Coraítas

Os coraítas eram os membros da família descendente de Corá, que era filho de Izar, um dos filhos de Coate e, portanto, um levita (Êxodo 6:18, 21; Números 16:1; 1 Crônicas 6:22). Corá é mais conhecido por liderar uma significativa rebelião contra a autoridade de Moisés e Arão no deserto, um evento narrado em detalhes no livro de Números, capítulo 16. Nessa rebelião, Corá e outros líderes das tribos de Rúben e Gade questionaram o sacerdócio exclusivo de Arão e a liderança de Moisés, resultando em um julgamento divino severo.

No entanto, a linhagem de Corá não foi completamente extinta. A Bíblia registra que os filhos de Corá não morreram na punição infligida a seu pai (Números 26:10-11). Posteriormente, os coraítas desempenharam funções importantes no serviço do Tabernáculo e, mais tarde, do Templo em Jerusalém. Eles eram conhecidos por suas habilidades musicais e eram designados como porteiros e cantores (1 Crônicas 6:31-38; 9:19; 2 Crônicas 20:19).

Diversos Salmos são atribuídos aos “filhos de Corá” (por exemplo, Salmos 42, 44-49, 84, 85, 87, 88), indicando uma tradição poética e litúrgica dentro dessa família levítica. Esses Salmos frequentemente expressam temas de anseio por Deus, confiança em meio à dificuldade e a glória do santuário. A sobrevivência e a subsequente proeminência dos coraítas demonstram a complexidade das narrativas bíblicas sobre pecado, julgamento e a continuidade da graça divina através das gerações.

Coatitas

Os coatitas eram os descendentes de Coate, o segundo filho de Levi (Gênesis 46:11; Êxodo 6:16; Números 3:17; 1 Crônicas 6:1). Coate teve quatro filhos: Anrão, Izar, Hebrom e Uziel, que deram origem às quatro principais famílias coatitas (Números 3:19; 1 Crônicas 23:12).

Dentro da tribo de Levi, os coatitas tinham responsabilidades específicas e importantes relacionadas ao serviço do Tabernáculo e, posteriormente, do Templo. Eles eram encarregados do transporte e cuidado dos objetos mais sagrados, incluindo a Arca da Aliança, a mesa dos pães da proposição, o candelabro, o altar de ouro e outros utensílios sagrados (Números 4:4-15). Dada a santidade desses objetos, apenas os coatitas tinham permissão para carregá-los, e mesmo assim, sob a supervisão de Arão e seus filhos, e após terem sido devidamente cobertos (Números 4:17-20).

Moisés e Arão eram da família de Anrão, um dos filhos de Coate (Êxodo 6:18, 20). Corá, que liderou uma rebelião contra a liderança de Moisés e Arão, também era coatita, da família de Izar (Números 16:1). Nos tempos de Davi, alguns coatitas foram designados para funções musicais no Templo (1 Crônicas 6:31-38; 1 Crônicas 15:16-17) e outros para cuidar dos pães da proposição (1 Crônicas 9:32).

Quiteus

Os quiteus eram os descendentes de Quitim, o terceiro filho de Javã (Gênesis 10:4; 1 Crônicas 1:7). Javã é identificado como o ancestral dos povos gregos ou jônicos. Portanto, os quiteus eram um povo com origens ligadas às regiões costeiras e ilhas do Mediterrâneo oriental, especialmente Chipre.

O nome “Quitim” é frequentemente usado na Bíblia para se referir a Chipre ou, por extensão, a outras ilhas e regiões costeiras do Mediterrâneo. Em algumas passagens, pode também se referir a povos marítimos ou a navios em geral.

Há menções de Quitim em contextos proféticos que indicam seu poder naval e sua possível participação em eventos históricos e conflitos na região. Por exemplo, em Isaías 23:1, 12, Tiro é lamentada como tendo cruzado para Quitim. Jeremias 2:10 menciona as “ilhas de Quitim”. Em Ezequiel 27:6, pranchas de navios são feitas de ciprestes de Quitim. Daniel 11:30 fala de “navios de Quitim” que se oporiam ao rei do norte.

Os quitim aparecem nas óstracas de Arade, indicando a presença de mercenários gregos no sul de Judá pré-exílico.

Essas referências sugerem que os quiteus eram um povo marítimo com influência na região do Mediterrâneo, possivelmente envolvidos em comércio e poder naval. Sua origem como descendentes de Javã os conecta ao mundo grego e às culturas do Egeu.

Gibleus

Os gibleus eram um povo que habitava a região montanhosa da Palestina. O nome “Gibleu” está associado à cidade fenícia de Gebal, localizada na costa do Líbano, e seus habitantes eram chamados de gebalitas (Ezequiel 27:9; 1 Reis 5:18). A Septuaginta e a Vulgata frequentemente traduzem “gebaleu” como “gibleu”.

A menção dos gibleus em conexão com as montanhas da Palestina pode se referir a um grupo ou tribo com alguma ligação com a cidade de Gebal que se estabeleceu ou tinha influência nas áreas montanhosas ao sul, ou pode haver uma confusão ou variação na identificação desse povo em diferentes textos e traduções.

No contexto de Ezequiel 27:9, os “anciãos de Gebal e seus sábios” são mencionados como calafates que reparavam os navios de Tiro, indicando uma habilidade marítima e artesanal associada a essa cidade costeira. Já em 1 Reis 5:18 (5:32 na Septuaginta), os “homens de Gebal” são descritos como cortadores de pedras e construtores, trabalhando na preparação de madeira e pedras para a construção do templo de Salomão em Jerusalém, em aliança com Hirão, rei de Tiro.

Se os gibleus se referem a um povo montanhês da Palestina, sua identidade e relação específica com a Gebal costeira não são claramente detalhadas nas fontes bíblicas. É possível que houvesse migrações ou assentamentos de pessoas de Gebal no interior montanhoso, ou que “gibleu” tenha sido usado para descrever habitantes de regiões montanhosas em geral, talvez devido à semelhança com o terreno acidentado ao redor de Gebal. No entanto, a associação mais direta e clara do termo é com os habitantes da cidade fenícia de Gebal.

Gilonitas

Os gilonitas eram os habitantes da cidade de Gilo, identificada atualmente como Khirbet Jala, localizada aproximadamente 11 km ao norte do Monte Hebrom. A Bíblia menciona apenas um gilonita notável: Aitofel.

Aitofel era um conselheiro de grande sabedoria e confiança tanto para o rei Davi quanto, posteriormente, para Absalão durante sua rebelião. Sua opinião era tão respeitada que a Escritura dizia que o conselho de Aitofel era como se alguém consultasse a palavra de Deus (2 Samuel 16:23). Ele se juntou à conspiração de Absalão contra Davi e ofereceu estratégias para consolidar o poder de Absalão e derrotar Davi (2 Samuel 15:12; 16:20-23). No entanto, quando seu conselho foi rejeitado em favor do de Husai, Aitofel percebeu que a rebelião de Absalão estava fadada ao fracasso. Desonrado e desesperado, ele retornou à sua cidade, Gilo, pôs sua casa em ordem e se enforcou (2 Samuel 17:1-23).

A história de Aitofel destaca Gilo como sua cidade de origem e ilustra como indivíduos de cidades relativamente pequenas poderiam ascender a posições de grande influência. A traição de Aitofel a Davi e seu trágico fim são elementos importantes na narrativa da rebelião de Absalão.