Nazireu

Nazireu, que significa “consagrado” ou “separado”, era um termo usado no Antigo Testamento para designar indivíduos que faziam um voto especial a Deus (Nm 6:1-21). Esse voto, chamado de nazireado, implicava em restrições e práticas específicas como abster-se de vinho e produtos da videira, não cortar o cabelo e evitar contato com cadáveres (Nm 6:3-8).

O nazireado era um período de dedicação intensificada a Deus, marcado pela separação de elementos que poderiam ser considerados impuros ou profanos. Sansão (Jz 13:5) e Samuel (1Sm 1:11) são exemplos de nazireus consagrados desde o nascimento. Outros, como Paulo (At 18:18), fizeram o voto por um período determinado.

Ao final do nazireado, o indivíduo oferecia sacrifícios no tabernáculo ou no templo, raspava a cabeça e queimava o cabelo no altar (Nm 6:13-20). O nazireado simbolizava uma consagração total a Deus, uma entrega completa à vontade divina.

Nazireus mencionados na Bíblia:

  • Sansão: Juízes 13:5 deixa claro que ele foi consagrado nazireu desde o ventre materno.
  • Samuel: 1 Samuel 1:11 descreve o voto de Ana, sua mãe, dedicando-o como nazireu.
  • João Batista: Lucas 1:15 indica que ele seria nazireu desde o nascimento.
  • Paulo: Atos 18:18 e 21:23-26 relatam que Paulo cumpriu votos de nazireado, embora não esteja claro se ele próprio era nazireu ou se apenas participou de um ritual de purificação.

Possíveis nazireus :

  • José: Alguns estudiosos sugerem que José, filho de Jacó, pode ter sido nazireu, baseando-se em sua aparência física (cabelo comprido) e em sua resistência à tentação.
  • Elias: A tradição judaica associa Elias ao nazireado, embora não haja menção explícita na Bíblia.
  • Jeremias: Alguns comentadores especulam que Jeremias pode ter sido nazireu, com base em sua dedicação a Deus e em certas passagens de seu livro.
  • Absalão: Josefo afirma que Absalão era nazireu, o que explicaria seu cabelo comprido e o fato de tê-lo cortado após certo tempo (2Sm 14:26).

Voto

Um voto denota um compromisso solene feito a uma entidade divina, muitas vezes acompanhado de um compromisso ou sacrifício. Ao longo da história e em várias tradições religiosas, os votos tiveram uma importância significativa, servindo como expressões de devoção, gratidão ou pedidos de intervenção divina.

Os votos abrangem um espectro de compromissos, que vão desde compromissos de abstenção de certas ações, como visto no voto nazireu (Números 6), até promessas de ofertas ou sacrifícios para expressar devoção ou petição por assistência.

O verbo נָדַר (nadar, “votar”) significa o ato de prometer solenemente uma ação ou sacrifício ao Senhor. Da mesma forma, o substantivo נֶדֶר (neder, “voto”) denota a oferta prometida a Deus, muitas vezes na forma de sacrifícios ou ofertas voluntárias, especialmente durante momentos de coação ou súplica.

Um dos primeiros votos registrados é atribuído a Jacó (Gênesis 28:20-22), quando se compromete a oferecer um décimo de seus ganhos a Deus em troca de proteção. O Antigo Testamento descreve regulamentos que regem os votos (Malaquias 1:14) e descreve os pagamentos necessários para validá-los (Levítico 27:8). Várias figuras bíblicas, como Jefté (Juízes 11:30), Ana (1 Samuel 1:11) e Absalão (2 Samuel 15:7–8), fizeram votos de buscar o favor divino ou cumprir obrigações pessoais.

No Novo Testamento, Atos documenta a adesão do apóstolo Paulo a um voto. Na ocasião, corta o cabelo como um ato de cumprimento (Atos 18:18). No entanto, a natureza específica e o propósito deste voto permanecem não revelados.