Howard Thurman

Howard Thurman (1899-1981) foi um teólogo, educador e ativista dos direitos civis americano,

A obra Thurman foi permeada por uma interpretação da Bíblia centrada na experiência dos marginalizados. Thurman, formado em teologia, utilizou a Bíblia como fonte de esperança e resistência, especialmente para a comunidade afro-americana. Seus livros, como “Jesus and the Disinherited” (1949), discorrem sobre os ensinamentos de Jesus para aqueles que sofrem opressão, conectando a fé cristã com a luta pela justiça social.

A teologia de Thurman enfatiza a dignidade intrínseca de cada ser humano e a necessidade de uma espiritualidade que impulsione a ação social. Seus escritos têm sido objeto de estudo em diversas áreas, incluindo teologia, ética e estudos afro-americanos.

A influência de Thurman transcende o contexto acadêmico, impactando líderes do movimento dos direitos civis, como Martin Luther King Jr., que o considerava um mentor. A sua abordagem bíblica, que destaca a relevância da mensagem de Jesus para os oprimidos, continua a inspirar debates sobre fé, justiça e transformação social.

Fragmentos de Hipólito de Roma sobre Isaías

Os fragmentos de Hipólito de Roma sobre Isaías registram fontes que expandem o texto de Isaías. Talvez fossem uma midrash ou uma versão de Isaías ora desconhecida.

O escritor patrístico e bispo romano Hipólito (c.170 – c.235) utilizando uma versão grega de Isaías, cita uma versão desconhecida de Isaías. Sua abordagem interpretativa remete a elementos de midrash, uma forma de exegese que busca aprofundar o significado dos textos bíblicos por meio de interpretações alegóricas, tipológicas e homiléticas.

O primeiro fragmento, sobre Isaías 38:8, relaciona o milagre do retrocesso da sombra no reinado de Ezequias com o milagre de Josué em Josué 10:12. Hipólito argumenta que, enquanto o dia de Josué se estendeu por vinte e quatro horas, o de Ezequias durou trinta e duas, devido ao retrocesso do sol e da lua. O fragmento enfatiza a ordem cósmica preservada, evitando uma colisão entre os corpos celestes, e conecta o evento à admiração de Merodaque-Baladã, rei da Babilônia, que, como os magos do oriente, reconheceu um sinal divino.

O segundo fragmento interpreta simbolicamente o Egito como o mundo, as obras das mãos como idolatria e o tremor como subversão. Hipólito vê o Senhor, o Verbo, sobre uma nuvem luminosa, representando a encarnação de Jesus Cristo, que veio para erradicar o erro.

O terceiro fragmento detalha o cálculo das trinta e duas horas do dia de Ezequias, reiterando o retrocesso do sol por dez graus após atingir a décima hora e a subsequente conclusão de seu curso normal. Esses fragmentos revelam a abordagem alegórica e tipológica de Hipólito, integrando eventos do Antigo Testamento à sua compreensão da teologia cristã e da ordem cósmica.

William Perkins

William Perkins (1558–1602) foi um clérigo puritano inglês, cujo pensamento teológico moldou o puritanismo.

Nascido em Marston Jabbett, Warwickshire, Perkins estudou no Christ’s College, Cambridge, onde se tornou mestre e posteriormente fellow. Sua conversão ao puritanismo afetou sua vida e ministério. Perkins destacou-se como um pregador e um escritor prolífico, produzindo obras que abordavam desde a doutrina da predestinação até a aplicação prática da fé na vida cotidiana.

A teologia de Perkins tinha foco na justificação pela fé e na importância da santificação. Enfatizava a necessidade de um exame rigoroso da consciência e a busca constante pela certeza da salvação. Seus escritos sobre a “arte de profetizar” (pregação) influenciaram gerações de pregadores puritanos, promovendo um estilo de pregação claro, metódico e aplicado à vida dos ouvintes. Perkins também desenvolveu uma teologia do pacto, que delineava a relação entre Deus e a humanidade em termos de alianças.

