A Reforma Radical foi um movimento multifacetado surgido no contexto da Reforma Protestante do século XVI. Seus participantes buscaram uma transformação mais profunda da igreja e da sociedade, destacando a experiência pessoal com Deus, a fé voluntária e a separação entre igreja e estado. Diferentemente das principais correntes reformistas, como o luteranismo e o calvinismo, os reformadores radicais rejeitaram alianças com o poder político, promovendo uma fé centrada na comunidade e no discipulado.
O termo “Reforma Radical” foi cunhado por George Huntston Williams, cujo trabalho seminal sobre o tema destaca a diversidade e complexidade do movimento. Outros historiadores, como Harold S. Bender, enfatizaram a teologia e o foco na vida em comunidade dos anabatistas. James M. Stayer investigou o contexto social e econômico do movimento, ligando-o a revoltas camponesas. Werner O. Packull destacou o papel do espiritualismo e Hans-Jürgen Goertz estudou o desenvolvimento teológico do anabatismo. Rufus Jones forneceu uma visão abrangente das diversas correntes radicais, incluindo grupos como os quakers.
Os reformadores radicais defendiam o batismo de crentes, rejeitando o batismo infantil e insistindo que a decisão de seguir a Cristo deveria ser consciente e voluntária. Eles pregavam a separação entre igreja e estado, considerando a igreja como uma comunidade de fiéis distinta do poder coercitivo estatal. O discipulado ativo era central, envolvendo pacifismo, vida comunitária e um compromisso ético rigoroso. A interpretação literal da Bíblia, especialmente com foco no Novo Testamento, guiava suas práticas. Além disso, muitos grupos enfatizavam a experiência direta de Deus, o que frequentemente resultava em expressões místicas ou proféticas.
A diversidade foi uma marca da Reforma Radical. Enquanto alguns grupos eram pacifistas, outros se engajaram em revoltas armadas. Alguns praticavam vida comunitária, enquanto outros valorizavam a piedade individual. Essa pluralidade reflete a amplitude de crenças e práticas dentro do movimento, que, apesar das diferenças internas, compartilhou o objetivo comum de buscar uma fé mais autêntica e desvinculada das instituições religiosas tradicionais
