Quadrilátero Wesleyano

O quadrilátero Wesleyano, também conhecido como as quatro fontes de autoridade teológica no Metodismo, é uma estrutura que descreve as quatro fontes primárias de orientação para a compreensão e interpretação da fé cristã dentro da tradição metodista.

Essas quatro fontes são:

  1. Escritura: A Bíblia, composta pelo Antigo e pelo Novo Testamento, é considerada a fonte primária e infalível da doutrina cristã. Os metodistas acreditam que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus, revelando o caráter de Deus, o plano de salvação e as instruções para viver uma vida santa.
  2. Tradição: Os metodistas valorizam os ensinamentos e práticas da igreja primitiva e o desenvolvimento contínuo do pensamento cristão ao longo da história. Reconhecem que a tradição pode fornecer informações valiosas sobre a interpretação das Escrituras e a compreensão da doutrina cristã. Contudo, a tradição não é considerada infalível e deve ser julgada pela sua consistência com as Escrituras.
  3. Razão: Os metodistas acreditam que a razão humana é um dom de Deus e pode ser usada para compreender as Escrituras e tomar decisões informadas sobre a fé e prática cristã. A razão serve para analisar textos bíblicos, discernir princípios éticos e envolver-se no discurso teológico.
  4. Experiência: Os metodistas enfatizam a importância da experiência pessoal da graça de Deus e da obra do Espírito Santo na vida de alguém. As experiências pessoais, quando alinhadas com as Escrituras, a tradição e a razão, podem elucidar sobre a natureza de Deus e a vida cristã.

O quadrilátero Wesleyano enfatiza a importância de utilizar estas quatro fontes de forma equilibrada e complementar. As Escrituras servem como base, enquanto a tradição, a razão e a experiência fornecem orientação adicionais. Esta estrutura permite que os metodistas abordem a fé cristã com uma combinação de rigor intelectual, consciência histórica e envolvimento pessoal.

O quadrilátero wesleyano desempenhou um papel significativo na formação da teologia e prática metodista, fornecendo uma estrutura para a interpretação das Escrituras, o desenvolvimento da doutrina e a tomada de decisões éticas.

Marcião de Sinope

Marcion ou Marcião de Sinope (c. 85 – c. 160) foi um líder da igreja cristã primitiva com controversos ensinamentos sobre a natureza de Deus e sua rejeição do Antigo Testamento.

Marcião nasceu em Sinope, uma cidade no Ponto (atual Turquia). A tradição diz que era filho de um bispo. Em 138 apareceu em Roma com uma versão do Evangelho e estabeleceu uma escola. Em 144 foi excomunicado pelas igrejas de Roma.

Marcião acreditava que o Deus do Antigo Testamento era uma divindade diferente do Deus do Novo Testamento, e que o Antigo Testamento era, portanto, irrelevante para os cristãos. Jesus não era o filho do Deus do Antigo Testamento, mas sim um ser divino enviado por um Deus desconhecido e superior para redimir a humanidade. Marcião escreveu as Antíteses para mostrar as diferenças entre o deus do Antigo Testamento e o verdadeiro Deus.

Apesar de ter sido rejeitado pela igreja cristã primitiva, Marcião influenciou no desenvolvimento da teologia cristã, particularmente nas áreas de formação do cânone e a relação entre o Antigo e o Novo Testamento. Marcião seria o responsável da mais antiga tentativa de estabelecer um cânon explícito para o cristianismo, que consistia no Euangelion (Evangelho do Senhor) e no Apostolikon (dez epístolas de Paulo, não incluindo as pastorais). Há um debate sobre se Marcião truncou Lucas e Paulo ou se escribas ortodoxos posteriores podem tê-los expandido em alguns casos.

Muitas das ideias de Marcião acabaram sendo condenadas como heréticas. Marcião recebe referências depreciativas do apologista contemporâneo Justino Mártir e do heresiólogo Irineu de Lyon. No entanto, podemos reconstruir os escritos de Marcião por meio das referências no Adversus Marcionem de Tertuliano, no Panarion de Epifânio, no Diálogo de Adamantius e nos Prólogos Antimarcionitas.

Existem três hipóteses principais sobre a relação entre o evangelho de Marcião e o evangelho de Lucas: 1) O Evangelion de Marcião deriva de Lucas por um processo de redução (a visão majoritária); 2) O atual evangelho de Lucas deriva-se do Evangelion de Marcião por um processo de expansão (Hipótese de Schwegler); e 3) O Evangelion de Marcião e Lucas de Marcião são ambos desenvolvimentos independentes de um proto-evangelho comum (Hipótese de Semler). Muitos de seus críticos pensaram que havia editado Lucas, embora alguns estudiosos tenham argumentado que o evangelho de Marcião era simplesmente um relato local semelhante a Lucas, que pode até ter sido uma fonte usada pelo terceiro evangelista. De qualquer forma, a crise marcionita levou à necessidade de haver escrituras cristãs autorizadas, literatura que poderia ser lida no culto e usada para resolver debates dogmáticos.

Marzeaḥ

Marzeaḥ (também escrito mazzeḥ, marzeach) refere-se a uma reunião social ou festa comumente realizada no antigo Levante, inclusive em Israel e Judá.

A palavra Marzeaḥ significa literalmente “banquete” ou “festa” em hebraico. O Marzeaḥ era tipicamente realizado em homenagem a uma divindade ou divindades e era frequentemente acompanhado por atividades rituais como canto, dança e bebida.

