Benjamin Kennicott

Benjamin Kennicott (1718-1783) foi um estudioso inglês que publicou, em 1776, a obra Vetus Testamentum Hebraicum cum Variis Lectionibus. Este trabalho, ainda utilizado, registra variantes do texto hebraico do Antigo Testamento, baseando-se em 615 manuscritos hebraicos medievais e 52 edições impressas do texto hebraico. As variantes estão registradas em notas de rodapé do texto principal e foram apresentadas em dois volumes, publicados em 1776 e 1780.

Nascido em Totnes, Devon, Kennicott era filho de um barbeiro e secretário paroquial. Estudou na Totnes Grammar School antes de ingressar no Wadham College, Oxford, em 1744, onde destacou-se nos estudos de hebraico sob a orientação do professor Thomas Hunt. Tornou-se membro do Exeter College em 1747 e alcançou o título de Doutor em Divindade (D.D.) em 1761.

Kennicott ocupou diversas posições eclesiásticas ao longo de sua vida. Foi mestre de uma escola de caridade em Totnes antes de se tornar vigário de Culham, Oxfordshire, em 1753. Em 1767, foi nomeado responsável pela Biblioteca Radcliffe em Oxford, e, em 1770, tornou-se cônego da Christ Church. Seu trabalho acadêmico contou com o apoio de figuras como o bispo Robert Lowth, que incentivou Kennicott a empreender um estudo abrangente da Bíblia Hebraica.

A obra Vetus Testamentum Hebraicum cum Variis Lectionibus representou um marco no campo da crítica textual bíblica. Com o objetivo de oferecer uma edição crítica da Bíblia Hebraica, Kennicott realizou uma análise sistemática de uma ampla gama de fontes. No primeiro volume, publicado em 1776, ele apresentou variantes textuais com base nos manuscritos e edições impressas examinados. O segundo volume, lançado em 1780, foi acompanhado por uma Dissertatio Generalis, que discutia os manuscritos utilizados e detalhava sua metodologia. O trabalho buscava estabelecer um texto mais preciso e contribuir para a compreensão das transmissões e variações textuais na Bíblia Hebraica.

Kennicott faleceu e foi enterrado na Catedral de Christ Church, em Oxford. Sua contribuição à crítica textual da Bíblia lançou bases importantes para estudos futuros e consolidou sua posição como figura central nesse campo. A obra Vetus Testamentum Hebraicum continua sendo referência entre estudiosos por sua documentação detalhada de variantes textuais e por sua abordagem crítica aos manuscritos bíblicos.

Mary Slessor

Mary Slessor (1848–1915) foi uma missionária escocesa que dedicou sua vida a melhorar as condições de vida das pessoas em Calabar, na Nigéria.

Nascida em Aberdeen, Escócia, cresceu em meio à pobreza e enfrentou dificuldades desde jovem. O alcoolismo de seu pai a obrigou a trabalhar ainda criança nas fábricas de juta em Dundee, contribuindo para o sustento de sua família. Apesar das adversidades, desenvolveu uma profunda fé e compaixão pelos outros. Inspirada por missionários como David Livingstone, sentiu o chamado para atuar na África.

Em 1876, com 28 anos, iniciou sua missão em Calabar. Diferentemente de muitos missionários de sua época, ela procurou integrar-se à cultura local, aprendendo a língua efik e adaptando-se ao clima e às condições de vida desafiadoras da região. Optou por viver entre as pessoas que servia, conquistando sua confiança e respeito. Seu trabalho concentrou-se na educação, na saúde e na defesa dos direitos de mulheres e crianças. Tornou-se amplamente conhecida por seus esforços para erradicar a prática de infanticídio de gêmeos, baseada na crença de que eles eram maléficos. Slessor resgatou diversas crianças abandonadas e adotou muitas delas, criando-as em sua própria casa.

O impacto de sua atuação em Calabar foi significativo. Ela recebeu o título de “Ma” pelos habitantes locais, uma demonstração do papel materno que desempenhou em suas vidas.

Robert E. McAlister

Robert Edward McAlister (1880–1953) foi um evangelista e pastor canadense que desempenhou um papel crucial no início do movimento pentecostal no Canadá.

