Jeira

A jeira, unidade de medida de superfície com variações regionais, possui significado duplo, tanto em área de terra quanto em trabalho agrícola. A palavra não possui correspondente direto em hebraico ou grego bíblicos, refletindo sua origem em práticas agrícolas romanas, iugerum, adotada posteriormente em diversas culturas.

O termo aparece duas vezes na Almeida Revista e Corrigida.

A palavra hebraica ma’anah é usada em 1 Samuel 14:14 como uma medida de área. Sua raiz, ענה (‘anah), significa “trabalhar” ou “cultivar”. Portanto, ma’anah pode ser entendida como a área de terra que pode ser cultivada ou arada em um dia.

A palavra hebraica צֶמֶד tsemed significa “jugo” ou “parelha” (de bois). No contexto agrícola, refere-se à parelha de bois utilizada para arar a terra. Por extensão, tsemed também passou a designar a área de terra que podia ser arada por uma parelha de bois em um dia.

Em 1 Samuel 14:14, a jeira é uma medida prática de área relacionada ao trabalho agrícola e à ação militar. Em Isaías 5:10, a jeira também se refere à área de terra, mas com um significado simbólico de esterilidade e futilidade.

Bode emissário

O bode emissário, também conhecido como bode expiatório, é uma figura central no ritual do Dia da Purificação ou da Expiação (Yom Kippur) descrito em Levítico 16. O termo hebraico para bode emissário é עֲזָאזֵל (‘azazel), cujo significado exato é debatido, podendo referir-se a um local remoto, a um demônio do deserto ou, mais provavelmente, a um bode específico destinado a esse ritual.

No Dia da Purificação, o sacerdote realizava um ritual complexo para purificar os pecados do santuário e do povo de Israel. Dois bodes eram escolhidos: um era sacrificado como oferta pelo pecado, e o outro era designado como o bode emissário. Após a confissão dos pecados do povo sobre a cabeça do bode emissário, este era levado para o deserto e solto, simbolizando a transferência dos pecados para longe da comunidade.

O ritual do bode emissário expressava a crença de que a poluição ritual podia ser transferida para um substituto, que carregaria essa contaminação. Esse ritual também enfatizava a necessidade de purificação e reconciliação entre Deus e o povo.

O bode emissário é um símbolo poderoso de expiação e purificação. Embora o significado exato do termo ‘aza’zel seja incerto, o ritual em si é claro em sua intenção: afastar os pecados do povo, permitindo que a comunidade se reconcilie com Deus.

Imprecação

Imprecação, do latim imprecatio, refere-se a uma invocação de mal ou maldição contra alguém ou algo. Na Bíblia, as imprecações, expressas através de orações ou declarações, são encontradas principalmente nos Salmos, conhecidos como “Salmos Imprecatórios”. O termo hebraico para maldição é קְלָלָה (qelalah), e o termo grego para imprecação é κατάρα (katara).

Os Salmos Imprecatórios, como os Salmos 5, 7, 10, 35, 58, 69, 109 e outros, contêm expressões fortes de ira e desejo de vingança contra os inimigos do salmista, que são frequentemente os inimigos de Deus e do povo de Israel. Essas passagens podem ser perturbadoras que podem questionar a contradição entre o amor e a misericórdia divina e o desejo de vingança expresso nos Salmos. Contudo, os Salmos Imprecatórios devem ser interpretados dentro de seu contexto histórico e cultural. No antigo Israel, a justiça era frequentemente vista como retributiva, e a vingança era considerada um direito de Deus. Além disso, os Salmos Imprecatórios não são necessariamente expressões de ódio pessoal, mas sim clamores por justiça divina contra a injustiça e a opressão.

Os Salmos Imprecatórios também podem ser interpretados como uma forma de desabafo emocional e espiritual, permitindo que o salmista expresse sua raiva e frustração diante de Deus, confiando que Ele fará justiça.

