Marcionismo

O Marcionismo, doutrina cristã dualista fundada por Marcião de Sinope por volta de meados do século II, propunha uma distinção radical entre o Deus do Antigo Testamento, considerado um criador imperfeito e zeloso, e o Deus do Novo Testamento, um ser de puro amor e graça revelado em Jesus Cristo.

Marcião rejeitava todo o Antigo Testamento e grande parte do Novo, aceitando apenas uma versão editada do Evangelho de Lucas e dez epístolas paulinas, por ele purgadas de referências ao judaísmo. Sua teologia enfatizava a salvação pela fé em Cristo, contrastando com o legalismo judaico. A rápida disseminação do Marcionismo levou a Igreja primitiva a definir seu cânon bíblico e a formular o Credo Niceno para refutar suas ideias, consideradas heréticas. Apesar da forte oposição e de ter sido eventualmente extinto como movimento religioso organizado, o Marcionismo forçou a Igreja a confrontar questões cruciais sobre a autoridade das Escrituras, a natureza de Deus e a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, deixando um legado importante no desenvolvimento do pensamento cristão.

Maria, a hebreia

Maria, a Hebreia, também conhecida como Maria Judia ou Maria Profetisa, é uma das figuras mais antigas e notáveis da história da alquimia ocidental. Viveu em Alexandria, Egito, provavelmente entre os séculos I e III d.C., embora sua existência seja conhecida apenas por meio de citações de autores posteriores, especialmente Zósimo de Panópolis.

Fragmentos de seus ensinamentos sobreviveram apenas em citações, e não há comprovação direta de que tenha dirigido uma escola em Alexandria ou utilizado sistematicamente a alegoria em seus métodos pedagógicos. No entanto, a linguagem simbólica e alegórica era comum nos textos alquímicos da época.

Maria é reconhecida pela invenção de aparelhos laboratoriais fundamentais, como o banho-maria (bain-marie), o kerotakis e o tribikos. O banho-maria, em particular, permanece em uso tanto em laboratórios quanto na culinária. Suas contribuições experimentais foram fundamentais para o desenvolvimento da alquimia como prática científica, embora não se possa afirmar que ela tenha “iniciado a Química” como disciplina formal.

A tradição posterior confundiu Maria com Míriam, irmã de Moisés, mas essa associação carece de base histórica. Também não há registros de que Maria tenha declarado os judeus um povo especial com acesso privilegiado à transmutação de substâncias; ela é identificada como judia apenas nas fontes antigas.

A interpretação alegórica da realidade e das escrituras era difundida em Alexandria, influenciando pensadores como Orígenes, mas não há evidências de participação direta de Maria nesse movimento teológico. O paradigma da substância diferenciada por proporção de elementos foi dominante na alquimia até o século XVIII, mas não pode ser atribuído exclusivamente a Maria.

A demonização do conhecimento feminino e a associação da alquimia com bruxaria são fenômenos documentados em períodos posteriores, sobretudo na Idade Média e no início da Modernidade. Hipátia, outra mulher notável de Alexandria, foi perseguida e assassinada, mas não há registro de perseguição semelhante a Maria. A história dos anjos caídos ensinando alquimia às mulheres, baseada no Livro de Enoque, não possui ligação direta com Maria.

Durante a Reforma, tanto a alquimia quanto a alegoria foram vistas com desconfiança, mas continuaram presentes em certos círculos, inclusive entre luteranos e calvinistas.

BIBLIOGRAFIA

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Meolatitas

Os meolatitas eram os habitantes do povoado de Meolá, também conhecido como Abel-Meolá. Esta localidade é mencionada em diversos contextos bíblicos, principalmente associada ao profeta Eliseu.

Abel-Meolá era a cidade natal de Eliseu, filho de Safate (1 Reis 19:16; 2 Reis 3:11). Foi para Abel-Meolá que Elias foi enviado para ungir Eliseu como seu sucessor profético (1 Reis 19:16-21). A conexão de um profeta tão significativo com esta cidade confere a ela uma importância especial nas narrativas bíblicas.

Além de sua associação com Eliseu, Abel-Meolá é mencionada em outros contextos históricos e geográficos. Foi um dos locais para onde os midianitas em fuga foram perseguidos após a vitória de Gideão (Juízes 7:22). Abel-Meolá estava situada no vale do Jordão, ao sul de Bete-Seã (1 Reis 4:12, onde é mencionada como parte do distrito administrativo de Baaná, filho de Ailud).