gálatas 1:8-9).

A natureza exata da maldição e seu poder são temas complexos e debatidos. Algumas interpretações sugerem que a maldição é uma força real, capaz de influenciar o mundo físico e espiritual. Outras interpretações veem a maldição como uma expressão simbólica de desaprovação divina ou humana, ou como uma forma de linguagem que enfatiza as consequências negativas de certas ações.

Moloque

Moloque (em grego: Μολόχ; em hebraico: מֹלֶךְ) é uma figura controversa do Antigo Testamento, associada a práticas de sacrifício de crianças. Sua natureza exata, no entanto, é objeto de debate entre os estudiosos.

Tradicionalmente, Moloque é apresentado como um deus específico, a quem crianças eram oferecidas em sacrifício. Essa visão é reforçada por passagens bíblicas que condenam o culto a Moloque e o sacrifício de crianças (Levítico 18:21, 20:2-5; 2 Reis 23:10; Jeremias 32:35).

No entanto, alguns estudiosos propõem que “Moloque” não seria o nome de uma divindade específica, mas sim um título ou epíteto usado para se referir a um deus ou a um rei. A palavra hebraica mlk (מלך), que forma a raiz do nome Moloque, significa “rei”. Essa hipótese sugere que Moloque poderia ser um título usado para designar o rei de um determinado povo, como os amonitas, ou ainda um epíteto para um deus associado à realeza, como Baal ou Chemosh.

Essa interpretação é apoiada por evidências textuais e arqueológicas. Em algumas inscrições antigas, a palavra mlk aparece em contextos que sugerem um título real ou divino, e não o nome de uma divindade específica. Além disso, a prática de sacrifícios de crianças era comum em várias culturas do antigo Oriente Próximo, e não necessariamente ligada a uma única divindade.

Zipor

Zipor (em grego: Σεπφωρ; em hebraico: צִּפּוֹר), cujo nome significa “pássaro”, surge no Antigo Testamento como um personagem de importância estratégica, embora sua presença seja breve. Ele é apresentado como o pai de Balaque, o rei de Moabe que, diante da ameaça representada pela aproximação dos israelitas, buscou os serviços do profeta Balaão para amaldiçoá-los (Números 22-24).

A figura de Zipor é mencionada em diversos livros do Antigo Testamento, como Números, Josué e Juízes, sempre em relação a seu filho Balaque. Sua linhagem e sua posição como rei de Moabe o colocam como um líder influente na região, capaz de mobilizar recursos e tomar decisões políticas de grande impacto.

A decisão de Balaque de contratar Balaão para amaldiçoar Israel revela a apreensão de Zipor e seu filho diante do poderio dos israelitas. O relato bíblico enfatiza que Balaque agiu com cautela, buscando uma solução sobrenatural para a ameaça que se aproximava de suas terras.

Embora a figura de Zipor não seja central na narrativa bíblica, sua presença como pai de Balaque e rei de Moabe o insere em um contexto histórico crucial. Ele é um elo entre a história de Israel e a história dos povos vizinhos, representando a complexa interação entre diferentes culturas e nações na antiguidade.