Bebida forte

A “bebida forte” na Bíblia se refere a qualquer bebida alcoólica fermentada com potencial para embriagar. Embora a Bíblia não forneça uma receita precisa, Isaías 5:22 menciona uma bebida feita de cevada e especiarias, possivelmente uma forma de cerveja primitiva. Outras bebidas fortes comuns no mundo antigo incluíam vinho, feito de uvas fermentadas, e sidra, produzida a partir de maçãs.

O consumo de bebida forte é frequentemente associado a festividades e celebrações na Bíblia (Dt 14:26; Ec 9:7). No entanto, as Escrituras também alertam sobre os perigos do excesso e da embriaguez. Provérbios 20:1 adverte que “o vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; e todo aquele que por eles é vencido não é sábio”. O consumo excessivo é condenado por levar à perda de controle, violência e comportamento imoral (Pv 23:29-35).

Embora o consumo moderado de vinho seja tolerado em alguns contextos, a Bíblia enfatiza a sobriedade e o autocontrole. Efésios 5:18 exorta os cristãos a não se embriagarem com vinho, mas a serem cheios do Espírito Santo.

Barjesus

Barjesus, também conhecido como Elimas, era um mágico judeu que atuava na corte de Sérgio Paulo, procônsul romano da ilha de Chipre no século I d.C. (At 13:6-7). Seu nome, que significa “filho de Jesus” ou “filho da salvação”, contrasta fortemente com suas ações como feiticeiro e falso profeta.

Quando Paulo e Barnabé chegaram a Chipre para pregar o evangelho, Barjesus se opôs à mensagem cristã, tentando desviar Sérgio Paulo da fé. (At 13:8). Esse confronto direto com os apóstolos resultou em um julgamento divino: Paulo, cheio do Espírito Santo, declarou que Barjesus seria temporariamente cego (At 13:9-11). A cegueira repentina que se abateu sobre o mágico impactou o procônsul, que, maravilhado com o poder de Deus, se converteu ao cristianismo (At 13:12).

Balaque

Balaque, rei de Moabe, filho de Zipor, reinou no século XV a.C. Atemorizado com o crescente poderio israelita após a saída do Egito, Balaque buscou uma solução mística para conter o avanço do povo liderado por Moisés: a maldição. Para isso, contratou Balaão, um profeta renomado da Mesopotâmia (Nm 22:2-7).

A narrativa bíblica destaca a jornada de Balaão até Moabe, marcada pela intervenção divina que o impede de amaldiçoar Israel. Mesmo com a insistência de Balaque e a promessa de ricas recompensas, Balaão, compelido por Deus, abençoa o povo que deveria amaldiçoar (Nm 22:12; 24:10).

A história de Balaque e Balaão ilustra a soberania divina sobre as nações e a ineficácia de qualquer tentativa de frustrar os planos de Deus. O episódio também revela a complexa relação entre Moabe e Israel, marcada por conflito e tentativas de manipulação. Apesar do medo e da hostilidade de Balaque, a intervenção divina garante a proteção e o avanço de Israel rumo à Terra Prometida. (Nm 23:8; Js 24:9).

Cristianismo Godo

O Cristianismo encontrou terreno fértil entre os godos na primeira metade do século IV, tornando-os pioneiros entre as tribos germânicas a abraçar a nova fé. A conversão dos godos, ocorrida em meio à efervescência da controvérsia ariana, foi moldada por um conjunto de fatores tanto internos quanto externos, culminando na adoção do Cristianismo em sua forma ariana.

A evangelização dos godos se entrelaçou com os conflitos e contatos com o Império Romano. Prisioneiros romanos exerceram influência sobre seus captores godos, introduzindo-os à fé cristã. No início do século IV, o Cristianismo já havia se enraizado nas comunidades góticas, como atesta Atanásio, o Grande. A nomeação de Teófilo como primeiro bispo da diocese gótica em 322 e sua participação no Primeiro Concílio de Nicéia em 325 marcam um passo importante na organização da Igreja Gótica.

Wulfila, figura central na cristianização dos godos, traduziu a Bíblia para o idioma gótico, criando um legado literário e religioso duradouro. Sua tradução, iniciada em meados do século IV, serviu aos godos e influenciou outros povos germânicos.

A controvérsia ariana, que questionava a divindade de Cristo, marcou o Cristianismo gótico. O reino visigodo, estabelecido na Península Ibérica, adotou o arianismo como religião oficial, enquanto o reino ostrogodo, na Itália, seguiu o mesmo caminho. A conversão do rei visigodo Recaredo I ao catolicismo em 589, oficializada no Terceiro Concílio de Toledo, encerrou o domínio ariano entre os visigodos e inaugurou uma nova era de hegemonia católica.

A herança arquitetônica do Cristianismo gótico se manifesta em construções como a igreja de Santa Maria dei Gotici em Ravenna, Itália, um testemunho da presença ostrogoda na região. A liturgia gótica, embora pouco documentada, evidencia a riqueza e a diversidade das práticas religiosas entre os godos.

BIBLIOGRAFIA

Thompson, Edward A. The Visigoths in the Time of Ulfila. Oxford: Clarendon, 1966, 94–102.

Wolfram, Herwig. History of Goths, trans. Thomas J. Dunlap. Berkeley: University of California Press, 1988, 79–81.

Novo Aliancismo

A Teologia da Nova Aliança (New Covenant Theology – NCT) ou Novo Aliancismo é uma estrutura teológica que surgiu principalmente em círculos Batista Reformados no final do século XX. Abordar e criticar a Teologia da Aliança ou do Pacto, rejeitando doutrinas centrais como diferentes alianças para a redenção, as obras e a graça. O movimento foi moldado por John Reisinger, Tom Wells, Fred Zaspel, John Zens e Steve Lehrer.

As origens da NCT estão vinculadas a igrejas locais e redes informais, em vez de instituições acadêmicas. Organizações-chave que promoveram a NCT incluem o Providence Theological Seminary, Sound of Grace Ministries, a John Bunyan Conference e o In-Depth Studies.

A NCT afirma que as leis do Antigo Testamento foram abolidas ou canceladas com a crucificação de Jesus, sendo substituídas pela Lei de Cristo na Nova Aliança. Embora compartilhe semelhanças com o dispensacionalismo e a teologia da aliança, a NCT é um arcabouço teológico distinto.

Nessa doutrina, a Lei Mosaica, incluindo seus aspectos morais, cerimoniais e civis, foi cumprida em Cristo e não se aplica mais aos cristãos. A ênfase recai sobre a ética do Novo Testamento, expressa nos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos. Essa posição gera debate sobre a continuidade e descontinuidade entre as alianças bíblicas.