Daniel Ippolito

Daniel Ippolito (1923-2024) foi ministro, oficial denominacional e missionário em igrejas pentecostais italianas no Canadá, Estados Unidos e Itália.

Nascido em Toronto, cujos pais Maria Piedmonte e Luigi Ippolito foram pioneiros na congregação pentecostal italiana local, cresceu envolvido com a igreja. Estudou no Ontario Pentecostal Bible College e na Universidade de Toronto.

Em 1947, assumiu o ministério pastoral em Whitby, Ontário, além de fazer missões evangelísticas pelo Canadá e nos EUA. Foi ordenado em 1949. Ainda em missão, mudou-se para Itália em 1951.

Casou-se com Angelina Marie Ventura em 1954, ministraram juntos, levando o evangelho por toda a Itália e mais tarde em Warren, Ohio. Em 1958, Daniel atendeu ao chamado para pastorear a Igreja Pentecostal Italiana de Toronto, função que desempenhou por mais de 37 anos.

Serviu como Secretário Geral e mais tarde Superintendente Geral da Italian Pentecostal Church of Canada. Promoveu a unidade e a colaboração entre os crentes, participando também de encontros e associações pentecostais e evangelicais na América do Norte. Também fez um trabalho de preservar a história da obra pentecostal italiana no Canadá.

Ainda em seu ministério de Daniel viajou extensivamente pela Europa, Austrália, Haiti e Índia. Mesmo aposentado, continuou pregando e ministrando na casa de repouso onde morava. Morreu centenário, tendo exercido seu ministério por 77 anos.

Igrejas autossustentáveis

A teoria missiológica das igrejas autossustentáveis, comumente conhecida como fórmula dos Três Autos ou Princípio dos Três Autos, é uma doutrina que defende o estabelecimento de igrejas indígenas caracterizadas por autogoverno, autossuporte e autopropagação. Prevê-se que estas igrejas sejam lideradas por líderes locais, financeiramente independentes e ativamente empenhadas na difusão da sua fé, tanto local como globalmente.

A teoria surgiu no século XIX como uma reação às preocupações relativas à natureza paternalista das atividades missionárias. Os missionários ocidentais, embora estabelecessem igrejas em terras estrangeiras, muitas vezes exerciam um controle autoritário sobre elas, resultando na dependência de recursos externos e liderança. Esta dependência dificultou o crescimento e a autonomia das congregações locais.

Antes de ser formulada teoricamente por missiólogos, foi na prática empregada nas missões de Hudson Taylor, Robert Reid Kalley, o movimento dos Irmãos, William Taylor, além de amplamente empregada pela primeira geração de missionários pentecostais como Louis Francescon, Fredrick Mebius, Willis Collins Hoover, Gunnar Vingren, dentre outros.

Os pincipais proponentes como teoria missiológica foram Henry Venn e Rufus Anderson. Venn foi Secretário Geral da Sociedade Missionária da Igreja, enfatizou o cultivo da liderança local e da independência financeira. Já Rufus Anderson, Secretário de Relações Exteriores do Conselho Americano de Comissários para Missões Estrangeiras, enfatizou a importância dos crentes locais assumirem o comando do evangelismo e da plantação de igrejas.

Fudamentando-se no sacerdócio universal dos crentes, esse paradigma missiológico possui várias vantagens. Ao promover a liderança e a responsabilidade locais, as igrejas autossustentáveis capacitam os cristãos locais, levando a um envolvimento e crescimento mais profundos dentro da comunidade. A independência financeira reduz a dependência de financiamento externo, garantindo estabilidade a longo prazo e adaptabilidade aos contextos locais. As igrejas autossuficientes estão melhor posicionadas para desenvolver expressões de fé que ressoem com as nuances culturais das suas comunidades específicas.

Algumas críticas e desafios existem para esse modelo missiológico. Alcançar a verdadeira autossuficiência pode ser um desafio, especialmente em contextos de recursos limitados, onde o apoio externo ainda pode ser necessário durante um determinado período. Também é desafiador balancear o respeito às práticas e valores culturais com as tradições eclesiológicas das denominações que enviam missionários. A ênfase excessiva na autossuficiência pode levar à falta de colaboração e de redes de apoio entre as igrejas, isolando-as potencialmente de movimentos e recursos mais amplos.

Um quarto “auto” apareceu com o trabalho do missiólogo e antropólogo Paul Hiebert. Trata-se da “autoteologização” ou a autonomia da reflexão teológica. Como cada cultura possuem categorias não traduzíveis para outros contextos, é importante que as igrejas locais desenvolvam uma familiaridade com as Escrituras, sejam elas próprias intérpretes confiantes. Assim, seriam as igrejas em cada nação seriam suficientemente autônomas para desenvolver suas próprias agendas teológicas em diálogos com as igrejas em contextos globais.

BIBLIOGRAFIA

Anderson, Rufus. A Heathen Nation in Favor of the Gospel: Or, Hints on the Means by Which the Population of a Heathen Nation May Be Led to an Early Knowledge of Christianity. Press of T.R. Marvin, 1845.

Anderson, Rufus. Foreign Missions: Their Relations and Their Claims. Congregational Board of Publication, 1869.

Bosch, David J. Transforming Mission: Paradigm Shifts in Theology of Mission. Orbis Books, 1991.

Hiebert, Paul G. Anthropological Insights for Missionaries. Baker Book House, 1985.

Hiebert, Paul G. Transforming Worldviews: An Anthropological Understanding of How People Change. Baker Academic, 2008.

