Aretas

Aretas é o nome atribuído a vários reis nabateus mencionados na Bíblia e em fontes históricas, com destaque para Aretas IV, citado em 2 Coríntios 11:32. Os Nabateus, conhecidos por sua proeminência comercial e cultural, governaram vastas áreas do Oriente Médio.

  1. Aretas I, registrado em 2 Macabeus 5:8, liderou no século II a.C., sendo sucedido por Rabel I e, posteriormente, por Aretas II,
  2. Aretas II, cujo reinado enfrentou ameaças do expansionismo asmoneu.
  3. Aretas III, no século I a.C., consolidou o poder nabateu ao conquistar Damasco e aliar-se ao asmoneu Hircano II contra Aristóbulo, embora sua intervenção em Jerusalém tenha sido frustrada pelos romanos sob Pompeu.
  4. Aretas IV, que reinou de cerca de 9 a.C. a 40 d.C., é o mais relevante para os textos bíblicos. Seu domínio abrangeu Petra, Damasco e territórios adjacentes. Pai da primeira esposa de Herodes Antipas, envolveu-se em um conflito direto com o tetrarca após o divórcio de sua filha. Derrotou Antipas militarmente, provocando a intervenção de Roma por ordem de Tibério. Este episódio é vinculado aos relatos do Novo Testamento sobre a execução de João Batista, cuja denúncia pública contra o casamento de Antipas com Herodias desencadeou sua prisão e morte.

No contexto paulino, Aretas IV aparece como governante indireto de Damasco, onde o etnarca sob sua autoridade tentou capturar o apóstolo Paulo, que escapou sendo descido em um cesto pelas muralhas da cidade. Esse incidente destaca a influência nabateia sobre a cidade, mesmo sob o domínio formal romano, e reflete a complexidade política da região, marcada por tensões entre líderes locais e o Império. A presença de Aretas nas narrativas bíblicas oferece um panorama do cenário geopolítico e religioso da época, entrelaçando elementos históricos e teológicos.

Aristarco

Aristarco, macedônio de Tessalônica, foi um fiel companheiro do apóstolo Paulo, mencionado em diversas passagens do Novo Testamento (Atos 19:29; 27:2; Colossenses 4:10; Filemom 24). Seu nome, que significa “o melhor governante”, talvez reflita seu caráter ou posição na comunidade.

Aristarco acompanhou Paulo em várias viagens missionárias, inclusive na perigosa viagem a Roma, onde enfrentaram um naufrágio (Atos 27). Ele esteve presente durante o tumulto em Éfeso, demonstrando coragem ao defender Paulo da multidão enfurecida (Atos 19:29). Em Colossenses, Paulo o chama de “meu companheiro de prisão”, indicando que Aristarco compartilhou o cativeiro com o apóstolo, provavelmente em Roma.

Arioque

Arioque, nome que significa “como um leão”, identifica dois personagens distintos no Antigo Testamento:

  1. Arioque, rei de Elasar: Mencionado em Gênesis 14:1 como um dos quatro reis que formaram uma aliança e guerrearam contra os reis de Sodoma e Gomorra, capturando Ló, sobrinho de Abraão. Abraão, por sua vez, reuniu seus homens e derrotou a aliança, libertando Ló e os demais cativos. Arioque, rei de Elasar, representa um dos obstáculos enfrentados por Abraão em sua jornada de fé, e sua derrota ilustra a proteção divina sobre o patriarca e sua família.
  2. Arioque, comandante da guarda: Em Daniel 2:14, Arioque é o oficial encarregado de executar a ordem de Nabucodonosor de matar todos os sábios da Babilônia, por não conseguirem interpretar o sonho do rei. Daniel, no entanto, intercede junto a Arioque e consegue uma audiência com Nabucodonosor, revelando e interpretando o sonho, salvando assim a vida dos sábios. Arioque, neste caso, representa o poder do rei e a severidade da lei babilônica, mas também a abertura para a intervenção divina através da sabedoria de Daniel.

Asa

Asa, terceiro rei de Judá, governou por 41 anos (911-870 a.C.), sucedendo seu pai Abias. É descrito na Bíblia como um rei justo que promoveu uma reforma religiosa em Judá, removendo os altares estrangeiros e os ídolos, e restaurando o culto a Yahweh (1 Reis 15:9-24; 2 Crônicas 14-16).

Durante seu reinado, Asa fortaleceu o exército e as defesas de Judá, construindo cidades fortificadas. Ele enfrentou com sucesso a invasão do exército etíope liderado por Zerá, obtendo uma grande vitória (2 Crônicas 14). Confiando em Deus, Asa promoveu uma renovação da aliança com o Senhor, convocando o povo a buscar o Deus de seus antepassados e a cumprir seus mandamentos.

Apesar de seus sucessos, Asa cometeu erros no final de seu reinado. Ao enfrentar a ameaça do rei Baasa de Israel, Asa buscou a aliança com o rei da Síria, Ben-Hadade, em vez de confiar em Deus (1 Reis 15:16-22). Essa aliança, embora estrategicamente vantajosa, foi criticada pelo profeta Hanani, que repreendeu Asa por sua falta de fé.

Nos seus últimos anos, Asa adoeceu gravemente dos pés, mas “não buscou ao Senhor, mas aos médicos” (2 Crônicas 16:12). Essa atitude demonstra que, apesar de sua devoção inicial, Asa se afastou de Deus em seus últimos dias.

Asa é lembrado como um rei que promoveu a reforma religiosa e a estabilidade política em Judá.