No Novo Testamento, Jesus ensina sobre o amor aos inimigos (Mateus 5:44), o que parece contradizer as imprecações encontradas nos Salmos. No entanto, alguns argumentam que o ensino de Jesus não anula a justiça divina, mas sim a transfere para o âmbito de Deus. O Novo Testamento também enfatiza a importância do perdão e da reconciliação, que são elementos essenciais do amor cristão.

Algumas passagens no Novo Testamento podem ser interpretadas como contendo elementos de juízo ou reprovação que se assemelham a imprecações. Por exemplo, em Mateus 23, Jesus pronuncia uma série de “ais” contra os fariseus e escribas, denunciando sua hipocrisia e sua religiosidade superficial. Embora não sejam invocações diretas de maldição, essas palavras expressam um forte juízo sobre as ações dos líderes religiosos.

No livro de Apocalipse, há diversas passagens que descrevem o juízo de Deus sobre os ímpios e o triunfo final do bem sobre o mal. Essas passagens podem ser vistas como uma forma de imprecação contra as forças do mal, embora o foco principal seja a justiça e a soberania de Deus.

O termo aparece em Salmo 10:7 associado à malícia do ímpio e em Marcos 14:71, quando Pedro nega a Cristo.

Incenso

Incenso, uma mistura de substâncias aromáticas queimadas para produzir uma fumaça perfumada, desempenhou um papel significativo em rituais religiosos e práticas culturais ao longo da história, incluindo no antigo Israel. A palavra hebraica para incenso, קְטֹרֶת (qetoret), e a palavra grega θυμίαμα (thymíama) carregam a ideia de fumaça perfumada ou perfume.

No Antigo Testamento, o incenso era usado no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo de Jerusalém como parte dos rituais de adoração. O incenso era queimado em um altar específico, o Altar de Incenso (Êxodo 30:1-10), e sua fumaça era considerada uma oferta a Deus, simbolizando orações e súplicas que ascendiam aos céus (Salmos 141:2). A preparação e o uso do incenso eram regulamentados com precisão, enfatizando sua importância e santidade.

O incenso também era usado em outras ocasiões, como em festas e celebrações, e em contextos domésticos para purificação e aromatização. No entanto, o uso mais significativo do incenso era nos rituais religiosos, onde sua fumaça perfumada criava uma atmosfera de reverência e adoração.

No Novo Testamento, o incenso é mencionado no livro de Apocalipse, onde simboliza as orações dos santos que sobem a Deus (Apocalipse 8:3-4). Essa imagem reforça a associação do incenso com a comunicação entre o céu e a terra.

Pentecostes

Pentecostes, do grego pentēkostē (πεντηκοστή), que significa “quinquagésimo”, é uma festa bíblica celebrada cinquenta dias após a Páscoa. No Antigo Testamento, é conhecida como a Festa das Semanas (חַג שָׁבוּעוֹת, Chag Shavuot), uma das três festas de peregrinação do calendário judaico. Originalmente, era uma festa agrícola, marcando o fim da colheita do trigo e oferecendo os primeiros frutos a Deus (Êxodo 23:16; Deuteronômio 16:9-12). Posteriormente, passou a comemorar a entrega da Lei a Moisés no Monte Sinai.

No Novo Testamento, Pentecostes assume um novo significado. Atos 2 descreve o evento em que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos em Jerusalém, capacitando-os a falar em outras línguas e a pregar o evangelho com ousadia. Este evento é considerado o nascimento da Igreja Cristã.

A conexão entre a Festa das Semanas e o Pentecostes cristão reside na ideia de uma nova aliança e uma nova lei. Assim como a Lei foi dada a Moisés no Sinai, o Espírito Santo é dado aos discípulos no Pentecostes, inaugurando uma nova era na relação entre Deus e a humanidade. O dom do Espírito Santo capacita os crentes a testemunharem de Jesus Cristo e a viverem uma vida transformada.