McAlister iniciou seu ministério no movimento pentecostal nos Estados Unidos e, em 1913, participou de um encontro de camp meeting em Los Angeles. Durante esse evento, pregou sobre o batismo e destacou a prática de batizar em nome de Jesus Cristo, ao invés de usar a fórmula tradicional de “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

McAlister foi um dos fundadores das Pentecostal Assemblies of Canada e desempenhou um papel como secretário-tesoureiro da organização. Foi uma figura chave na formação e organização das primeiras igrejas pentecostais no Canadá, trabalhando para estabelecer uma rede de igrejas que propagassem a mensagem pentecostal.

Quando as Pentecostal Assemblies of Canada adotaram a teologia trinitária, McAlister permaneceu com a organização, apesar da mudança de doutrina. Ele rejeitou a crença unicista e aceitou a posição trinitária adotada pela maioria dos pentecostais. Essa mudança marcou uma divisão no movimento, com McAlister continuando como uma figura respeitada dentro da organização.

Robert E. McAlister foi o tio de Walter Robert McAlister, um líder pentecostal brasileiro-canadense conhecido no Brasil como Bispo Roberto McAlister.

Charles H. Mason

Charles Harrison Mason (1866–1961) foi um pioneiro pentecostal e fundador da Igreja de Deus em Cristo.

Nasceu em Shelby County, Tennessee, filho de ex-escravizados. Viveu sua infância na pobreza e com oportunidades educacionais limitadas, mas vivia com fé e um chamado ao ministério batista. Começou a pregar na década de 1880, enfatizando a santificação e a busca por uma vida santa, atraindo um número crescente de seguidores por meio de sua pregação.

Em 1906, Mason participou do Avivamento da Rua Azusa, em Los Angeles, onde experimentou o batismo no Espírito Santo e o falar em línguas. Essa experiência transformadora o levou a adotar o movimento pentecostal. Em 1907, fundou a Igreja de Deus em Cristo (Church of God in Christ, COGIC), assumindo a liderança como seu primeiro Bispo Sênior.

Sob sua liderança, a COGIC se tornou a maior denominação pentecostal dos Estados Unidos, com ênfase na experiência pentecostal, na santificação e no empoderamento social. Mason também destacou a importância de atender às necessidades da comunidade afro-americana por meio da educação, do progresso econômico e da ação social.

Mason enfrentou críticas tanto dentro quanto fora de sua denominação. Alguns contestaram sua liderança e as manifestações espirituais associadas ao culto pentecostal. Apesar disso, ele permaneceu à frente da COGIC, guiando-a em meio ao crescimento e aos desafios sociais de sua época.

Lottie Moon

Lottie Moon (1840–1912) foi uma missionária batista do sul dos Estados Unidos, pioneira no trabalho missionário na China.

Nascida Charlotte Digges Moon no Condado de Albemarle, Virgínia, recebeu uma educação privilegiada e foi uma das primeiras mulheres do sul dos Estados Unidos a obter um diploma de mestrado. No entanto, sentindo-se chamada para a missão. Causou espanto por romper as expectativas sociais para uma mulher de classe alta sulista e embarcou para a China em 1873, aos 32 anos.

Por quase 40 anos, Lottie Moon viveu e trabalhou em Tengchow e Pingtu, na província de Shandong. Aderiu à cultura local, aprendendo a língua e os costumes, e tornou-se uma professora e evangelista respeitada e amada. Com especial dedicação à educação de mulheres e meninas, fundou escolas e questionou práticas tradicionais, como o enfaixamento dos pés.

Comprometida com seu trabalho missionário, Lottie Moon frequentemente sacrificava seu conforto e bem-estar em benefício das pessoas que servia. Ela vivia de maneira modesta, compartilhando seus poucos recursos com os necessitados, e fazia constantes apelos às igrejas nos Estados Unidos por maior apoio ao trabalho missionário. Suas cartas e pedidos foram cruciais para aumentar a conscientização e os fundos destinados às missões.

A saúde de Lottie Moon deteriorou-se após anos de trabalho intenso e desnutrição, agravados por uma grande fome na região onde atuava. Em 1912, enfraquecida, foi obrigada a retornar aos Estados Unidos, mas faleceu durante a viagem, em Kobe, Japão.

O legado de Lottie Moon permanece significativo no movimento missionário. Seu exemplo de dedicação, sacrifício e defesa da educação e do evangelismo inspira gerações de missionários. Em sua homenagem, a oferta anual “Lottie Moon Christmas Offering,” promovida pela Convenção Batista do Sul, continua a apoiar o trabalho missionário em todo o mundo.