Bel

Bel

Bel, בֵּל, Bēl, cognato do semita ocidental Baal, “senhor” ou “possuidor”, era um título associado a deidades na antiga Mesopotâmia. Bel seria o equivalente sumério de Bel era En, que designava Enlil, o deus do vento e das tempestades, uma das principais divindades da tríade original de Sumer.

Com o estabelecimento da supremacia de Babilônia, o deus principal da cidade, Marduque (Merodaque no Antigo Testamento), adquiriu os atributos de Enlil, recebendo também o título honorífico de Bel. Esse título acabou por substituir o nome Marduque no uso comum, consolidando a posição de Bel como a principal divindade babilônica.

No Antigo Testamento, Marduque é mencionado explicitamente apenas em Jeremias 50:2. Já Bel aparece em Isaías 46:1 e em Jeremias 50:2 e 51:44, geralmente em contextos que denunciam a idolatria. Nos apócrifos Bel e o Dragão e na Epístola de Jeremias 6:41, Bel é criticado como símbolo de adoração a deuses falsos. O nome de Bel também é encontrado como parte de nomes próprios, como no caso de Belsazar (Belshazzar), o rei mencionado em Daniel 5.

A transição de Enlil para Bel ilustra a evolução religiosa na Mesopotâmia, com a centralização do poder divino em Marduque refletindo a ascensão de Babilônia como hegemonia cultural e política da região.