Acaz

Acaz, em hebraico אחז (‘chz), uma forma abreviada de יהואחז (yhw’chz), significa “ele [Yahweh] sustentou”, é nome de dois personagens bíblicos.

  1. Acaz (735 a.C.–715 a.C.) o 12º rei de Judá, sucedendo seu pai, Jotão. Seu reinado é descrito principalmente nos livros de 2 Reis 16 e 2 Crônicas 28, além de passagens do livro de Isaías. Acaz governou Judá em um período de intensas pressões políticas e militares provenientes de potências regionais, notavelmente o Império Neo-Assírio. Sua administração é frequentemente avaliada de maneira negativa nos textos bíblicos, devido às suas práticas religiosas e decisões políticas.

A ascensão de Acaz ocorreu em um momento de crise política e militar para Judá, marcada pela chamada Crise Siro-Efraimita. Esta crise envolveu uma coalizão entre Rezim, rei de Damasco, e Peca, rei de Israel, que buscavam forçar Judá a se unir contra a expansão assíria. Frente às ameaças dessa coalizão, Acaz rejeitou os conselhos do profeta Isaías, que recomendava confiar na proteção divina. Em vez disso, ele recorreu à ajuda do rei assírio Tiglate-Pileser III, a quem ofereceu tributos retirados do templo, do palácio e das riquezas da nobreza de Judá.

Acaz introduziu práticas religiosas diversas em Judá. Alterou o templo em Jerusalém, possivelmente sob influência de costumes religiosos assírios. Durante uma visita a Damasco para reafirmar sua lealdade ao Império Assírio, Acaz ordenou a construção de um altar em Jerusalém baseado em um modelo damasceno. Estas ações resultaram no fechamento do templo e na proliferação de altares dedicados a deuses estrangeiros em Jerusalém e em outras partes de Judá.

Os textos proféticos de Isaías fornecem uma análise crítica do reinado de Acaz, contrapondo-o ao de seu filho, Ezequias. Isaías adverte contra alianças políticas e militares em detrimento da confiança em Deus e denuncia o estado moral e religioso de Judá sob o governo de Acaz. O profeta apresenta a promessa de um sinal divino, a figura de Emanuel, como garantia de proteção contra os inimigos, mas Acaz rejeita tal apoio.

O reinado de Acaz é considerado um período de declínio espiritual e político em Judá. Sua aliança com a Assíria resultou na subordinação de Judá como estado vassalo. O impacto de suas políticas e práticas religiosas foi sentido mesmo após sua morte, sendo revertido parcialmente por Ezequias, que promoveu reformas religiosas e buscou restabelecer a centralidade do culto a Yahweh.

Extrabíblicamente, o nome de Acaz foi encontrado em um selo de argila (bulla), que autentica documentos e identifica Acaz como “filho de Jotão, rei de Judá”. Ele é mencionado em inscrições assírias que registram o tributo pago a Tiglate-Pileser III.

Acaz é avaliado na narrativa bíblica segundo dois critérios: sua fidelidade à aliança mosaica e seu cumprimento da aliança davídica. Em ambos os aspectos, ele é retratado como um governante que falhou em manter a justiça e a fidelidade religiosa esperada de um rei de Judá. Seu reinado é contrastado com o de Ezequias, que trouxe renovação religiosa e resistiu às pressões assírias, simbolizando a possibilidade de restauração espiritual e política sob a liderança adequada.

2. Acaz, filho de Micá (data desconhecida), é mencionado na tradição bíblica como bisneto de Saul e descendente da tribo de Benjamim. Sua genealogia é registrada nos textos de 1 Crônicas 8:35–36 e 9:42, onde é identificado como parte de uma linha familiar que remonta a Saul, o primeiro rei de Israel.

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Autor: Círculo de Cultura Bíblica

Leonardo Marcondes Alves é um pesquisador multidisciplinar, PhD pela VID Specialized University (Noruega). Especialista em ciências da religião, antropologia, migração, direito e ciências bíblicas, integra a equipe editorial da EDUFU (Editora da Universidade Federal de Uberlândia, Brasil). Biblista e investigador há muito tempo sobre a Congregação Cristã no Brasil, o movimento pentecostal italiano e grupos correlatos. Mantém os sites https://ensaiosenotas.com/ (humanidades e ciências sociais) e https://circulodeculturabiblica.org/ (ciências bíblicas, CCB) para a divulgação científica.

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