Órion

Órion (כְּסִיל, kesil; Ὠρίων, Ōríōn), a constelação de Órion, evoca a imagem do “caçador” celestial, uma das constelações mais brilhantes e reconhecíveis do céu noturno. Mencionado em Jó 9:9; 38:31 e Amós 5:8, Órion é frequentemente associado ao poder e à majestade de Deus, que criou e controla as estrelas e os astros.

A constelação de Órion, com seu formato distinto e suas estrelas brilhantes como Betelgeuse e Rigel, impressionava os povos antigos, inspirando mitos e lendas.

Em Jó 38:31, Deus questiona Jó: “Podes atar as cadeias do Órion, ou soltar os laços do Sete-estrelo?”, referindo-se à constelação das Plêiades. Essa pergunta retórica enfatiza o poder ilimitado de Deus e a incapacidade humana de controlar as forças da natureza.

Neelamita

Neelamita (נְהֶלְיָמִ, neḥelāmî), termo que aparece apenas em Jeremias 29:24,32, designa o falso profeta Semaías. A origem e o significado do termo são incertos.

Alguns sugerem que “Neelamita” se refira à cidade de origem de Semaías, mas nenhum local com esse nome é conhecido. Outros propõem que a expressão seja uma variação de “Neelão”, tornando a tradução “o neelamita” equivalente a “o de Neelão”.

Há também a hipótese de que Jeremias esteja fazendo um jogo de palavras com o hebraico ḥha-lām (“sonho”), ironizando as profecias de Semaías.

Semaías, que se opôs a Jeremias e profetizou falsamente em nome de Deus (Jr 29:24-32), foi condenado pelo profeta à punição divina.

Mar de Sufe

O Mar de Sufe (יַם סוּף, Yam Suf), expressão hebraica que significa “Mar de Juncos”, é o corpo d’água que os israelitas atravessaram durante o Êxodo, libertos da escravidão no Egito. Embora tradicionalmente traduzido como “Mar Vermelho” (ἐρυθρὰ θάλασσα, erythrà thálassa), a localização exata e a natureza do Mar de Sufe são debatidas.

Algumas hipóteses o identificam com o Golfo de Suez, enquanto outras sugerem lagos ou pântanos no norte do Egito. Foi o cenário da passagem dos israelitas em terra seca, e se fecharam sobre o exército egípcio em perseguição (Êx 14:21-29).

Dinaítas

Dinaítas (דִּינָיֵא, dinayê; Διναῖοι, Dinaioi), termo que aparece em Esdras 4:9, designa um grupo de escribas que atuavam na corte do rei persa Artaxerxes. Esses escribas, provavelmente pertencentes à província de Dina na Assíria, se opuseram à reconstrução do templo em Jerusalém pelos judeus que haviam retornado do exílio (Ed 4:9-10).

Juntamente com outros povos e oficiais, os dinaítas enviaram uma carta a Artaxerxes, acusando os judeus de sedição e rebelião, e buscando interromper a obra do templo (Ed 4:11-16).

A intervenção dos dinaítas e seus aliados resultou na suspensão da reconstrução do templo por vários anos, até que a obra foi retomada sob o reinado de Dario I (Ed 6:1-12).

Dagom

Dagom (דָּגוֹן, Dagon; Δαγών, Dagōn), deus principal dos filisteus, era cultuado em cidades como Asdode e Gaza (1Sm 5:2-7; Jz 16:23). Sua imagem, provavelmente com corpo de peixe e cabeça e mãos humanas, representava sua associação com a fertilidade e o mar.

A narrativa bíblica destaca o confronto entre Dagom e o Deus de Israel, quando a Arca da Aliança foi capturada pelos filisteus. Colocada diante da imagem de Dagom em Asdode, a Arca provocou a queda e a destruição da estátua (1Sm 5:3-5).

Interpretado como um sinal da superioridade de Javé sobre os deuses pagãos, esse episódio humilhou os filisteus e os levou a devolver a Arca aos israelitas (1Sm 6:1-12).