Taylor, J. Hudson. China’s Spiritual Need and Claims. Morgan and Scott, 1865.

Venn, Henry. Retrospect of the First Ten Years of the Church Missionary Society. Church Missionary House, 1851.

Walls, Andrew F. The Missionary Movement in Christian History: Studies in the Transmission of Faith. Orbis Books, 1996.

Inscrição de Idrimi

A inscrição de Idrimi é uma curta narrativa da biografia de um rei pastoralista registrada em sua estátua.

Consistindo de 104 linhas escritas em um dialeto provincial do acadiano, e registra as vicissitudes autobiográficas do rei Idrimi na base de sua estátua.

A inscrição fornece um relato vívido da vida e das conquistas de Idrimi, incluindo os eventos que o levaram a fugir da Síria. Detalha a fuga de sua família de Aleppo para Emar, seu tempo entre os guerreiros Hapiru em Canaã e sua eventual instalação como rei em Alalakh, que governou por 30 anos.

A inscrição está escrita em acadiano usando escrita cuneiforme e é reconhecida como uma das primeiras biografias completas de uma figura política descoberta.

Idrimi formou uma aliança com os Hapiru, que é uma das primeiras referências históricas a este grupo. A inscrição Idrimi menciona um grupo de nômades apátridas chamados Hapiru, que viviam nas colinas cananeias.

Possui paralelos com a vida dos patriarcas e com as fugas e lideranças de tropas irregulares de Davi.

A inscrição Idrimi oferece informações valiosas sobre o contexto político e histórico do Antigo Oriente Próximo durante o final da Idade do Bronze, aproximadamente 1600-1200 aC.

Imagens de Deus

As imagens preconcebidas de Deus influenciam na hermenêutica bíblica, como outras categorias e pressupostos que o leitor traz para a leitura.

No âmbito da hermenêutica, deve-se levar em conta a influência de ideias preconcebidas na leitura das Escrituras sagradas. Uma delas é a concepção de Deus. O psicólogo e teólogo Karl Frielingsdorf propôs uma tipologia de imagens de Deus. Aqui utilizamos essa tipologia para retratar as diferentes concepções que os indivíduos portam para lerem as Escrituras.

Frielingsdorf afirma que a compreensão que uma pessoa tem de Deus começa nos anos de formação. São moldadas pela socialização religiosa, experiências familiares e influências culturais. Essas primeiras imagens de Deus, sejam provedoras e protetoras ou punitivas e julgadoras, tornam-se os “Grundfolien” ou modelos fundamentais que influenciam pensamentos, emoções e ações subsequentes (Frielingsdorf 1993).

O leitor avaliará todas as representações de Deus na Bíblia de acordo com o que ele ou ela imagina. Então, este exercício eisegético afetaria mais tarde a sua percepção da realidade, da vida espiritual e da teologia.

Os quatro tipos de imagens de Deus propostas por Frielingsdorf são:

  1. O Deus da lacunas e a hermenêutica dualista: Indivíduos que percebem Deus como um substituto para necessidades não satisfeitas podem abordar a Bíblia com uma predisposição para interpretações dualistas, dividindo o texto num reino de bondade divina e num mundo humano repleto de mal. Isto pode levar a uma leitura seletiva, enfatizando passagens que reforçam um Deus benevolente e negligenciando aquelas que desafiam este imaginário reconfortante. Buscam ver milagres todos os dias ao invés de cada dia como um milagre. Possuem dificulades de verem Deus no cotidiano, no ordinário, no profano, mas somente no sobrenatural, no miraculoso, no extraordinário.
  2. O Deus Juiz Punitivo e a hermenêutica do medo: Os leitores com essa imagem de um Deus punitivo podem interpretar as narrativas bíblicas através das lentes do medo. Cada evento bíblico pode ser visto como consequência da retribuição divina, dificultando uma compreensão matizada do contexto cultural e histórico da Bíblia. São incapazes de enxergar um Deus gracioso e misericordioso. Por considerar Deus como incapaz de perdoar, vivem com medo do castigo divino, moldando suas orientações morais e éticas.
  3. O Deus Contabilista e a hermenêutica legalista: Aqueles que têm uma imagem de Deus como um contador exigente tendem a abordar a Bíblia com uma mentalidade legalista, percebendo os mandamentos e as leis como um registro meticuloso dos atos humanos. Isto pode levar a uma interpretação intransigente dos textos bíblicos. Esse leitor terá foco na adesão às regras, em vez de na compreensão dos princípios espirituais subjacentes.
  4. O Deus gestor por desempenho e Teologia Baseada nas Obras: Indivíduos que veem Deus como uma divindade que valoriza o desempenho e o sucesso podem interpretar a Bíblia através de lentes teológicas baseadas nas obras. Isto pode levar a uma ênfase na realização pessoal e na justiça a qual se sentem receptores. Gera uma concepção meritocrática da relação com Deus. Assim, é fácil negligenciar os temas centrais da graça, da misericórdia e do poder transformador da fé nas narrativas bíblicas.

BIBLIOGRAFIA

Frielingsdorf, Karl. Dämonische Gottesbilder. Mainz: Mattias Grünewald, 1993.

VEJA TAMBÉM

Teologia dos atributos

Teologia Própria

Initium Fidei

Initium Fidei em latim é o início da fé. O termo refere-se à discussão sobre a forma como a fé ou o movimento em direção à fé começa.

Desde a controvérsia de Agostinho e Pelágio, há debates sobre o papel de Deus, especificamente o Espírito Santo e o intelecto ou vontade humana. Também pode se referir ao primeiro ato de fé feito por um cristão.