Áquila

Áquila, um judeu cristão do primeiro século, é mencionado no Novo Testamento como um dedicado colaborador do apóstolo Paulo. Ele e sua esposa, Priscila, eram fabricantes de tendas, profissão que compartilhavam com Paulo (Atos 18:2-3).

Áquila e Priscila conheceram Paulo em Corinto, após serem expulsos de Roma pelo decreto do imperador Cláudio contra os judeus. Juntos, trabalharam e ministraram na comunidade cristã de Corinto, acolhendo Paulo em sua casa e auxiliando-o na evangelização.

O casal acompanhou Paulo em suas viagens missionárias, estabelecendo-se em Éfeso, onde desempenharam um papel importante no discipulado de Apolo, um eloquente pregador que ainda não conhecia plenamente o Evangelho (Atos 18:26).

Áquila e Priscila são citados com afeto e reconhecimento por Paulo em suas cartas, sendo considerados exemplos de fidelidade, hospitalidade e serviço ao Reino de Deus (Romanos 16:3-4; 2 Timóteo 4:19).

Anaque

Anaque, mencionado em Números 13:22-33, é descrito como o antepassado dos anaquins, um povo de gigantes que habitava a região de Canaã antes da chegada dos israelitas. A Bíblia apresenta Anaque como um homem de grande estatura, o que levou seus descendentes a serem conhecidos como “filhos de Anaque” ou “anaquins”, termo que se tornou sinônimo de gigantes.

Anás

Anás, cujo nome significa “Javé mostra graça”, foi um sumo sacerdote judeu que viveu no século I d.C., durante o período do Novo Testamento. Embora não ocupasse o cargo oficialmente na época do ministério de Jesus, Anás exercia grande influência religiosa e política, sendo uma figura central nos eventos que levaram à crucificação de Cristo.

O sumo sacerdote em exercício na época era Caifás, genro de Anás. A relação familiar entre ambos indica a perpetuação do poder dentro de uma mesma linhagem sacerdotal, característica da elite religiosa judaica naquele período. Anás havia sido sumo sacerdote anteriormente, nomeado pelos romanos entre 6 e 15 d.C., e, mesmo após ser deposto, mantinha prestígio e influência, sendo ainda considerado sumo sacerdote por muitos, como se observa em Lucas 3:2.

O Evangelho de João destaca o papel de Anás no julgamento preliminar de Jesus. Após ser preso, Jesus foi levado primeiro a Anás, que o interrogou sobre seus discípulos e ensinamentos (João 18:12-24). Anás então o enviou a Caifás, onde o Sinédrio, a suprema corte judaica, se reuniu para condená-lo.

A participação de Anás no processo contra Jesus demonstra sua influência nos bastidores do poder religioso e político da época. Mesmo sem ocupar o cargo oficialmente, Anás continuava a exercer autoridade e a interferir nas decisões do Sinédrio, evidenciando a complexa dinâmica de poder entre as lideranças religiosas judaicas e as autoridades romanas.

Augusto

Augusto, nascido Caio Otávio, foi o primeiro imperador romano, governando de 27 a.C. a 14 d.C. Sobrinho-neto e herdeiro de Júlio César, Augusto consolidou o poder após um período de guerras civis, inaugurando uma era de paz e prosperidade conhecida como Pax Romana. No Novo Testamento, é referido como César Augusto (Lucas 2:1), sendo o imperador reinante durante o nascimento de Jesus.

O governo de Augusto foi marcado por reformas administrativas, expansão territorial e um intenso programa de propaganda que o promoveu como um líder divino e salvador, associando sua figura à “gesta Augusti”, seus feitos heroicos. Essa construção ideológica, que visava legitimar seu poder e unificar o império, utilizava elementos religiosos e políticos para criar uma narrativa de “boas novas” (euangelion em grego), termo que posteriormente seria central na mensagem cristã.

A proclamação da Pax Romana e a divulgação da gesta Augusti criaram um contexto político e social propício para a disseminação do cristianismo. A estabilidade do império facilitou as viagens missionárias, enquanto a ênfase na figura do imperador como “salvador” e “portador de boas novas” preparou o terreno para a recepção da mensagem de Jesus Cristo como o verdadeiro Salvador e Rei.

Augusto, embora não tenha tido contato direto com o cristianismo nascente, desempenhou um papel indireto na sua difusão. Seu reinado marcou o início de uma nova era no mundo romano, criando as condições para que a mensagem do Evangelho se propagasse por todo o Império. A partir daí, o conceito de “boas novas” ganharia um novo significado, centrado na pessoa de Jesus Cristo e na sua obra de salvação.

Anrão

Anrão, levita descendente de Coate, foi pai de Arão, Moisés e Miriã (Números 3:19; 26:59). Casado com Joquebede, também da tribo de Levi, sua linhagem o coloca no centro da narrativa do Êxodo. Seus filhos tornaram-se figuras chave na libertação de Israel do Egito: Arão, o primeiro sumo sacerdote; Moisés, o libertador e legislador; e Miriã, profetisa e líder espiritual.