Hosana

Hosana (ὡσαννά, hōsaná; הוֹשַׁעְנָא, hoshana), uma interjeição encontrada nos evangelhos sinópticos e em João, que no hebraico significa “salva, rogamos” ou “salva agora”.

Originalmente, era uma súplica por ajuda, encontrada em Salmos 118:25, parte do Hallel (הַלֵּל), uma coleção de salmos recitada durante as festas, incluindo a Festa dos Tabernáculos (סֻכּוֹת, Sukkot). No Novo Testamento, especificamente na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, “hosana” evoluiu para uma aclamação messiânica, expressando reconhecimento de Jesus como o Messias esperado. A multidão, ao citar Salmos 118:26 (“Bendito o que vem em nome do Senhor”), aplicou a súplica de salvação a Jesus, reconhecendo-o como o “Filho de Davi”. Essa transformação da súplica em aclamação reflete a expectativa messiância de um libertador, e a aplicação do termo a Jesus sinaliza a crença de que ele era o cumprimento dessa esperança.

A frase “hosana nas alturas” sugere uma invocação divina, reconhecendo a origem celestial da salvação. A utilização de “hosana” nos relatos evangélicos sublinha a tensão entre a expectativa popular de um Messias político e a missão de Jesus, que transcendia as expectativas terrenas.

Entrada Triunfal

A Entrada Triunfal, evento crucial no ministério de Jesus, marca seu ápice ao chegar a Jerusalém, conforme narrado nos Evangelhos (Mateus 21:1–11; Marcos 11:1–11; Lucas 19:28–40; João 12:12–19), inaugurando a Paixão. Os relatos compartilham elementos como Jesus montado em um jumento, a multidão estendendo vestes e ramos, e aclamações entusiásticas.

Em Marcos, o jumento não montado, possivelmente aludindo a Zc 9:9, simboliza um uso sagrado, e a ausência de títulos messiânicos pode refletir o “segredo messiânico” do evangelho, sugerindo que a multidão não compreendia plenamente a identidade de Jesus. A conclusão de Marcos, com Jesus entrando no templo e saindo, destaca a cronologia sobre convenções narrativas.

Mateus enfatiza o cumprimento de Zc 9:9, com uma paráfrase que se desvia do texto hebraico e da Septuaginta para focar na humildade de Jesus. A menção de dois animais, um jumento e um jumentinho, interpreta o paralelismo de Zc 9:9, embora discutível. O papel destacado das multidões, ambivalentes quanto a Jesus, reflete a complexidade da resposta judaica.

Lucas identifica a multidão como discípulos, diferenciando-os dos que rejeitam Jesus. A paz, tema central, ecoa profecias anteriores e contrasta com a destruição de Jerusalém, prevista por Jesus por não reconhecê-lo como rei.

João posiciona a paráfrase de Zc 9:9 após as aclamações, indicando que a compreensão da profecia ocorreu após a glorificação de Jesus. A multidão, atraída pelo milagre da ressurreição de Lázaro, aclama Jesus como Rei de Israel.

O pano de fundo do Antigo Testamento, especialmente Zc 9:9, molda a compreensão da entrada triunfal, com temas de realeza, paz e julgamento. Gênesis 49:11, 2 Reis 9:1–13 e Salmos 118:25–26 fornecem outros paralelos.

No contexto greco-romano, a entrada triunfal ecoa celebrações de heróis vitoriosos, com elementos como vitória prévia, entrada cerimonial, aclamações e entrada no templo.

A historicidade do evento, apesar das diferenças nos Evangelhos, é defendida por múltiplos testemunhos, coerência narrativa e plausibilidade no contexto do Antigo Testamento.

Teologicamente, a entrada triunfal revela a chegada do reino e do rei a Jerusalém, um prelúdio irônico da crucificação, cumprindo profecias de julgamento e redenção. A tensão entre aceitação e rejeição permite explorar a glória paradoxal de Jesus ao abraçar a cruz.