Anatote

Anatote era uma cidade situada no território da tribo de Benjamim, a cerca de 3 quilômetros ao nordeste de Jerusalém. Sua importância reside não apenas em sua localização estratégica, mas também em sua conexão com a linhagem sacerdotal e com a vida de um dos mais importantes profetas de Israel: Jeremias.

As Escrituras nos revelam que Anatote era habitada por sacerdotes, o que indica a presença de um centro religioso significativo na região (Josué 21:18). A cidade era parte da herança designada aos levitas, a tribo responsável pelos serviços do templo e pela preservação da lei e dos rituais religiosos.

Estava em Anatote as raízes de Jeremias. O livro de Jeremias nos informa que ele era “filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim” (Jeremias 1:1). O próprio Jeremias sofreu ameaças e foi perseguido por seus conterrâneos em Anatote, que se opuseram às suas mensagens de juízo e arrependimento (Jeremias 11:21-23).

André

André, um dos doze apóstolos de Jesus, destaca-se nos Evangelhos como uma figura que, apesar de não ter protagonizado grandes eventos, desempenhou um papel fundamental na formação do grupo apostólico e na difusão da mensagem cristã. Irmão de Simão Pedro, André era natural de Betsaida, uma vila de pescadores na Galileia, onde trabalhava com seu irmão e seus sócios Tiago e João. Sua história, entrelaçada com a de Pedro e de outros discípulos, revela a importância dos laços familiares e comunitários na experiência do discipulado.

A narrativa bíblica apresenta André como um seguidor de João Batista antes de encontrar Jesus. Ao ouvir o Batista anunciar Jesus como o “Cordeiro de Deus”, André, movido por uma profunda intuição espiritual, decide segui-lo. Seu primeiro ato como discípulo é partilhar a descoberta com seu irmão Simão, levando-o a Jesus. Esse gesto, aparentemente simples, revela a disposição de André em compartilhar a fé e o seu papel como “ponte” entre as pessoas e Jesus.

André demonstra sensibilidade às necessidades do próximo, como no episódio da multiplicação dos pães, quando apresenta a Jesus um menino com cinco pães e dois peixes, iniciando o milagre que alimentaria a multidão. Ele também se mostra atento aos anseios espirituais das pessoas, como quando intermedeia o encontro de alguns gregos com Jesus, demonstrando sua capacidade de conectar pessoas de diferentes culturas à mensagem do Evangelho.

Embora os Evangelhos não detalhem o ministério de André após a ascensão de Jesus, a tradição cristã o identifica como um incansável missionário, pregando o Evangelho em diversas regiões, como a Grécia e a Ásia Menor. A tradição também associa sua morte a um martírio por crucificação em Patras, na Grécia, em uma cruz em forma de “X”, conhecida como “Cruz de Santo André”.

Azarias

Azarias, em hebraico  עֲזַרְיָ֖הוּ, עֲזַרְיָ֔ה, é um nome comum no Antigo Testamento, traduzido de Azariah, Azaryah ou Azaryahu, que significa “Javé ajudou”. Abaixo, uma descrição de cada indivíduo identificado com este nome nas Escrituras:

