Gabriel Ascherham

Gabriel Ascherham (Kürschner) (morto em 1545) foi líder de um dos primeiros grupos anabatistas na Morávia e Silésia, os chamados gabrielitas.

Gabriel nasceu em Nürnberg, Baviera, e trabalhou em Schärding (Áustria), onde possivelmente envolveu-se com os anabatistas.

Defensor de uma vertente espiritual dos anabatistas, seus ensinos constrastam com o hutteritas, denominação cujos membros viviam na mesma região que os gabrielitas. Defensor da revelação direta do Espírito Santo, seus ensinos foram resumidos na seguinte forma:
(1) ninguém tem o direito de batizar e estabelecer ordenanças da igreja (regulamentos), a menos que esteja na igreja cristã;

(2) ninguém está na igreja cristã a menos que tenha o Espírito Santo;

(3) nem a fé nem o Espírito podem ser obtidos das Escrituras;

(4) nem é a fé o fundamento e a origem de nossa salvação.


Só quem tem o Espírito Santo pode distinguir entre o bem e o mal, e não quem tem apenas a letra da Bíblia. Aqueles que pregam sem o Espírito logo se tornam “literalistas”, e isso leva ao erro e à falsa aparência. O Reino de Deus é apenas interior. A organização externa e os regulamentos (ou ordenanças) não têm valor algum para a salvação.

“Todo batismo que ocorre fora do Espírito Santo não beneficia a ninguém. Como o batismo não pode trazer o Espírito Santo, ninguém na igreja cristã pode ser melhorado ou pior por ele (wird gebessert oder gebösert). Portanto, não é certo condenar alguém por causa do batismo. Como o batismo não pode produzir homens piedosos, as pessoas não devem ser obrigadas a se submeter a ele, a menos que tenham entendimento [divino]. O batismo não é uma lei, mas pressupõe liberdade, como todas as ordenanças cristãs (Ordnungen). Como a razão tem tal liberdade, seria muito melhor deixar que as criancinhas, que não podem nem falar, cheguem a essa liberdade. Como são batizadas, não têm nada encontrado nem perdido… mas se alguém me perguntar se o batismo infantil é pecado, a ele eu respondo que não. Mas para evitar desordem e superstição, é bom omitir o batismo infantil, já que tanto abuso surgiu dele.” “Onde há o Espírito Santo, há também o batismo, a lembrança de Cristo [Ceia do Senhor] e uma vida santa. Os irmãos autointitulados, no entanto, dizem: ‘Esta é a nossa ordem, insistimos nisso mesmo que seja machucar alguém.’ Isso eles chamam de zelo e testemunho cristão. Mas o Espírito Santo não precisa de tais provas externas”. “Não é possível morrer por causa do batismo, pois isso significa perder a graça de Deus em Cristo Jesus, por quem todos os homens são salvos pela morte de Cristo e não por sua própria morte.”

Com relação à Ceia do Senhor, Gabriel não aderia à corrente simbólica predominante entre os grupos anabatistas. Sua perspectiva era sacramental, semelhante a qual Calvino ensinou. Em uma celebração digna o crente realmente participa do corpo e sangue de Cristo de maneira espiritual.

BIBLIOGRAFIA

Friedmann, Robert. “Ascherham, Gabriel (d. 1545).” Global Anabaptist Mennonite Encyclopedia Online. 1953. Web. 1 Sep 2022. https://gameo.org/index.php?title=Ascherham,_Gabriel_(d._1545)&oldid=122341.

Killian Aurbacher

Killian Aurbacher (?-1534?), foi um dos primeiros líderes anabatistas em Austerlitz, Morávia.

Aurbacher argumentava que seguir a Jesus Cristo era questão de fé. Ser cristão seria uma questão de livre vontade, não uma imposição forçada. Tolerante, em uma carta a Martim Bucer em 1534 escreveu:

Nunca é certo obrigar alguém em questões de fé, seja o que for que ele acredite, seja ele judeu ou turco [muçulmano].

Mesmo que se alguém não creia de forma correta ou queira crer assim, isto é, se ele não possui ou não queira ter o correto entendimento da salvação e não confie em Deus ou se submeta a Ele, mas confia na criatura e ame-a, ele portará sua própria culpa e ninguém o apoiará no juízo.

E assim nos conduzimos de acordo com o exemplo de Cristo e dos apóstolos e proclamamos o evangelho segundo a graça que Ele nos confiou. Não obrigamos ninguém.

Mas quem está disposto e pronto, deixe segui-Lo, como Lucas nos mostra em Atos. Que isso então também é uma verdade aberta, que o povo de Cristo é constituído de pessoas livres, não forçadas e não compelidas, que recebem a Cristo com desejo e coração disposto. Acerca disso as Escrituras testificam.

Aurbacher, Hulshof, 247.

BIBLIOGRAFIA

Bender, Harold S. “The Anabaptists and Religious Liberty in the 16th century.” Archiv für Reformationsgeschichte 44.jg (1953): 32-51.

Hillerbrand, Hans J. Die politische Ethik der oberdeutschen Täufer. Ein Beitrag zur Religions- und Geistesgeschichte des Reformationszeitalters. Köln 1963. A famosa citação de Aubarcher aparece na página 22.