Mini

Mini (מִנִּי, Minniy) é mencionado em Jeremias 51:27 como um dos três reinos – junto com Ararate e Asquenaz – convocados por Deus para guerrear contra a Babilônia. Apesar de sua breve aparição na Bíblia, Mini representa um reino histórico identificado com os Manai das fontes acádias. No entanto, informações sobre este reino são escassas e fragmentadas.

Os Manai, ou Manneanos, são mencionados em textos assírios e babilônicos a partir do século IX a.C. como um povo que habitava a região a sudoeste do Lago Urmia, no noroeste do Irã atual. Eles estabeleceram um reino que floresceu entre os séculos IX e VII a.C., entrando em conflito com os assírios em diversas ocasiões.

Fontes assírias descrevem campanhas militares contra os Manai, lideradas por reis como Tiglate-Pileser III e Sargão II. Esses registros fornecem informações sobre a localização geográfica de Mini, seus governantes e conflitos com os poderosos impérios da época. No entanto, a história interna de Mini, sua cultura e organização social permanecem pouco conhecidas.

No período em que Jeremias profetizou, Mini já estava sob o domínio dos medos. A ascensão do Império Medo no século VII a.C. levou à subjugação de diversos reinos na região, incluindo Mini. Essa subordinação política explica a menção de Mini em Jeremias 51:27, onde Deus convoca os medos e seus aliados para destruir a Babilônia.

A inclusão de Mini nesta profecia destaca o poderio medo e a diversidade de povos sob seu controle. Embora subjugado, Mini ainda mantinha sua identidade e representava uma força potencial a ser mobilizada contra o Império Babilônico.

Média

A Média (מָדַי, Maday) era uma região localizada no noroeste do Irã e nordeste do Iraque (Curdistão) atuais, ao longo da extensão norte das Montanhas Zagros. Os medos participaram da queda do Império Neoassírio (612 a.C.) e foram conquistados por Ciro II, o Grande (550 a.C.). Apesar de sua importância histórica e relevância bíblica, a Média e os medos permanecem envoltos em mistério, com fontes limitadas e muitas vezes incertas.

Os Medos na Bíblia

A Média é mencionada em várias passagens bíblicas, principalmente em relação a eventos históricos e profecias. Em Gênesis 10:2 e 1 Crônicas 1:5, Média é listada como um dos descendentes de Jafé, filho de Noé. O livro de Reis relata a deportação de israelitas do reino do norte para “as cidades dos medos” pelo rei assírio Salmaneser V (2 Reis 17:6; 18:11).

Profetas como Isaías e Jeremias mencionam a Média como um instrumento de punição divina contra a Babilônia (Isaías 13:17; 21:2; Jeremias 51:11, 27-28). Curiosamente, o livro de Esdras afirma que o decreto de Ciro II para a reconstrução do templo em Jerusalém foi encontrado em Ecbatana, a capital meda (Esdras 6:2). Os livros de Ester e Daniel, porém, combinam os medos e persas em um único império, refletindo a posterior fusão dos dois povos.

O Enigma do “Império” Medo

Embora historiadores tradicionalmente se refiram a um Império Medo, sua existência como uma entidade política unificada e duradoura é cada vez mais questionada. As fontes históricas, como anais assírios e babilônicos e os relatos de Heródoto, fornecem informações limitadas e muitas vezes contraditórias. Evidências arqueológicas também são escassas e ambíguas.

Sabe-se que os medos desempenharam um papel crucial na destruição do Império Neoassírio, aliando-se aos babilônios na captura de cidades importantes como Calá e Nínive. No entanto, a extensão de seu poder e influência antes da conquista persa permanece incerta. A capital meda, Ecbatana, continuou sendo um centro administrativo importante para os impérios subsequentes, incluindo o persa aquemênida e o parta.

Cultura e Religião Medas

A cultura e a religião dos medos também são pouco conhecidas. Heródoto menciona os magos como uma tribo meda, associando-os a práticas religiosas e sacerdotais. Estudiosos debatem a possível influência da religião meda no zoroastrismo e em outros cultos, como o mitraísmo. A deusa Anahita, uma divindade iraniana ocidental, possivelmente teve origem ou grande popularidade na Média.

A língua meda, um idioma indo-iraniano, não deixou registros escritos diretos. Alguns estudiosos postulam a existência de uma língua ou dialeto medo distinto, enquanto outros argumentam que o medo era próximo ao persa antigo. A cultura meda provavelmente era uma amálgama de elementos iranianos e influências de povos nativos da região.

Amuletos de Arslan Tash

Os Amuletos de Arslan Tash são duas placas de calcário com inscrições em semítico do noroeste, adquiridas em Arslan Tash (antiga H̆adattu), no norte da Síria, em 1933. As inscrições, escritas em um alfabeto aramaico e datadas do início do século VII a.C., contêm encantamentos contra demônios, além de baixos-relevos representando divindades ou demônios. Acredita-se que os amuletos, com cerca de 8 cm por 6 cm e 5 cm por 3 cm, foram feitos para uso doméstico, possivelmente pendurados em portas ou paredes, devido aos orifícios na parte superior.

