Ismaelitas

Ismaelitas (יִשְׁמְעֵאלִים, Yishma’elim, em hebraico; Ἰσμαηλῖται, Ismaēlîtai, em grego) são, na Bíblia, os descendentes de Ismael, o primeiro filho de Abraão com sua concubina egípcia, Agar (Gênesis 16).

Os ismaelitas são mencionados em outras passagens bíblicas, geralmente em conexão com o comércio e a vida nômade:

  • Juízes 8:24: Os midianitas, derrotados por Gideão, são descritos usando brincos de ouro, “porque eram ismaelitas“. Isso sugere uma sobreposição ou confusão entre os termos “midianitas” e “ismaelitas”, ou que os midianitas, nesse contexto, incluiam grupos ismaelitas.
  • Gênesis 37:25-28, 39:1 Os irmãos de José o vendem como escravos a uma caravana de ismaelitas que se dirigiam ao Egito, ou eram mercadores midianitas. Novamente, parece haver uma certa fluidez no uso dos termos.
  • 1 Crônicas 27:30: Obil, um ismaelita, está no cargo dos camelos de Davi.

Fora da Bíblia, inscrições assírias e outras fontes antigas mencionam grupos árabes que podem ser associados aos descendentes de Ismael. A tradição islâmica considera Ismael um ancestral importante dos árabes, particularmente através de seu filho Quedar, e o profeta Maomé é considerado um descendente de Ismael.

Hamateus

Os hamateus, descendentes de Canaã (Gênesis 10:15-18), são mencionados na Bíblia como um dos povos que habitavam a região de Canaã antes da chegada dos israelitas. Seu nome deriva da cidade de Hamate, localizada no vale do rio Orontes, na Síria. A região de Hamate era conhecida por sua fertilidade e importância estratégica.

A Bíblia não oferece muitos detalhes sobre a história ou cultura dos hamateus. Eles são geralmente listados junto com outros povos cananeus, como os heteus, jebuseus, amorreus, girgaseus, heveus, arquitas, sineus, arvaditas e zemareus (Gênesis 10:15-18; 1 Crônicas 1:13-16). Essa presença constante nas listas sugere que os hamateus eram um grupo significativo na região, embora não haja relatos específicos sobre suas interações com outros povos cananeus ou com os israelitas.

Hebreu

O termo “hebreu” (עִבְרִי, ivri em hebraico; Ἑβραῖος, Hebraios em grego) aparece pela primeira vez na Bíblia para descrever Abraão (Gênesis 14:13), geralmente entendido como um descendente de Éber. A origem exata do termo é incerta.

Embora em alguns momentos históricos possa ter havido sobreposição entre hebreus e Habiru, a distinção entre os dois grupos é fundamental. Os hebreus são um povo com uma história, cultura e religião específicas, enquanto os Habiru são um grupo social diversificado, marginalizado e sem uma identidade étnica ou cultural comum. A associação entre hebreus e Habiru pode ter ocorrido devido a semelhanças em suas experiências de deslocamento e marginalização, bem como a semelhança desses termos nas línguas semíticas.

O termo “hebreu” (עִבְרִי, ivri) deriva possivelmente de Éber, ancestral de Abraão, ou do verbo “avar” (עבר), que significa “atravessar” ou “passar”. Refere-se aos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, que formaram as doze tribos de Israel. Por sua vez, termo “Habiru” aparece em textos egípcios, mesopotâmicos e hititas, referindo-se a um grupo social diverso e marginalizado, composto por nômades, foragidos, mercenários e outros que não se encaixavam na estrutura social estabelecida. A origem exata do termo é incerta, mas geralmente não está ligada a uma etnia específica.

Os hebreus são tradicionalmente considerados descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, que formaram as doze tribos de Israel. A história dos hebreus narrada na Bíblia começa com o chamado de Abraão para deixar sua terra natal e se estabelecer em Canaã, terra prometida por Deus. Após um período de migração e estabelecimento, os hebreus enfrentaram a escravidão no Egito, de onde foram libertados por Moisés, um evento central na história e identidade do povo.

O termo “hebreu” é usado no Antigo Testamento para se referir aos descendentes de Abraão até o período do exílio. Após o exílio, o termo “judeu” (יְהוּדִי, yehudi) passa a ser usado com mais frequência, derivado do nome do reino de Judá.

Ferezeus

Ferezeus são um dos povos que habitavam Canaã antes da chegada dos israelitas. A etimologia do termo hebraico הַפְּרִזִּי (ha-perizzi) é incerta, com algumas sugestões ligando-o a “aldeia” ou “lugar aberto”, indicando talvez um estilo de vida mais estabelecido do que nômades.

Os ferezeus são frequentemente listados ao lado de outros grupos cananeus, como heteus, amorreus, cananeus, heveus e jebuseus, como em Êxodo 3:8 e Deuteronômio 7:1. Essa presença constante nas listas sugere que os ferezeus eram um grupo significativo na região, com sua própria identidade cultural e social.

A Bíblia não oferece muitos detalhes sobre a cultura, costumes ou organização social dos ferezeus. As narrativas bíblicas se concentram principalmente em seu relacionamento com os israelitas, especialmente no contexto da conquista de Canaã. Em várias passagens, como Josué 24:18 e Juízes 1:4, os israelitas são instruídos a destruir ou subjugar os povos cananeus, incluindo os ferezeus.

Tiratitas

Tiratitas (תִּרְעָתִים, tir’atim) são mencionados em 1 Crônicas 2:55 como um grupo de escribas que habitavam a cidade de Jabez. Descritos como descendentes de Hamate, pai da casa de Recabe, os Tiratitas eram queneus (קֵינִי, qeyni), um povo nômade associado aos midianitas e conhecido por sua habilidade na metalurgia e por seus costumes singulares, como a abstenção de vinho (Jr 35:6-10).

A presença de escribas queneus em Jabez sugere uma interação cultural e possivelmente religiosa entre os israelitas e esse grupo. A função de escriba era crucial na sociedade israelita, responsável por registrar leis, histórias e genealogias, além de desempenhar papéis administrativos e religiosos.