Carbúnculo

Carbúnculo, derivado do latim carbunculus (pequeno carvão), é um termo arcaico usado em algumas traduções da Bíblia para se referir a uma pedra preciosa de cor vermelha brilhante.

No Antigo Testamento, o termo geralmente traduz a palavra hebraica נֹפֶךְ (nofekh) ou, menos frequentemente, בָּרֶקֶת (bareqet). Em Êxodo 28:17 e 39:10, nofekh é a terceira pedra da primeira fileira do peitoral do sumo sacerdote. Ezequiel 28:13 também inclui nofekh na lista de pedras preciosas do rei de Tiro.

A Septuaginta traduz nofekh como ἄνθραξ (anthrax), literalmente “carvão”, reforçando a associação com a cor vermelha intensa. Bareqet, por outro lado, aparece em Êxodo 28:17 como a primeira pedra da segunda fileira do peitoral, e é traduzida na Septuaginta como σμάραγδος (smáragdos), geralmente associado à esmeralda, embora a identificação exata seja incerta. A Vulgata usa carbunculus para traduzir tanto nofekh quanto bareqet em alguns contextos. A identificação mineralógica precisa dessas pedras é complexa.

O “carbúnculo” bíblico, portanto, não se refere a um mineral específico, mas provavelmente a várias gemas vermelhas, como granada (especialmente piropo), rubi ou espinélio vermelho. O elemento crucial é a cor vermelha intensa, semelhante a um carvão em brasa, que simbolizava beleza, raridade e valor, tornando-o apropriado para adornar o sumo sacerdote e figuras de autoridade. Não há menção direta de “carbúnculo” no Novo Testamento grego.

Sardônia

A sardônia (em hebraico, אֹדֶם, ‘odem, e em grego, σάρδιον, sárdion, em algumas versões, e σαρδόνυξ, sardónyx, em outras) é uma pedra preciosa mencionada na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Em Êxodo 28:17 e 39:10, ‘odem é a primeira pedra da primeira fileira do peitoral do sumo sacerdote, representando uma das doze tribos de Israel. A identificação precisa de ‘odem é debatida, com algumas traduções optando por “rubi” ou “cornalina”. A Septuaginta traduz como σάρδιον (sárdion), uma pedra geralmente avermelhada. Em Ezequiel 28:13, ‘odem também aparece entre as pedras preciosas que adornavam o rei de Tiro.

No Novo Testamento, Apocalipse 4:3 apresenta aquele que está sentado no trono com a aparência de jaspe e de σαρδίῳ (sárdion), novamente sugerindo uma tonalidade avermelhada. Já em Apocalipse 21:20, a quinta camada dos fundamentos da Nova Jerusalém é descrita como σαρδόνυξ (sardónyx), que é uma variedade de ônix com camadas vermelhas e brancas. A distinção entre σάρδιον e σαρδόνυξ nem sempre é clara nos textos antigos, e ambas podem se referir a variedades de calcedônia com tons avermelhados.

Ônix

A pedra de ônix (שֹׁהַם, shoham, em hebraico; ὄνυξ, ónyx, em grego) é mencionada na Bíblia em diversos contextos, desde o Gênesis até o Apocalipse. Em Gênesis 2:12, é descrita como um dos produtos da terra de Havilá. Sua presença mais significativa, contudo, encontra-se nas vestes do sumo sacerdote de Israel. No peitoral (Êxodo 28:20; 39:13), o shoham era uma das doze pedras preciosas, cada uma representando uma das tribos. Duas pedras de shoham, gravadas com os nomes das tribos, eram também colocadas sobre as ombreiras do éfode (Êxodo 28:9-12; 39:6-7). A identificação precisa da pedra shoham permanece incerta, com estudiosos sugerindo, além do ônix, outras gemas como berilo, malaquita ou turquesa. A tradução para ὄνυξ na Septuaginta e na Vulgata (onde aparece como lapis onychinus) influenciou a tradição ocidental. A dificuldade na identificação precisa reside, em parte, na variação da terminologia antiga para pedras preciosas e na falta de descrições mineralógicas detalhadas nos textos bíblicos. Em Ezequiel 28:13, o shoham é listado entre as pedras preciosas que adornavam o rei de Tiro, simbolizando sua riqueza e esplendor. No Apocalipse (21:20), o ônix (ὄνυξ) figura como um dos fundamentos da Nova Jerusalém. Independentemente de sua exata composição mineralógica, o shoham bíblico representava beleza, valor e, especialmente no contexto sacerdotal, a união e a representação do povo de Israel perante Deus.

Peste

Peste traduzido do hebraico dever (דֶּבֶר), e do grego loimós (λοιμός), refere-se a epidemias de doenças contagiosas com alta mortalidade, frequentemente interpretadas como castigo divino.

A Septuaginta, em muitos casos, utiliza θάνατος (thánatos, “morte”) para dever, indicando a severidade dessas pragas. As narrativas bíblicas apresentam as pestes como manifestações da ira de Deus, como nas dez pragas do Egito (Êxodo 7-12), onde dever é explicitamente mencionado, e na punição subsequente ao censo realizado por Davi (2 Samuel 24).

Embora a etiologia específica dessas doenças permaneça incerta em muitos casos, descrições como a de 2 Samuel 24:15, mencionando a ação de um anjo exterminador, sugerem uma compreensão sobrenatural da causa. No contexto profético, as pestes são anunciadas como parte dos juízos divinos contra a idolatria e a injustiça (Jeremias 21:6, Ezequiel 14:19), enquanto no Novo Testamento, em Apocalipse, as pestes integram o cenário escatológico dos últimos tempos. A compreensão bíblica da peste, portanto, transcende a mera descrição de enfermidades, ligando-se ao conceito de retribuição divina e à necessidade de arrependimento.

Xibolete

Xibolete (שִׁבֹּלֶת), em hebraico, significa literalmente “espiga de cereal” ou “torrente”. O termo, no entanto, ganhou notoriedade bíblica devido ao episódio narrado em Juízes 12:1-6, como critério de identificação de um grupo como inimigo.

Após a vitória dos gileaditas, liderados por Jefté, sobre os efraimitas, estes últimos tentaram cruzar o rio Jordão de volta para seu território. Os gileaditas, controlando as passagens, utilizaram a palavra “xibolete” como um teste para identificar os efraimitas fugitivos. Devido a diferenças dialetais, os efraimitas pronunciavam a palavra como “sibolete” (סִבֹּלֶת), revelando sua origem e resultando em sua execução. Embora a Septuaginta use o termo grego στάχυς (stáchys), que significa “espiga”, a narrativa enfatiza a pronúncia distinta como o fator crucial.

O incidente de Xibolete tornou-se, portanto, um exemplo clássico de shibboleth (termo que transcendeu o contexto bíblico), ou seja, qualquer palavra, frase, costume ou característica que distingue membros de um grupo de não membros, especialmente no contexto de conflitos e identificação de inimigos. O episódio ressalta as tensões intertribais em Israel e as consequências fatais de diferenças linguísticas, mesmo que sutis.