Concordância de Cruden

Alexander Cruden (1701-1770), auto-alcunhado de “Alexandre, o Corretor”, era um livreiro escocês baseado em Londres. Cruden produziu sua Complete Concordance to the Holy Scriptures of the Old and New Testament, uma concordância exaustiva da Bíblia King James.

Nascido em Aberdeen, entrou no Marischal College nessa cidade com intenções de vir a ser ministro, mas sua saúde mental e um amor frustrado o impediu. Apesar de excelente domínio do inglês, latim, grego e hebraico, perdeu um emprego como secretário de um nome por sua pronúncia imperfeita do francês. Abriu sua livraria em Londres e foi credenciado como um dos livreiros fornecedores da rainha.

Sua concordância colossal, com 3 colunas, 854 páginas, 250 mil citações, permitiu indexar sistematicamente o texto bíblico. Além de listar as palavras e suas referências, colocava cada palavra em um breve contexto. Foi um raro exemplo de formação de corpus textual meticuloso feito por uma só pessoa antes da era eletrônica. Concordâncias anteriores eram parciais e assistemáticas. Para a compilação Cruden trabalhou sozinho das 7 à 1 da manhã todos os dias e completou a maior parte da obra em menos de um ano.

Teve onze edições até 1848, além das obras derivativas, corrigindo eventuais erros. Foi amplamente utilizada até a publicação da Concordância Strong, que acabou substituindo-a. No entanto, edições derivativas ainda são publicadas.

O impacto exegético foi enorme. A separação das passagens com nomes de Deus com base no hebraico (“El” e “Jeovah”) influenciou o desenvolvimento da hipótese documental. Também foi a concordância utilizada por William Miller em suas leituras apocalípticas. Seu método foi aproveitado por lexicógrafos posteriores, como Samuel Johnson, além de ser um marco na linguística de corpus.

Cruden também foi editor, revisor e moralista. Acreditava que era sua missão vigiar a ortografia e gramática para garantir a moral nacional. Carregava uma esponja para corrigir ou apagar placas. Tinha desgosto pelo número 45, o qual também apagava, por ser associado ao escritor e político John Wilkins.

Como revisor, trabalhou em uma edição dos Comentários de Matthew Henry. Em 1750 produziu um pequeno Compêndio da Bíblia Sagrada, resumindo cada capítulo.

O custo exorbitante de sua Concordância e por ter deixado de lado sua loja para esse projeto deixou-o em dificuldades financeiras e em melancolia. Eventualmente, sua obra esgotou e Cruden viu uma segunda edição sair em 1761 e uma terceira em 1769.

BIBLIOGRAFIA

Cruden. Complete Concordance

Keay, Julia. Alexander the corrector: the tormented genius who unwrote the Bible. Harper Perennial, 2005.

Olivier, Edith. Alexander the Corrector: The Eccentric Life of Alexander Cruden. New York: The Viking Press, 1934.

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