Como nos simpósios greco-romanos, os participantes sentavam-se em esteiras ou almofadas ao redor de mesas baixas e compartilhavam comida e bebida.

Embora o Marzeaḥ fosse uma atividade social comum no antigo Israel, é frequentemente mencionado na Bíblia em um contexto negativo, pois às vezes era associado ao culto idólatra e a práticas reprováveis.

Vemos, por exemplo, em Amós 6:4-7, o profeta condena aqueles que “se deitam em camas de marfim, e se estendem em seus leitos, e comem cordeiros do rebanho, e bezerros do meio do estábulo; que entoam canções ociosas para o som da harpa e, como Davi, inventam para si instrumentos de música; que bebem vinho em taças e se ungem com os melhores óleos, mas não se entristecem com a ruína de José!”

O Marzeaḥ também aparece em várias outras passagens da Bíblia Hebraica, incluindo Jeremias 16:5-9 e 1 Samuel 25:2-8. Nessas passagens, o Marzeaḥ é retratado como um tempo de excesso e indulgência, e como um símbolo do declínio moral e espiritual de Israel.

A festa Marzeaḥ é mencionada em Ugarit (KTU 1.114; 3.9). As taxas eram pagas, as pessoas reunia-se para consumir vinho e uma refeição, não um culto familiar aos mortos. Se havia atividade sexual (algo incerto), não deveria possuir caráter religioso. Geralmente um deus era o patrono a festa e recebia uma oferenda de vinho, mas esse gesto formal era o único elemento religioso do evento. Há um relato de Ugarit que menciona o deus El desmaiando em seu banquete Marzeah depois de beber demasiadamente (KTU 1.114).

Alguns estudiosos especularam se incidente de Baal-Peor (Números 26) teria sido uma Marzeaḥ, um culto aos mortos (cf. Salmo 106:28) e um rito sexual. No entanto, o texto não suporta essa conclusão, tampouco a passagem retrata o que é conhecido sobre o Marzeaḥ.

A natureza exata do Marzeach tem gerado interpretações variadas entre os estudiosos. Uma linha de pesquisa propõe que esses banquetes eram rituais para os mortos, possivelmente incluindo práticas como libações e até ritos sexuais, uma visão que se alinha a certas práticas funerárias do Oriente Próximo. Outros acadêmicos, contudo, interpretam Marzeach principalmente como um espaço de socialização para a elite, com foco em celebrações e banquetes, sem conotação religiosa substancial.

Associado com o ritual, o Marzeah Papyrus é um documento controverso que emergiu no mercado de antiguidades na década de 1990, gerando especulações por ser possivelmente a inscrição hebraica extra-bíblica mais antiga. Publicado por Pierre Bordreuil e Dennis Pardee, foi datado ao século VII a.C. com base em análises paleográficas, mencionando uma súplica por assistência divina e o enigmático local “Marzeach”. Contudo, devido à falta de contexto arqueológico, inconsistências paleográficas e conteúdo genérico, a autenticidade da inscrição foi amplamente contestada. Hoje, a maioria dos especialistas considera o papiro uma falsificação, embora o material possa ser genuinamente antigo.

BIBLIOGRAFIA

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Noll, Kurt L. “Canaanite religion.” Religion Compass 1.1 (2007): 61-92.

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Madame Acarie

Madame Acarie (1566–1618), também conhecida como Maria da Encarnação, foi uma mística francesa e freira carmelita que viveu no final do século XVI e início do século XVII.

Nasceu Marie Guyart em Paris em 1566, em uma família rica da nobreza católica.

Marie se casou com um advogado rico e teve seis filhos. Ela era conhecida por sua devoção à oração e ao trabalho de caridade, e usava sua posição social para ajudar os pobres e enfermos. Fávoravel à reforma religiosa, foi atraída para a ordem carmelita descalça, que enfatizava uma vida de oração contemplativa.

Em 1604, Marie experimentou um profundo despertar espiritual que a levou a buscar uma vida de maior devoção e contemplação. Tornou-se freira carmelita em 1615, assumindo o nome de Maria da Encarnação, e desempenhou um papel fundamental no estabelecimento da ordem carmelita na França.

As experiências místicas de Marie foram notórias, mas seu conteúdo permanece desconhecido. Seus escritos sobre a vida espiritual foram amplamente respeitados em seu tempo.

Mesad Hashavyahu Ostracon

O Mesad Hashavyahu Ostracon ou Yavne-Yam ostracon é um pequeno fragmento de cerâmica descoberto em 1965 em um sítio arqueológico em Israel conhecido como Mesad Hashavyahu.

O Mesad Hashavyahu Ostracon é significativo porque contém um dos primeiros exemplos conhecidos de escrita hebraica, que remonta ao século VII aC. Meṣad Hashavyahu era uma antiga fortaleza na fronteira do antigo Reino de Judá, de frente para a cidade filisteia de Asdode, perto do Mar Mediterrâneo.

A inscrição no ostracon é um documento legal que se refere a uma disputa sobre a propriedade de um vinhedo e seus produtos. Registra um apelo por escrito de um camponês o ao governador da fortaleza sobre o confisco de seu manto penhorado. (cf. Êxodo 22:25). Faz a primeira menção extrabíblica do sábado.

O texto é escrito a tinta e consiste em 6 linhas com um total de 17 palavras, tornando-o um dos exemplos conhecidos de escrita hebraica.