  1. Azarias, rei de Judá
    Conhecido também como Uzias, foi rei de Judá e é mencionado em diversos textos (2 Reis 14:21; 15:1, 6-8, 17, 23, 27; 1 Crônicas 3:12). Governou com notável prosperidade, mas sofreu as consequências de sua presunção ao tentar realizar funções sacerdotais.
  2. Azarias, filho de Zadoque
    Sacerdote durante o reinado de Salomão (1 Reis 4:2; 1 Crônicas 6:10).
  3. Azarias, filho de Natã
    Oficial na corte de Salomão e possivelmente sobrinho do rei (1 Reis 4:5).
  4. Azarias, filho de Etã
    Descendente da tribo de Judá (1 Crônicas 2:8).
  5. Azarias, filho de Jeú
    Outro descendente de Judá mencionado em genealogias (1 Crônicas 2:38, 39).
  6. Azarias, filho de Aimaás
    Sacerdote na corte de Salomão, cujo pai, Aimaás, foi amigo de Davi (1 Crônicas 6:9; 2 Samuel 15:36; 17:17).
  7. Azarias, filho de Joanã
    Neto do sacerdote Aimaás e parte da linhagem sacerdotal (1 Crônicas 6:10).
  8. Azarias, filho de Hilquias
    Sacerdote durante o exílio babilônico (1 Crônicas 6:13, 14; 9:11).
  9. Azarias, filho de Sofonias
    Outro sacerdote mencionado nas genealogias (1 Crônicas 6:36).
  10. Azarias, filho de Odede
    Profeta durante o reinado de Asa que exortou o rei a destruir ídolos e renovar a adoração no templo (2 Crônicas 15:1-15).
  11. Azarias, filho de Josafá
    Filho do rei Josafá, foi morto por seu irmão Jeorão ao suceder ao trono de Judá (2 Crônicas 21:2, 4).
  12. Azarias, filho de Jeroão
    Comandante no exército de Judá durante o reinado de Atalia, participou do golpe que colocou Josias no trono (2 Crônicas 23:1).
  13. Azarias, filho de Obede
    Outro comandante que participou do golpe ao lado do Azarias anterior (2 Crônicas 23:1).
  14. Azarias, sumo sacerdote no reinado de Uzias
    Protestou contra Uzias ao tentar realizar funções sacerdotais e teve papel importante também no reinado de Ezequias (2 Crônicas 26:17, 20; 31:10).
  15. Azarias, líder em Efraim
    Intercedeu pelos judeus capturados pelo exército de Efraim, alimentando-os e libertando-os (2 Crônicas 28:12).
  16. Azarias, coatita
    Mencionado em uma lista de levitas (2 Crônicas 29:12).
  17. Azarias, filho de Jealelel
    Outro levita listado entre os restauradores do templo (2 Crônicas 29:12).
  18. Azarias, sumo sacerdote sob Ezequias
    Provavelmente o mesmo que o número 14, teve um papel significativo na restauração religiosa (2 Crônicas 31:10, 13).
  19. Azarias, avô de Esdras
    Descendente de Hilquias, é mencionado na genealogia do escriba Esdras (Esdras 7:1; 1 Crônicas 9:11).
  20. Azarias, filho de Meraiote
    Outro ancestral de Esdras (Esdras 7:3).
  21. Azarias, filho de Maaseias
    Cidadão de Jerusalém que ajudou na reconstrução do muro sob Neemias (Neemias 3:23).
  22. Azarias, companheiro de Zorobabel
    Participou do retorno do exílio babilônico (Neemias 7:7).
  23. Azarias, levita com Esdras
    Ajudou a interpretar a Lei para o povo durante a leitura pública da Torá (Neemias 8:7).
  24. Azarias, signatário da aliança de Neemias
    Aparece como um dos que assinaram o pacto de renovação (Neemias 10:2).
  25. Azarias, participante da dedicação do muro reconstruído
    Tomou parte na celebração pela reconstrução do muro de Jerusalém (Neemias 12:32).
  26. Azarias, filho de Hosaías
    Integrante do grupo que se opôs aos conselhos do profeta Jeremias (Jeremias 42:1; 43:2).
  27. Azarias, companheiro de Daniel
    Renomeado Abednego, foi um dos jovens levados à corte de Nabucodonosor e lançado na fornalha ardente por se recusar a adorar uma estátua de ouro (Daniel 1:6, 7, 11, 19; 2:17; 3:12-30).

Amom

Amom ou Amon denota pessoas, povos e um deus na Bíblia.

1. Amom é o filho incestuoso de Ló com sua filha mais nova (Gn 19:38). Ele se torna o ancestral epônimo dos amonitas, um povo que habitava a região leste do rio Jordão e que manteve uma relação complexa com os israelitas, oscilando entre conflitos e alianças.

2. Amom foi um administrador em Samaria. 1Rs 22.15-28.

3 .Amom foi o décimo quinto rei de Judá, sucessor de seu pai Manassés (2Rs 21:18-26). Seu reinado, breve e marcado pela idolatria, terminou com seu assassinato por seus próprios servos.

4. Amom é mencionado como o deus egípcio de Nô, uma cidade que representa a arrogância e a idolatria do Egito (Jr 46:25).

Narrativa da Arca

A Narrativa da Arca, presente nos livros de Samuel (1 Sm 4-6; 2 Sm 6), descreve as vicissitudes da Arca da Aliança, símbolo da presença divina e objeto sagrado de Israel, durante um período turbulento da história do povo. Longe de ser um relato monolítico, a narrativa se apresenta como uma tapeçaria complexa, tecida a partir de diferentes tradições e perspectivas, que revelam a ambiguidade e o poder da Arca.

A história tem início com a captura da Arca pelos filisteus após a derrota dos israelitas em batalha. Levada como troféu de guerra, a Arca é colocada no templo do deus Dagom, em Asdode. No entanto, a presença da Arca desencadeia eventos misteriosos e catastróficos: a estátua de Dagom é encontrada prostrada diante da Arca, e pragas assolam a cidade. Aterrorizados, os filisteus decidem devolver a Arca a Israel, mas sua jornada de volta é marcada por tragédias e temor, culminando na morte de setenta homens de Bete-Semes por terem olhado para dentro da Arca.

Temendo a ira divina, os habitantes de Bete-Semes enviam a Arca para Quiriate-Jearim, onde permanece por vinte anos na casa de Abinadabe. É somente com o rei Davi que a Arca é trazida para Jerusalém, em meio a celebrações e sacrifícios. No entanto, a jornada é novamente marcada por tragédia, com a morte de Uzá ao tocar na Arca para impedir sua queda. Temeroso, Davi deixa a Arca na casa de Obede-Edom, onde permanece por três meses, trazendo bênçãos ao seu lar. Finalmente, Davi traz a Arca para Jerusalém, estabelecendo-a como centro do culto israelita.

A Narrativa da Arca apresenta diferentes facetas do objeto sagrado: ela é símbolo da presença divina, instrumento de guerra, fonte de bênçãos e, ao mesmo tempo, objeto de temor e perigo.

BIBLIOGRAFIA

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