Puteus

Puteus (פוּט, put), termo que aparece em 1 Crônicas 2:53, designa um grupo familiar que habitava Quiriate-Jearim (קִרְיַת יְעָרִים, qiryat ye’arim), cidade situada na fronteira entre Judá e Benjamim. Quiriate-Jearim, também conhecida como Quiriate-Baal (Js 15:60), Baala (Js 15:9) e Baale-Judá (2Sm 6:2), teve grande importância na história de Israel.

Foi em Quiriate-Jearim que a Arca da Aliança permaneceu por vinte anos após ser devolvida pelos filisteus (1Sm 6:21-7:2). A cidade também é mencionada como o local de origem de Urias, o hitita, marido de Bate-Seba (2Sm 11:3).

Sefaivitas

Os sefaivitas, mencionados em 2 Reis 17:24 e 18:34, eram provenientes de Sefarvaim, uma cidade localizada na Assíria. Após a conquista do Reino do Norte (Israel) pelos assírios em 722 a.C., o rei Sargão II deportou os israelitas e repovoou a região com pessoas de outras nações, incluindo os sefaivitas (2Rs 17:24).

Esses novos habitantes, trazendo consigo suas próprias crenças e práticas religiosas, foram assolados por leões, o que interpretaram como uma manifestação da ira do deus local (2Rs 17:25).

Para apaziguar a divindade, o rei assírio enviou de volta um sacerdote israelita para ensiná-los a adorar o Deus de Israel (2Rs 17:27-28).

Refaim

Refaim (רְפָאִים, rĕfa’im; γίγαντες, gigantes) ou refains, termo que evoca mistério e temor, refere-se a um povo ancestral de gigantes que habitava Canaã e outras regiões antes da chegada dos israelitas. Mencionados em Gênesis 14:5 e 15:20, os Refaim eram temidos por sua estatura e força, sendo associados a lugares como Asterote-Carnaim (Gn 14:5) e a vale de Refaim (Js 15:8).

Deuteronômio 2:11 e 3:11 os descrevem como “gigantes, como os anaquins” e mencionam Ogue, rei de Basã, como o último dos refaim (Dt 3:11).

Embora a Bíblia não forneça detalhes sobre sua origem e extinção, os refaim são retratados como um povo poderoso e ameaçador, representando os desafios e perigos que os israelitas enfrentaram na conquista da terra prometida.

A memória dos refaim persistiu na cultura e na literatura judaica, sendo mencionados em textos poéticos como Isaías 26:14 e Provérbios 2:18, como símbolo daqueles que foram derrotados e julgados por Deus.

A interpretação dos refaim varia entre os estudiosos, alguns os considerando como personagens mitológicos, enquanto outros os veem como um povo real

Safira

Safira (סַפִּיר, sappir; σάπφειρος, sappheiros), pedra preciosa de grande valor e beleza, é mencionada diversas vezes na Bíblia como símbolo de preciosidade, sabedoria e divindade. Em Êxodo 24:10, a safira é descrita como parte do pavimento celestial que Moisés contemplou no Monte Sinai, representando a glória e a transcendência de Deus.

No livro de Jó, a safira é mencionada como um tesouro de grande valor (Jó 28:16), e em Ezequiel 28:13, ela faz parte da vestimenta do rei de Tiro, simbolizando riqueza e poder.

O apóstolo João, em sua visão da Nova Jerusalém (Ap 21:19), descreve a safira como uma das pedras preciosas que adornam os fundamentos da cidade santa, representando a beleza e a perfeição do Reino de Deus.

O termo hebraico traduzido como “safira” é סַפִּיר (sappir) (Êxodo 24:10; 28:18; 39:11; Jó 28:6, 16; Cânticos 5:14; Isaías 54:11; Lamentações 4:7; Ezequiel 1:26; 10:1; 28:13). A Septuaginta traduz sappir como σάπφειρος (sappheiros), e a Vulgata como sapphirus. A “safira” moderna (uma variedade de coríndon) é geralmente transparente e de cor azul clara, características que não se encaixam nas descrições bíblicas.

As descrições de sappir na Bíblia sugerem uma pedra opaca, de cor azul escura, frequentemente com inclusões douradas de pirita, que se assemelham a estrelas. Por exemplo, em Jó 28:6, é dito que a sappir contém “pó de ouro”. Essa descrição é consistente com o lápis-lazúli, não com a safira. Além disso, o lápis-lazúli era amplamente utilizado no antigo Oriente Médio, sendo importado do Afeganistão, a principal fonte conhecida na época.

As principais passagens bíblicas que mencionam sappir (“safira”, mas provavelmente lápis-lazúli) incluem:

  • Êxodo 28:18 e 39:11: Sappir é uma das pedras preciosas no peitoral do sumo sacerdote.
  • Jó 28:6, 16: Sappir é associada à sabedoria e ao valor inestimável.
  • Ezequiel 1:26 e 10:1: A aparência do trono de Deus é comparada a sappir.
  • Isaías 54:11 e Lamentações 4:7: Sappir é mencionada como material de construção, e, por comparação, ao brilho e formosura.

No Novo Testamento, a palavra grega σάπφειρος (sappheiros) aparece em Apocalipse 21:19 como a segunda pedra fundamental da Nova Jerusalém. Embora a tradução usual seja “safira”, a referência histórica aponta para o lápis-lazúli.

Embora a Bíblia não especifique a cor das safiras mencionadas, é provável que se trate da variedade azul, a mais conhecida e apreciada na antiguidade.

Ziclague

Ziclague (צִקְלַג, Tsiqlag; Ζεκλάγ, Zeklag), cidade no Neguebe (sul de Judá), desempenha um papel importante na história de Davi. Inicialmente pertencente à tribo de Simeão (Js 19:5), Ziclague foi concedida a Davi por Aquis, rei de Gate, durante seu exílio (1Sm 27:6).

A cidade serviu como base para Davi e seus homens, que realizaram incursões contra povos vizinhos (1Sm 27:8-12). No entanto, enquanto Davi estava ausente, os amalequitas atacaram e incendiaram Ziclague, levando as mulheres e crianças como cativas (1Sm 30:1-5).

Davi, guiado por Deus através do Urim e Tumim, perseguiu os amalequitas, recuperou os cativos e os bens saqueados (1Sm 30:8-20). Após a morte de Saul, Davi retornou a Ziclague e foi ali ungido rei de Judá (2Sm 2:1-4).