Morte

A morte, enquanto evento universal e inevitável, tem sido objeto de reflexão e especulação em todas as culturas e épocas. No antigo Oriente Próximo, a morte era geralmente vista como uma transição para outra forma de existência, e não como um fim absoluto.

Morte no Antigo Oriente Próximo:

As culturas do antigo Oriente Próximo, como a Mesopotâmia, o Egito, a Pérsia e Canaã, compartilhavam a crença na continuidade da existência após a morte, embora com variações em seus detalhes e interpretações.

Na Mesopotâmia, a morte era vista como parte intrínseca da natureza humana, um destino inevitável decretado pelos deuses. O reino dos mortos, inicialmente associado às montanhas, passou a ser concebido como um submundo sombrio e lúgubre, onde os mortos levavam uma existência fantasmagórica. A mitologia mesopotâmica também atribuía grande importância à morte, com deuses sendo mortos e ressuscitados em seus mitos.

No Egito, a crença na vida após a morte era central para a cultura e religião. Os egípcios desenvolveram elaboradas práticas funerárias para garantir a passagem do morto para o além-vida, onde se acreditava que eles continuariam a viver e realizar atividades cotidianas. A crença em julgamento após a morte e a possibilidade de punição ou recompensa também eram comuns.

Na Pérsia, a religião zoroastriana apresentava um sistema complexo de julgamento e destino após a morte, com recompensas para os justos e punições para os ímpios. A influência do zoroastrismo na cultura persa e em outras religiões do Oriente Médio é significativa.

Em Canaã, a morte era associada ao deus Mot, e o submundo era concebido como uma cidade localizada nas profundezas da terra. A mitologia cananeia incluía o ciclo de morte e ressurreição de Baal, representando a mudança das estações e a renovação da vida.

Morte no Antigo Testamento:

A compreensão da morte em Israel antigo compartilhava elementos com as culturas vizinhas, mas também apresentava aspectos distintivos. A narrativa de Gênesis 2-3 sugere que a morte entrou no mundo como consequência do pecado de Adão e Eva, embora haja diferentes interpretações sobre a natureza e a extensão dessa consequência.

O Antigo Testamento oferece informações limitadas sobre a existência após a morte, mas a maioria dos textos descreve a morte como uma existência sombria e inativa no Sheol, o reino dos mortos. No entanto, há também referências à esperança na ressurreição e na vida após a morte, especialmente em textos poéticos e proféticos.

As práticas funerárias em Israel eram relativamente simples, sem rituais religiosos elaborados. O enterro era a forma mais comum de lidar com os mortos, e a cremação era rara. A não sepultura era considerada uma desgraça e um sinal de grande desonra.

O termo hebraico “Sheol” (שְׁאוֹל) se refere ao reino dos mortos, um lugar obscuro e silencioso onde os mortos residem em um estado de inatividade. Embora o Sheol seja frequentemente traduzido como “túmulo” ou “cova”, ele representa um conceito mais amplo, equivalente ao Hades na mitologia grega. A descrição do Sheol no Antigo Testamento é geralmente negativa, sem distinção clara entre justos e ímpios.

No período posterior do Antigo Testamento, há evidências de uma crescente diversidade de crenças sobre a morte e a vida após a morte. Textos como Eclesiastes expressam ceticismo sobre a continuidade da existência após a morte, enquanto outros, como Daniel 12, apontam para a esperança na ressurreição.

Período Intertestamentário e o Novo Testamento

O período intertestamentário testemunhou uma crescente influência do pensamento grego sobre as crenças judaicas sobre a morte e a vida após a morte. A ressurreição dos mortos se tornou um tema central na teologia judaica, especialmente entre os fariseus. Os saduceus, por outro lado, negavam a ressurreição e qualquer forma de vida após a morte.

No Novo Testamento, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo são o ponto central da mensagem cristã. A morte de Jesus é vista como um sacrifício expiatório pelos pecados da humanidade, e Sua ressurreição é a garantia da ressurreição de todos os crentes. O Novo Testamento afirma a ressurreição dos mortos e o julgamento final, mas oferece poucas informações sobre o estado intermediário entre a morte e a ressurreição.

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Autor: Círculo de Cultura Bíblica

Leonardo Marcondes Alves é um pesquisador multidisciplinar, PhD pela VID Specialized University (Noruega). Especialista em ciências da religião, antropologia, migração, direito e ciências bíblicas, integra a equipe editorial da EDUFU (Editora da Universidade Federal de Uberlândia, Brasil). Biblista e investigador há muito tempo sobre a Congregação Cristã no Brasil, o movimento pentecostal italiano e grupos correlatos. Mantém os sites https://ensaiosenotas.com/ (humanidades e ciências sociais) e https://circulodeculturabiblica.org/ (ciências bíblicas, CCB) para a divulgação científica.

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