Berilo

Berilo (בָּרֶקֶת, bareqet; βήρυλλος, bēryllos), pedra preciosa translúcida de brilho vítreo, é mencionada na Bíblia em contextos que evocam beleza, valor e santidade. Encontrado em diversas cores, como verde, azul, amarelo e vermelho, o berilo era apreciado na antiguidade por sua raridade e brilho.

Em Êxodo 28:20, o berilo é listado como uma das doze pedras preciosas que adornavam o peitoral do sumo sacerdote, cada uma representando uma das tribos de Israel. Essa associação do berilo com o vestuário sacerdotal ressalta seu valor e sua conexão com o sagrado.

Ezequiel, em sua visão do carro celestial (Ez 1:16), descreve as rodas como “semelhantes à cor do berilo”, evocando a beleza e a grandiosidade da criação divina.

No livro do Apocalipse, o berilo é mencionado como uma das pedras preciosas que adornam os fundamentos da Nova Jerusalém (Ap 21:20), simbolizando a perfeição e a glória do Reino de Deus.

Belsazar

Belsazar (בֵּלְשַׁאצַּר, Bēlšaʾṣṣar; Βαλτάσαρ, Baltasar), cujo nome em acádio significa “Bel proteja o rei”, foi o último rei do Império Neobabilônico, governando como corregente com seu pai, Nabonido (Dn 5:1). Neto de Nabucodonosor (Dn 5:2,11,18,22), Belsazar é retratado em Daniel 5 como um monarca arrogante e idólatra, que profana os vasos sagrados do templo de Jerusalém durante um banquete (Dn 5:3-4).

Em meio à festa, uma mão misteriosa escreve na parede uma mensagem enigmática (Dn 5:5). Daniel, chamado para interpretar a escrita, repreende Belsazar por sua idolatria e orgulho, e anuncia a queda iminente de Babilônia (Dn 5:18-28).

Naquela mesma noite, o Império Babilônico cai diante dos persas, e Belsazar é morto (Dn 5:30) durante a captura da Babilônia por Dario, o medo, em 539 a.C. (Dn 5:30; 7: 1).

Apesar de Nabucodonosor ser citado como o pai de Belsazar em Dn 5:11, 18, tal indicação aparenta ser a invocação do ancestral de maior prestígio, como ocorria na fórmula Bīt-PN, como, por exemplo, “Filho ou Casa de Davi”.

Puteus

Puteus (פוּט, put), termo que aparece em 1 Crônicas 2:53, designa um grupo familiar que habitava Quiriate-Jearim (קִרְיַת יְעָרִים, qiryat ye’arim), cidade situada na fronteira entre Judá e Benjamim. Quiriate-Jearim, também conhecida como Quiriate-Baal (Js 15:60), Baala (Js 15:9) e Baale-Judá (2Sm 6:2), teve grande importância na história de Israel.

Foi em Quiriate-Jearim que a Arca da Aliança permaneceu por vinte anos após ser devolvida pelos filisteus (1Sm 6:21-7:2). A cidade também é mencionada como o local de origem de Urias, o hitita, marido de Bate-Seba (2Sm 11:3).

Sefaivitas

Os sefaivitas, mencionados em 2 Reis 17:24 e 18:34, eram provenientes de Sefarvaim, uma cidade localizada na Assíria. Após a conquista do Reino do Norte (Israel) pelos assírios em 722 a.C., o rei Sargão II deportou os israelitas e repovoou a região com pessoas de outras nações, incluindo os sefaivitas (2Rs 17:24).

Esses novos habitantes, trazendo consigo suas próprias crenças e práticas religiosas, foram assolados por leões, o que interpretaram como uma manifestação da ira do deus local (2Rs 17:25).

Para apaziguar a divindade, o rei assírio enviou de volta um sacerdote israelita para ensiná-los a adorar o Deus de Israel (2Rs 17:27-28).

Refaim

Refaim (רְפָאִים, rĕfa’im; γίγαντες, gigantes) ou refains, termo que evoca mistério e temor, refere-se a um povo ancestral de gigantes que habitava Canaã e outras regiões antes da chegada dos israelitas. Mencionados em Gênesis 14:5 e 15:20, os Refaim eram temidos por sua estatura e força, sendo associados a lugares como Asterote-Carnaim (Gn 14:5) e a vale de Refaim (Js 15:8).

Deuteronômio 2:11 e 3:11 os descrevem como “gigantes, como os anaquins” e mencionam Ogue, rei de Basã, como o último dos refaim (Dt 3:11).

Embora a Bíblia não forneça detalhes sobre sua origem e extinção, os refaim são retratados como um povo poderoso e ameaçador, representando os desafios e perigos que os israelitas enfrentaram na conquista da terra prometida.

A memória dos refaim persistiu na cultura e na literatura judaica, sendo mencionados em textos poéticos como Isaías 26:14 e Provérbios 2:18, como símbolo daqueles que foram derrotados e julgados por Deus.

A interpretação dos refaim varia entre os estudiosos, alguns os considerando como personagens mitológicos, enquanto outros os veem como um povo real