Tomás à Kempis

Tomás à Kempis ou Tomás de Kempis (c. 1380 –1471) foi um monge, sacerdote e escritor espiritual germano-holandês, autor do clássico A Imitação de Cristo.

Nascido em Kempen, perto de Colônia, na Alemanha, seu nome original era Thomas Hemerken. Recebeu sua educação inicial em uma escola dirigida pelos Irmãos da Vida Comum em Deventer, onde foi influenciado pela piedade e devoção desse movimento.

Em 1399, ingressou no convento agostiniano de Monte Santo Agostinho, perto de Zwolle, onde seu irmão mais velho era prior. Tomás fez seus votos monásticos em 1406 e foi ordenado sacerdote em 1413. Passou a maior parte de sua vida nesse mosteiro, dedicado à oração, ao estudo e à cópia de manuscritos. Embora tenha ocupado posições de autoridade, como a de subprior, ele preferia uma vida contemplativa e frequentemente evitava responsabilidades administrativas.

Sua obra mais famosa, A Imitação de Cristo, escrita entre 1418 e 1427, é um guia para cristãos que desejam aprofundar sua relação com Deus por meio da humildade e devoção. O livro destaca a importância de seguir o exemplo de Cristo e tornou-se uma das obras mais traduzidas da literatura cristã.

Ele faleceu no mesmo mosteiro onde viveu a maior parte de sua vida.

Pelagianismo

O pelagianismo é um conjunto de ideias, tidas como heréticas, atribuídas a Pelágio e seus seguidores.

As caracterizações do pelagianismo vêm dos escritos de Agostinho e das condenações dos concílios de Cartago.

O concílio de Cartago de 416 d.C. condenou as doutrinas de Celéstio, um seguidor de Pelágio. Segundo a condenação, Celéstio sustentava que o pecado de Adão não teve impacto sobre a humanidade e que os seres humanos poderiam viver sem pecado sem a ajuda divina. Esse concílio representou uma rejeição inicial das ideias sobre o pecado original e a graça.

O concílio de Cartago de 418 d.C. foi mais categórico em sua condenação, estabelecendo vários cânones que rejeitavam explicitamente as doutrinas atribuídas. O Cânon 1 negou que Adão tenha sido criado mortal independentemente do pecado, afirmando que a morte entrou no mundo por meio do pecado. O Cânon 2 declarou que os recém-nascidos precisam do batismo para a remissão dos pecados devido ao pecado original herdado. O Cânon 4 condenou a ideia de que a graça justificadora se limita ao perdão de pecados passados, destacando a necessidade da graça para a realização de qualquer boa ação. O concílio afirmou que a salvação depende inteiramente da graça de Deus e que os seres humanos não podem alcançar a justiça por seus próprios esforços, como se tal ideia foi doutrina de Pelágio.

Posteriormente, o papa Zósimo, que inicialmente hesitou, acabou por apoiar as decisões tomadas em Cartago após a pressão dos bispos africanos. Emitiu uma encíclica condenando Pelágio e Celéstio.

Bonner argumenta que o “pelagianismo” foi uma construção artificial, um conjunto de ideias atribuídas a Pelágio sem correspondência em seus escritos. Seus ensinamentos se alinhavam à tradição ascética preexistente, que defendia a capacidade humana para a virtude e o livre-arbítrio efetivo, como visto em autores como Atanásio (Vida de Antônio), Jerônimo e Teodoreto de Ciro.

BIBLIOGRAFIA

Beck, John H. “The Pelagian Controversy: An Economic Analysis.” American Journal of Economics and Sociology 66, no. 4 (2007): 681–96. [invalid URL removed].

Bonner, Ali. The Myth of Pelagianism. Oxford, UK: Oxford University Press, 2018.

Ferguson, John. Pelagius: A Historical and Theological Study. Cambridge: W. Heffer & Sons, 1956.

Scheck, Thomas P. “Pelagius’s Interpretation of Romans.” In A Companion to St. Paul in the Middle Ages, edited by Steven Cartwright, 79–114. Leiden: Brill, 2012.

H. Wheeler Robinson

Henry Wheeler Robinson (1872– 1945) foi um teólogo e acadêmico britânico.

Teve formação batista e passagem em várias universidades britânicas e na Europa continental. Em uma época quando Oxford mantinha prencoceitos com pessoas não anglicanas, Wheeler Robinson tornou-se docente e pesquisador do Antigo Testamento. Foi pioneiro em usar conhecimentos da sociologia e antropologia nos estudos bíblicos e teológicos. Propôs uma forma de antropologia teológica a respeito da constituição do ser humano de modo monista e integral, a personalidade corporativa.

William J. Abraham

William J. Abraham (1947–2021) foi um teólogo norte-irlandês, filósofo analítico e pastor metodista.

braham atuou nas áreas de filosofia da religião, epistemologia religiosa, renovação e evangelismo eclesial. Grande parte de sua trajetória acadêmica foi nos Estados Unidos, onde ocupou a cátedra Albert Cook Outler de Estudos Wesleyanos na Perkins School of Theology, da Southern Methodist University, de 1995 até sua aposentadoria em 2021. Também lecionou na Seattle Pacific University e foi professor visitante na Harvard Divinity School. Seu trabalho acadêmico abrangia teologia sistemática, teologia política e missiologia.

Ele publicou mais de vinte livros e escreveu mais de cem artigos e resenhas. Entre suas obras notáveis está Canon and Criterion in Christian Theology: From the Fathers to Feminism, reconhecida por sua relevância nos estudos teológicos. Abraham foi associado ao Movimento Confessional dentro da Igreja Metodista Unida e foi um defensor do teísmo canônico, uma abordagem que buscava renovar igrejas protestantes tradicionais a partir dos cânones da igreja ecumênica antiga.

Ele defendia a integração do rigor acadêmico com a prática ministerial, considerando que a formação teológica deveria promover também o desenvolvimento espiritual de futuros ministros. Sua atuação na igreja incluiu a criação de programas voltados para o mentoreamento de pastores, como a Comunidade Policarpo na Southern Methodist University. Ele via o evangelismo como algo inseparável de uma base teológica sólida.

Recebeu diversas honrarias ao longo de sua carreira, incluindo o prêmio Altshuler de Professor Distinto na SMU, pelo destaque no ensino.

Codex Cairensis

O Codex Cairensis, um manuscrito bíblico datado de 895 d.C., contém os livros dos Profetas e os Escritos da Bíblia Hebraica, oferecendo um testemunho valioso da tradição massorética. Escrito em pergaminho com tinta marrom escura em escrita quadrada hebraica, o códice apresenta um sistema de vocalização tiberiano que, embora similar, apresenta diferenças sutis em relação ao sistema encontrado no Codex de Leningrado.

Permaneceu por séculos na sinagoga caraíta em Fustat, no Cairo Antigo, antes de ser transferido para a comunidade caraíta no Cairo no século XI. Em 1896, foi adquirido pela Biblioteca Nacional do Cairo, onde permanece até hoje.

A importância do Codex Cairensis reside em sua antiguidade e na preservação de um sistema de vocalização que pode refletir uma tradição anterior àquela representada pelo Codex de Leningrado e pelo Codex de Aleppo e o Codex de Leningrado. O Codex Cairensis possui nuances da tradição massorética e as variações na vocalização e acentuação do texto bíblico. Essa análise contribui para a reconstrução da história do texto hebraico e para a compreensão das diferentes escolas massoréticas que contribuíram para sua transmissão.