Hans Denck

Johannes (Hans) Denck (ca. 1500-1527) humanista e teólogo anabatista.

Denck era um jovem estudioso humanista oriundo de Habach, Bavária. Em 1517 matriculou-se na Universidade de Ingolstadt, da qual recebeu o grau de Bacharel em Artes. Mundou-se para Basileia, onde continou a estudar na universidade da cidade. Versado em latim, grego e hebraico, erudito, escreveu várias obras teológicas consolidando o pensamento anabatista. Aderiu ao anabatismo em 1525, mas morreu de peste em Basileia dois anos após sua conversão.

Denck participou da rede de anabatistas da Suíça e do sul da Alemanha, junto de Balthasar Hubmaier e Hans Hut. Integrou a reunião de 1527 em Augsburg que ficou conhecida como o “Sínodo dos Mártires”.

TEOLOGIA

Um tema central de sua reflexão é como Deus, que é imutável e eterno, se revela em seu mundo criado, que é transitório e temporal.

A fonte da revelação é Cristo, o qual é a Palavra de Deus. As Escrituras são testemunhas da manisfestação da Palavra de Deus. Entretanto, a salvação não está vinculada às Escrituras. O Espírito conduz os crentes à unidade, enquanto a Letra (leitura formalista ou legalista sem o Espírito) tende a criar desacordo e divisão. Desenvolveu um teologia do Logos na qual a Palavra de Deus opera em dois níveis, como uma Palavra interna e uma Palavra externa. A Palavra interior é a Verdade última, pois é Amor, como Deus é Amor e essa Palavra encarnou em Cristo Jesus. As Escrituras seriam a Palavra externa, suprema a qualquer tesouro humano.

Denck foi um dos pioneiros no restauracionismo. Argumentava que a corrupção da Igreja começou após a morte dos apóstolos. Nessa época teria tido um desvio, com o foco novamente nas coisas externas e na autoridade humana, em vez da liderança espiritual dos crentes e da Igreja de Cristo.

Em sua soteriologia, Denck transferiu o sacramentalismo (reencenação do sacrifício de Cristo nos sacramentos) para a transformação interior. O sacrifício histórico de Cristo na carne não seria suficiente para a salvação. Também seria necessário uma crucificação e ressurreição interior dentro do indivíduo através do poder ativo do Espírito de Cristo. Desse modo, o batismo exterior com água não é necessário porque o sacramento é principalmente um batismo espiritual interior pelo Espírito Santo. Portanto, as águas batismais não possuíam caráter regenerador. Igualmente, a Santa Ceia do Senhor externa não seria necessária, pois o sacramento é principalmente uma alimentação interior e espiritual do corpo espiritual de Cristo, que é o “pão da vida”.

Como os anabatistas atuais, Denck compartilhou o compromisso com a não violência, a tolerância religiosa e a liberdade de consciência. Rejeitava os juramentos e a doutrina da predestinação.

“Como o amor n’Ele era perfeito e como o amor não odeia ou inveja ninguém, mas inclui a todos, ainda que todos fôssemos seus inimigos, certamente Ele não desejaria excluir ninguém. E se Ele tivesse excluído alguém, então o amor teria sido vesgo e um discriminador de pessoas. E isso, [Deus] não é!”

Denck. Se Deus é a causa do mal

BIBLIOGRAFIA

Denck, Hans; Bauman, Clarence. The Spiritual Legacy of Hans Denck : Interpretation and Translation of Key Texts. Leiden: Brill, 1991.

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