Betfagé

Betfagé, cujo nome aramaico provavelmente significa “Casa dos Figos Verdes”, era uma pequena aldeia situada no Monte das Oliveiras, nas proximidades de Jerusalém e de Betânia.

Localizada na encosta leste da montanha, próxima à estrada que ligava Jericó à cidade santa, e vizinha de Betânia a noroeste, Betfagé se acredita ter estado a uma curta distância de um dos cumes do Monte das Oliveiras, de onde se podia contemplar Jerusalém. Referências talmúdicas a marcavam como o limite da área sabática ao redor da cidade.

Sua principal relevância bíblica reside no fato de ter sido o ponto de partida da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, narrada nos Evangelhos sinóticos. Foi ali que Jesus enviou dois de seus discípulos para buscar um jumento e um jumentinho, cumprindo a profecia messiânica de Zacarias e simbolizando a humildade e a paz de sua chegada.

O nome da aldeia sugere a possível presença de figueiras que produziam frutos temporãos. Embora sua localização exata na atualidade não seja estabelecida, a tradição cristã a situa no lado leste do Monte das Oliveiras, ao longo da estrada para Betânia, onde um santuário franciscano moderno comemora o evento bíblico. Alguns estudiosos a identificam com a atual Kefr et-Tur, na encosta sudeste do monte, enquanto outros a posicionam entre Betânia e Jerusalém.

Bete-Semes

Bete-Semes (בֵּית שֶׁמֶשׁ, Beth Shemesh) significa “Casa do Sol” em hebraico. Era um povoado de Judá, estrategicamente localizado perto da divisa com os filisteus (1 Samuel 6:12; Josué 15:10). Essa proximidade fazia com que a região fosse frequentemente palco de disputas entre israelitas e filisteus.

Situava-se na região da Sefelá, a planície baixa entre as montanhas de Judá e a costa filisteia. Sua identificação moderna é geralmente associada a Tel Beit Shemesh, a cerca de 20 km a oeste de Jerusalém.

Bete-Semes era designada como uma cidade para os levitas, especificamente para os descendentes de Arão (Josué 21:13-16; 1 Crônicas 6:57-59).

No evento do retorno da Arca da Aliança pelos filisteus, após sete meses em território filisteu, assolados por pragas, os filisteus enviaram a Arca de volta em uma carroça puxada por vacas, que seguiram diretamente para Bete-Semes (1 Samuel 6:1-16). A alegria dos habitantes ao ver a Arca foi grande, mas a curiosidade de alguns em olhar para dentro dela resultou em uma grande mortandade pelo Senhor (1 Samuel 6:19).

Também foi palco de uma batalha entre Jeoás, rei de Israel, e Amazias, rei de Judá (2 Reis 14:11-13). Em algum momento, foi tomada pelos filisteus durante o reinado de Acaz (2 Crônicas 28:18). Bete-Semes fazia parte de um dos distritos administrativos de Salomão (1 Reis 4:9).

O nome “Casa do Sol” e as ruínas encontradas na região sugerem que havia um culto significativo ao sol em Bete-Semes e seus arredores na antiguidade.

Bete-Seã

Bete-Seã era uma importante cidade localizada no vale do rio Jordão, aproximadamente 22 km ao sul do Mar da Galileia (também conhecido como Lago de Tiberíades ou Lago de Genesaré). Sua posição estratégica, no cruzamento de rotas comerciais que ligavam o norte e o sul, bem como o leste e o oeste, conferiu-lhe grande relevância histórica e militar.

A cidade é mencionada em diversos momentos da Bíblia. Após a morte do rei Saul e de seus filhos em batalha contra os filisteus no Monte Gilboa, seus corpos foram levados e pendurados nos muros de Bete-Seã como um símbolo da vitória filisteia (1 Samuel 31:10). No entanto, os corajosos habitantes de Jabes-Gileade atravessaram o Jordão à noite, retiraram os corpos e os sepultaram com honras (1 Samuel 31:11-13).

Bete-Seã também é mencionada em relação à divisão da terra prometida, sendo parte do território atribuído à tribo de Manassés, embora estivesse localizada a oeste do rio Jordão (Josué 17:11). Os cananeus continuaram a habitar a cidade, embora tenham sido subjugados pelos israelitas (Josué 17:12-13; Juízes 1:27-28).

No período do Novo Testamento, Bete-Seã era conhecida como Citópolis e era uma das cidades da Decápolis, uma liga de dez cidades helenísticas.

Bete-Áven

Bete-Áven (בֵּית אָוֶן, Beth Aven) significa em hebraico “Casa da Vaidade”, “Casa da Iniquidade” ou “Casa do Nada”. Na Bíblia, o termo é usado de duas maneiras principais:

1. Uma cidade na tribo de Benjamim. Localizava-se perto da antiga cidade de Ai, a leste de Betel e a oeste de Micmás, no deserto (Josué 7:2; 18:11-12; 1 Samuel 13:5; 14:23). Foi palco de uma batalha onde Saul e Jônatas derrotaram os filisteus (1 Samuel 13-14). Sua localização exata hoje não é identificada.

2. Um nome depreciativo para Betel. Os profetas Oseias e Amós usaram o nome Bete-Áven em vez de Betel para se referirem à cidade que antes era chamada de “Casa de Deus” (Bet-El). Essa mudança de nome era uma crítica à idolatria que se estabeleceu em Betel, particularmente a adoração do bezerro de ouro instituída por Jeroboão I (1 Reis 12:28-30). Ao chamá-la de “Casa da Vaidade” ou “Casa da Iniquidade”, os profetas denunciavam a inutilidade e o pecado da adoração idólatra ali praticada (Oseias 4:15; 5:8; 10:5, 8; Amós 5:5).

Geteus

Os geteus eram os habitantes da cidade filisteia de Gate, uma das cinco principais cidades-estado da Filístia, juntamente com Gaza, Asquelom, Asdode e Ecrom. Gate era conhecida por ser a terra natal de Golias, o gigante filisteu que desafiou o exército de Israel e foi derrotado por Davi (1 Samuel 17). Esse evento confere a Gate uma notoriedade especial nas narrativas bíblicas.

Além de Golias, Gate é mencionada em outras ocasiões, frequentemente associada à presença de outros guerreiros filisteus de grande estatura (2 Samuel 21:19-22; 1 Crônicas 20:5-8), sugerindo que a cidade poderia ter sido um centro de poder militar filisteu. Durante o reinado de Davi, ele próprio buscou refúgio em Gate por um período, junto com seus seguidores, temendo a perseguição de Saul (1 Samuel 21:10-15). Davi serviu sob Aquis, o rei de Gate, e essa experiência demonstra a complexidade das relações entre Israel e os filisteus, que envolviam tanto conflito quanto interação.

Gate é também mencionada em contextos de fronteira e em listas de cidades filisteias (Josué 13:3; 1 Samuel 6:17). Profecias contra a Filístia também incluem Gate, indicando sua importância regional (Amós 1:6-8). Escavações arqueológicas em Tel es-Safi, geralmente identificado como a antiga Gate, revelaram evidências de uma grande e importante cidade com uma longa história de ocupação, confirmando sua relevância no mundo antigo.