Bete-Semes

Bete-Semes (בֵּית שֶׁמֶשׁ, Beth Shemesh) significa “Casa do Sol” em hebraico. Era um povoado de Judá, estrategicamente localizado perto da divisa com os filisteus (1 Samuel 6:12; Josué 15:10). Essa proximidade fazia com que a região fosse frequentemente palco de disputas entre israelitas e filisteus.

Situava-se na região da Sefelá, a planície baixa entre as montanhas de Judá e a costa filisteia. Sua identificação moderna é geralmente associada a Tel Beit Shemesh, a cerca de 20 km a oeste de Jerusalém.

Bete-Semes era designada como uma cidade para os levitas, especificamente para os descendentes de Arão (Josué 21:13-16; 1 Crônicas 6:57-59).

No evento do retorno da Arca da Aliança pelos filisteus, após sete meses em território filisteu, assolados por pragas, os filisteus enviaram a Arca de volta em uma carroça puxada por vacas, que seguiram diretamente para Bete-Semes (1 Samuel 6:1-16). A alegria dos habitantes ao ver a Arca foi grande, mas a curiosidade de alguns em olhar para dentro dela resultou em uma grande mortandade pelo Senhor (1 Samuel 6:19).

Também foi palco de uma batalha entre Jeoás, rei de Israel, e Amazias, rei de Judá (2 Reis 14:11-13). Em algum momento, foi tomada pelos filisteus durante o reinado de Acaz (2 Crônicas 28:18). Bete-Semes fazia parte de um dos distritos administrativos de Salomão (1 Reis 4:9).

O nome “Casa do Sol” e as ruínas encontradas na região sugerem que havia um culto significativo ao sol em Bete-Semes e seus arredores na antiguidade.

Bete-Seã

Bete-Seã era uma importante cidade localizada no vale do rio Jordão, aproximadamente 22 km ao sul do Mar da Galileia (também conhecido como Lago de Tiberíades ou Lago de Genesaré). Sua posição estratégica, no cruzamento de rotas comerciais que ligavam o norte e o sul, bem como o leste e o oeste, conferiu-lhe grande relevância histórica e militar.

A cidade é mencionada em diversos momentos da Bíblia. Após a morte do rei Saul e de seus filhos em batalha contra os filisteus no Monte Gilboa, seus corpos foram levados e pendurados nos muros de Bete-Seã como um símbolo da vitória filisteia (1 Samuel 31:10). No entanto, os corajosos habitantes de Jabes-Gileade atravessaram o Jordão à noite, retiraram os corpos e os sepultaram com honras (1 Samuel 31:11-13).

Bete-Seã também é mencionada em relação à divisão da terra prometida, sendo parte do território atribuído à tribo de Manassés, embora estivesse localizada a oeste do rio Jordão (Josué 17:11). Os cananeus continuaram a habitar a cidade, embora tenham sido subjugados pelos israelitas (Josué 17:12-13; Juízes 1:27-28).

No período do Novo Testamento, Bete-Seã era conhecida como Citópolis e era uma das cidades da Decápolis, uma liga de dez cidades helenísticas.

Bete-Áven

Bete-Áven (בֵּית אָוֶן, Beth Aven) significa em hebraico “Casa da Vaidade”, “Casa da Iniquidade” ou “Casa do Nada”. Na Bíblia, o termo é usado de duas maneiras principais:

1. Uma cidade na tribo de Benjamim. Localizava-se perto da antiga cidade de Ai, a leste de Betel e a oeste de Micmás, no deserto (Josué 7:2; 18:11-12; 1 Samuel 13:5; 14:23). Foi palco de uma batalha onde Saul e Jônatas derrotaram os filisteus (1 Samuel 13-14). Sua localização exata hoje não é identificada.

2. Um nome depreciativo para Betel. Os profetas Oseias e Amós usaram o nome Bete-Áven em vez de Betel para se referirem à cidade que antes era chamada de “Casa de Deus” (Bet-El). Essa mudança de nome era uma crítica à idolatria que se estabeleceu em Betel, particularmente a adoração do bezerro de ouro instituída por Jeroboão I (1 Reis 12:28-30). Ao chamá-la de “Casa da Vaidade” ou “Casa da Iniquidade”, os profetas denunciavam a inutilidade e o pecado da adoração idólatra ali praticada (Oseias 4:15; 5:8; 10:5, 8; Amós 5:5).

Beerote

Os beerotitas eram os habitantes de Beerote, cidade geralmente identificada como a moderna el-Bireh, localizada aproximadamente 2,5 km a sudoeste de Betel. Originalmente considerada parte do território de Benjamim (2 Samuel 4:2), Beerote e seus habitantes são mencionados em diversos contextos bíblicos.

Dois filhos de Rimom, o beerotita, Recabe e Baaná, assassinaram Isbosete, filho de Saul (2 Samuel 4:2-3, 5-9). Naarai, outro beerotita, era o escudeiro de Joabe (2 Samuel 23:37; 1 Crônicas 11:39). Os beerotitas também são mencionados na lista de cidades repovoadas após o exílio babilônico (Esdras 2:25; Neemias 7:29). A fuga dos beerotitas para Gitaim devido a Saul e sua casa (2 Samuel 4:3) ilustra a instabilidade política da época.

Beritas

Os beritas eram os habitantes da cidade de Abel-Bete-Maaca, localizada na região norte de Israel. Esta cidade possuía importância estratégica.

Durante o reinado de Davi, Abel-Bete-Maaca foi visitada por Joabe em perseguição a Seba, filho de Bicri, que havia se rebelado. A sabedoria de uma mulher da cidade evitou sua destruição, persuadindo os habitantes a decapitar Seba e jogá-lo pelas muralhas (2 Samuel 20:14-22). Abel-Bete-Maaca também é listada entre as cidades conquistadas por Ben-Hadade, rei da Síria, durante o reinado de Baasa de Israel (1 Reis 15:20; 2 Crônicas 16:4). Em um período posterior, durante o reinado de Peca, rei de Israel, Tiglate-Pileser III, rei da Assíria, conquistou Abel-Bete-Maaca e deportou seus habitantes (2 Reis 15:29). A referência aos “sábios de Abel” (2 Samuel 20:18) sugere que a cidade era conhecida por sua prudência e conhecimento.