José filho de Jacó e Raquel

José (em grego: Ἰωσήφ; em hebraico: יוֹסֵף), filho de Jacó e Raquel. Sua trajetória, narrada nos capítulos 37 a 50 de Gênesis, é rica em reviravoltas, tornando-a um dos ciclos narrativos mais conhecidos da Bíblia.

Desde a juventude, José se destacou por sua inteligência e capacidade de interpretar sonhos. A predileção de Jacó por ele desperta a inveja de seus irmãos, que o vendem como escravo para mercadores de caravanas. No Egito, José enfrenta diversas dificuldades, mas sua fé e perseverança o levam a posições de destaque.

Sua capacidade de interpretar sonhos o leva a ser reconhecido pelo faraó, que o nomeia governador do Egito. Durante um período de fome, José organiza o abastecimento de alimentos, salvando o Egito e as regiões vizinhas da miséria.

A história de José é marcada por encontros e reencontros. Seus irmãos, que o haviam vendido como escravo, vêm ao Egito em busca de alimentos e o encontram em sua posição de poder. José os perdoa, demonstrando sua fé e sua capacidade de superar as mágoas do passado.

Zafenate-Paneia 

Zafenate-Paneia (em grego: Ψονθομφανήχ; em hebraico: צָפְנַת פַּעְנֵחַ) é o nome egípcio dado a José, filho de Jacó, quando ele ascendeu a uma posição de destaque no Egito (Gênesis 41:45). Sua história, narrada no Livro de Gênesis, é rica em detalhes e reviravoltas, e seu novo nome faz parte da transformação que ele experimentou ao se tornar um dos homens mais poderosos do Egito.

O significado exato de Zafenate-Paneia é incerto e tem sido objeto de debate entre os estudiosos. Algumas interpretações sugerem que o nome significa “Deus fala e ele vive”, enquanto outras propõem traduções como “o revelador de segredos” ou “aquele que sustenta a terra”.

Odres

Odres (em grego: ἀσκοί; em hebraico: נֹאדִים) são recipientes feitos de pele de animal, utilizados para armazenar líquidos como água, vinho, azeite e leite. Sua presença é notável em diversas passagens bíblicas, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, ilustrando seu uso comum na vida cotidiana dos povos antigos.

No Antigo Testamento, os odres são mencionados em contextos variados, desde a história de Agar e Ismael no deserto (Gênesis 21:14-19) até a descrição dos suprimentos levados pelos israelitas em sua jornada pelo Egito (Êxodo 12:34). A imagem do odre também é utilizada metaforicamente, como em Jó 32:19, onde o profeta se compara a um odre cheio de vinho, pronto para romper.

No Novo Testamento, a parábola dos odres novos e velhos (Mateus 9:17, Marcos 2:22, Lucas 5:37-38) é uma das mais conhecidas. Jesus utiliza a imagem dos odres para ilustrar a necessidade de adaptar as tradições religiosas aos novos tempos, assim como o vinho novo requer odres novos para não se perder.

Órfão

Órfão (יָתוֹם, yatom, em hebraico; ὀρφανός, orphanós, em grego) é um termo que, na Bíblia, se refere principalmente a uma criança que perdeu o pai, embora em alguns contextos possa abranger a perda de ambos os pais. A condição de órfão era vista como particularmente vulnerável na sociedade antiga, e a Bíblia enfatiza repetidamente a necessidade de cuidar e proteger os órfãos.

No Antigo Testamento, a lei mosaica continha provisões específicas para o cuidado dos órfãos, juntamente com as viúvas e os estrangeiros, como grupos vulneráveis:

  • Deuteronômio 10:18: Deus é descrito como aquele que “faz justiça ao órfão (yatom) e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa”.
  • Deuteronômio 14:29; 16:11, 14; 24:17-22; 26:12-13: Essas passagens instruem os israelitas a incluir os órfãos (yatom) nas festas e a compartilhar com eles os dízimos e as colheitas. A negligência ou opressão dos órfãos era vista como uma grave ofensa a Deus.
  • Êxodo 22:22-24: “A nenhuma viúva nem órfão (yatom) afligireis. Se de alguma maneira os afligirdes, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor. E a minha ira se acenderá, e vos matarei à espada; e vossas mulheres ficarão viúvas, e vossos filhos órfãos 1 (yatom).” Esta passagem destaca a proteção especial que Deus oferece aos órfãos.  
  • Salmos: Muitos salmos clamam a Deus como “Pai dos órfãos” (Salmo 68:5) e defensor dos necessitados.
  • : Jó, ao defender sua integridade, enfatiza que nunca negligenciou as necessidades do órfão yatom (Jó 29:12, 31:17,21)

Os profetas também denunciam a injustiça contra os órfãos como uma das principais transgressões de Israel (Isaías 1:17, 23; Jeremias 7:6; 22:3; Ezequiel 22:7; Zacarias 7:10).

No Novo Testamento, o termo grego ὀρφανός (orphanós) aparece duas vezes:

  • Tiago 1:27: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos (orphanós) e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” Este versículo define o cuidado dos órfãos como um elemento essencial da verdadeira religião.
  • João 14:18: Jesus diz a seus discípulos: “Não vos deixarei órfãos (orphanós); voltarei para vós.” Aqui, o termo é usado metaforicamente, referindo-se ao sentimento de abandono que os discípulos poderiam experimentar após a partida de Jesus, mas ele promete sua presença contínua através do Espírito Santo.

Ismaelitas

Ismaelitas (יִשְׁמְעֵאלִים, Yishma’elim, em hebraico; Ἰσμαηλῖται, Ismaēlîtai, em grego) são, na Bíblia, os descendentes de Ismael, o primeiro filho de Abraão com sua concubina egípcia, Agar (Gênesis 16).

Os ismaelitas são mencionados em outras passagens bíblicas, geralmente em conexão com o comércio e a vida nômade:

  • Juízes 8:24: Os midianitas, derrotados por Gideão, são descritos usando brincos de ouro, “porque eram ismaelitas“. Isso sugere uma sobreposição ou confusão entre os termos “midianitas” e “ismaelitas”, ou que os midianitas, nesse contexto, incluiam grupos ismaelitas.
  • Gênesis 37:25-28, 39:1 Os irmãos de José o vendem como escravos a uma caravana de ismaelitas que se dirigiam ao Egito, ou eram mercadores midianitas. Novamente, parece haver uma certa fluidez no uso dos termos.
  • 1 Crônicas 27:30: Obil, um ismaelita, está no cargo dos camelos de Davi.

Fora da Bíblia, inscrições assírias e outras fontes antigas mencionam grupos árabes que podem ser associados aos descendentes de Ismael. A tradição islâmica considera Ismael um ancestral importante dos árabes, particularmente através de seu filho Quedar, e o profeta Maomé é considerado um descendente de Ismael.