Filisteus

Os filisteus são parte dos povos do mar que migraram da bacia do Egeu e outras áreas para a costa sul de Canaã no início do século XII a.C e se tornaram um dos principais rivais dos israelitas durante a Idade do Ferro.

Restaram poucas inscrições da Filistia. O que sabemos sobre os filisteus deriva de fontes assírias e babilônicas e de narrativas bíblicas, bem como de registros arqueológicos. De sua literatura nada restou e de sua língua somente alguns nomes próprios.

Os filisteus são contados entre as nações que o Senhor deixou em Canaã para testar Israel (Js 13:2-3, Jz 3:1-3).

Filistia, o território controlado pelos filisteus, era uma fértil planície costeira do sudeste do Mar Mediterrâneo. Seus limites se estende do “Rio do Egito” até Ecrom. Consistia em cinco cidades ou Pentápolis: Asdode, Asquelom, Gaza, Ecrom e Gate. O território atual compreende a área entre a moderna Tel Aviv e a Faixa de Gaza.

Não se sabe qual era a organização política dos filisteus. Suas cidades poderiam ter sido independentes ou talvez possuíssem uma organização política maior.

Detentores da tecnologia do ferro, a potência militar dos filisteus aparecem no ciclo de Sansão (Jz 13-16) e pela guerra em que a Arca foi capturada (1Sm 4-6; Sl 78: 56-66; Jr 7:12-14). O estabelecimento da monarquia com um exército permitiu Saul de alcançar algumas vitórias contra os filisteus (1Sm 13-14), incluindo a luta de Davi contra o gigante Golias (1Sm 17:41-54). Todavia, Davi refugiou-se com o rei filisteu de Gate, Aquis, e tornou-se um de seus vassalos (1Sm 21:1-28:2). A morte de Saul fez com que Davi rompesse sua aliança com os filisteus e lutasse contra eles (2Sm 1:1-2:11; 2Sm 5:17-25; 2Sam 8:1). Embora os filisteus continuassem a resistir à expansão de Israel (2Sm 21: 15-22; 2Sm 23:8-39), já não eram mais uma grande ameaça. O último rei israelita que teve contato com os filisteus foi Ezequias (reinado entre (c.729 e 687 a.C.) em campanhas bem-sucedidas contra eles (2Rs 18:8).

Após a destruição de Gate pelo rei arameu Hazael por volta de 830 a.C., as outras quatro cidades continuaram a prosperar. Contudo, a destruição de Gate permitiu que o reino de Judá começasse a se expandir nessa direção. Durante o período neo-assírio (meados do século VIII a meados do século VII a.C.), a Filistia prosperou. Asquelom tornou-se um porto importante e Ecrom tornou-se o maior produtor de azeite do Mediterrâneo oriental.

Na conquista da Filistia pela Babilônia por volta de 604 a.C. todas as cidades restantes foram destruídas e seus habitantes exilados. Terminou, assim, a existência dos filisteus como cultura distinta.

Os filisteus não são aparentados da população cananeia nativa desta região. Por muito tempo se pensou que vieram algum local ainda não identificado no Egeu, Caftor, tendo migrado em massa e repovoado ao longo da planície costeira do sul de Canaã. Dados arqueológicos revelam uma história mais complexa.

A cultura material dos primeiros filisteus indica que as origens dos filisteus são diversas, de várias áreas do Egeu, Chipre, sul da Anatólia e até mesmo dos Bálcãs. As evidências arqueológicas mostram que a população e a cultura cananeia local coexistiram com os filisteus, sendo eventualmente assimilados.

A cerâmica filisteia é distinta e serve para mapear a mudança da cultura material dos filisteus. A cerâmica do início da Idade do Ferro incluem modelos micênicos feita localmente. Mais tarde na Idade do Ferro a cerâmica filisteia também muda, desenvolvendo seus próprios estilos. O último estágio (utensílios de Asdode), durante a Idade do Ferro IIA, combina formas e decorações filisteias e fenícias.

A alimentação dos filisteus distingue-os de outras culturas cananeias. A maioria, mas não todos, dos sítios arqueológicos filisteus indicam uma preferência por carne de porco e cachorro. A cinofagia (consumo de cachorros) parece ter tido também uma função ritual. Os utensílios de cozinha (jarras) e instalações (lareiras) também são diferentes.

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