Gibleus

Os gibleus eram um povo que habitava a região montanhosa da Palestina. O nome “Gibleu” está associado à cidade fenícia de Gebal, localizada na costa do Líbano, e seus habitantes eram chamados de gebalitas (Ezequiel 27:9; 1 Reis 5:18). A Septuaginta e a Vulgata frequentemente traduzem “gebaleu” como “gibleu”.

A menção dos gibleus em conexão com as montanhas da Palestina pode se referir a um grupo ou tribo com alguma ligação com a cidade de Gebal que se estabeleceu ou tinha influência nas áreas montanhosas ao sul, ou pode haver uma confusão ou variação na identificação desse povo em diferentes textos e traduções.

No contexto de Ezequiel 27:9, os “anciãos de Gebal e seus sábios” são mencionados como calafates que reparavam os navios de Tiro, indicando uma habilidade marítima e artesanal associada a essa cidade costeira. Já em 1 Reis 5:18 (5:32 na Septuaginta), os “homens de Gebal” são descritos como cortadores de pedras e construtores, trabalhando na preparação de madeira e pedras para a construção do templo de Salomão em Jerusalém, em aliança com Hirão, rei de Tiro.

Se os gibleus se referem a um povo montanhês da Palestina, sua identidade e relação específica com a Gebal costeira não são claramente detalhadas nas fontes bíblicas. É possível que houvesse migrações ou assentamentos de pessoas de Gebal no interior montanhoso, ou que “gibleu” tenha sido usado para descrever habitantes de regiões montanhosas em geral, talvez devido à semelhança com o terreno acidentado ao redor de Gebal. No entanto, a associação mais direta e clara do termo é com os habitantes da cidade fenícia de Gebal.

Gilonitas

Os gilonitas eram os habitantes da cidade de Gilo, identificada atualmente como Khirbet Jala, localizada aproximadamente 11 km ao norte do Monte Hebrom. A Bíblia menciona apenas um gilonita notável: Aitofel.

Aitofel era um conselheiro de grande sabedoria e confiança tanto para o rei Davi quanto, posteriormente, para Absalão durante sua rebelião. Sua opinião era tão respeitada que a Escritura dizia que o conselho de Aitofel era como se alguém consultasse a palavra de Deus (2 Samuel 16:23). Ele se juntou à conspiração de Absalão contra Davi e ofereceu estratégias para consolidar o poder de Absalão e derrotar Davi (2 Samuel 15:12; 16:20-23). No entanto, quando seu conselho foi rejeitado em favor do de Husai, Aitofel percebeu que a rebelião de Absalão estava fadada ao fracasso. Desonrado e desesperado, ele retornou à sua cidade, Gilo, pôs sua casa em ordem e se enforcou (2 Samuel 17:1-23).

A história de Aitofel destaca Gilo como sua cidade de origem e ilustra como indivíduos de cidades relativamente pequenas poderiam ascender a posições de grande influência. A traição de Aitofel a Davi e seu trágico fim são elementos importantes na narrativa da rebelião de Absalão.

Girgaseus

Os girgaseus eram uma das tribos descendentes de Canaã (Gênesis 10:15-16; 1 Crônicas 1:13-14), e seu território estava localizado a oeste do rio Jordão. Eles são mencionados na lista das nações que habitavam a terra de Canaã e que foram prometidas aos descendentes de Abrão (Gênesis 15:19-21; Deuteronômio 7:1; Josué 24:11).

Embora os girgaseus sejam consistentemente listados entre os povos cananeus que os israelitas deveriam desalojar, as narrativas bíblicas fornecem poucos detalhes específicos sobre sua cultura, organização social ou interações diretas com os israelitas durante a conquista. Eles aparecem principalmente em listas genéricas das populações da região.

A ausência de relatos detalhados sobre conflitos específicos com os girgaseus pode indicar que eles foram assimilados ou subjugados relativamente cedo no processo de conquista, ou que seu território não era central para os principais eventos narrados nos livros de Josué e Juízes. A menção de seu território a oeste do Jordão apenas fornece uma localização geográfica geral dentro do cenário da conquista de Canaã.

Hararitas

Os hararitas eram os habitantes de uma região montanhosa, sendo geralmente associados às montanhas de Judá ou de Efraim. O termo “hararita” deriva da raiz hebraica “har” (הַר), que significa montanha, indicando, portanto, um habitante da montanha ou da região montanhosa.

Na Bíblia, alguns indivíduos são designados como hararitas, o que sugere que essa era uma identificação geográfica comum para pessoas daquelas áreas. Sama, filho de Agé, o hararita, é mencionado entre os valentes de Davi (2 Samuel 23:11). Outro indivíduo, Aião, filho de Sarar, o ararita (uma possível variação de hararita), também é listado entre os guerreiros de Davi (1 Crônicas 11:35). A menção desses homens indica que a região montanhosa de Judá ou Efraim era uma área de onde provinham guerreiros para o exército de Davi.

A designação “hararita” servia para distinguir indivíduos por sua origem geográfica dentro do território de Israel, especificamente nas áreas montanhosas que caracterizavam grande parte de Judá e Efraim.

Itritas

Os itritas eram o nome de uma família da qual descenderam dois oficiais importantes do exército do rei Davi: Ira, o itríta, e Garebe, o itríta. Ambos são mencionados nas listas dos valentes de Davi, destacando sua bravura e lealdade ao rei.

Ira, o itrita, é listado entre os trinta guerreiros de Davi (2 Samuel 23:38; 1 Crônicas 11:40). Sua inclusão nessa elite militar destaca sua importância e habilidade como combatente.

Garebe, o itrita, também figura na lista dos valentes de Davi (2 Samuel 23:38; 1 Crônicas 11:39). A proximidade de Ira e Garebe na listagem sugere que eles poderiam ter sido irmãos ou membros próximos da mesma família itríta.

A origem geográfica específica ou a história da família dos itritas não são detalhadas extensivamente nas Escrituras além da identificação desses dois oficiais.