O primeiro amuleto contém um encantamento contra demônios ladrões de crianças, com imagens de uma esfinge alada, um lobo e uma figura divina. O segundo amuleto apresenta um texto mais curto e obscuro, com a imagem de uma criatura engolindo uma pessoa. Essas imagens são comuns em amuletos mágicos do antigo Oriente Próximo, com o objetivo de assustar ou destruir o demônio. O texto do primeiro amuleto invoca divindades como Assur, Baal e Horon para proteção, e faz referência a demônios voadores e ao “Estrangulador”, um demônio ladrão de crianças. O segundo amuleto é um encantamento contra o “Respingador” de sangue, invocando Baal e El ŠYY.

Os amuletos de Arslan Tash apresentam paralelos com o Antigo Testamento. Ambos começam com a palavra cananeia para “encantamento”, לחשת (lchsht), que aparece como לַחַשׁ (lachash) em Isaías 3:3, 20; Jeremias 8:17; Eclesiastes 10:11. A alegação do dono do primeiro amuleto de ter um pacto com divindades como Assur, Baal e Horon, assemelha-se à teologia da aliança do Antigo Testamento. A referência aos “filhos de Deus” (bn ʾlm) como seres divinos encontra paralelo em Salmos 29:1; Gênesis 6:2; Jó 1:6. O primeiro amuleto também parece mencionar Lilith, um demônio mesopotâmico (linha 20), presente em Isaías 34:14.

A linguagem dos amuletos é incomum, pois, embora utilize um alfabeto aramaico, apresenta características do fenício, o que levanta questões sobre a autenticidade dos artefatos. Alguns estudiosos argumentam que a iconografia e a linguagem são anômalas, enquanto outros defendem sua autenticidade com base na complexidade da linguagem e na dificuldade de falsificação na época.

Apesar do debate sobre sua autenticidade, os Amuletos de Arslan Tash informam sobre as práticas religiosas e mágicas no antigo Oriente Próximo. Retrata as crenças e os medos prevalentes. As inscrições, com seus paralelos bíblicos, contribuem para a compreensão do contexto cultural e religioso do Antigo Testamento.

Boaz

Boaz (em hebraico: בֹּעַז, Bōʻaz), cujo nome possivelmente significa “nele há força”, foi um rico proprietário de terras de Belém que desempenha um papel central no livro bíblico de Rute. Ele é apresentado como um parente próximo de Elimeleque, o falecido marido de Noemi (Rute 2:1).

Boaz é retratado como um homem de caráter nobre e piedoso. Ele demonstra bondade e generosidade para com Rute, a moabita viúva que retorna a Belém com Noemi, sua sogra. Boaz a acolhe em seus campos, permitindo que ela recolha espigas durante a colheita, e a protege de qualquer assédio (Rute 2:8-16).

Além de sua generosidade, Boaz se destaca por sua observância à lei e aos costumes de Israel. Ciente de seu dever como parente resgatador (goel), ele se dispõe a casar com Rute para preservar a linhagem de Elimeleque e garantir a herança familiar (Rute 3:1-13).

O casamento de Boaz com Rute é um ato de redenção que vai além da esfera familiar. Ele representa a inclusão dos estrangeiros na comunidade de Israel e a fidelidade de Deus às suas promessas. Rute, a moabita, torna-se parte da linhagem de Davi, e consequentemente, ancestral de Jesus Cristo (Mateus 1:5).

Bezalel

Bezalel (em hebraico: בְּצַלְאֵל, Bəṣalʼēl), cujo nome significa “à sombra de Deus”, foi um artesão e artista israelita designado por Deus para a construção do Tabernáculo e seus utensílios sagrados, como descrito em Êxodo 31:1-11 e 35:30-35. Descendente da tribo de Judá, Bezalel era filho de Uri, filho de Hur (Êxodo 31:2).

Deus concedeu a Bezalel dons extraordinários, enchendo-o com o “Espírito de Deus”, e concedendo-lhe “sabedoria, entendimento e conhecimento” em todo tipo de artesanato (Êxodo 31:3). Ele foi capacitado para trabalhar com diversos materiais como ouro, prata, bronze, pedras preciosas e madeira, e para realizar trabalhos de escultura, ourivesaria, tecelagem e bordado (Êxodo 35:31-33).

A escolha divina de Bezalel demonstra a importância da arte e da beleza na adoração a Deus. A construção do Tabernáculo, um espaço sagrado para a presença de Deus no meio do povo de Israel, exigia habilidade artística e técnica excepcionais, e Bezalel, imbuído do Espírito de Deus, foi escolhido para essa tarefa.

Bezalel não trabalhou sozinho. Ele teve como colaborador Aoliabe, da tribo de Dã, que também foi dotado por Deus com habilidades artísticas e artesanais (Êxodo 31:6). Juntos, eles lideraram e instruíram outros artesãos na construção do Tabernáculo, cumprindo o plano divino com precisão e beleza (Êxodo 36:1-2).