Amos Yong

Amos Yong é um teólogo pentecostal baseado nos Estados Unidos.

Nascido em uma família de etnia chinesa em Taiping, Malásia, migrou para os Estados Unidos onde estudou na Califórnia e Portland até obter seu doutorado em Religião e Teologia na Boston University, sob orientação de Robert Cummings Neville (1998) sobre uma teologia cristã a respeito das religiões mundiais.

Dado a seu interesse pelo cristianismo (e pentecostalismo) global, bem como interação com outras religiões e ciência, o prolífico trabalho de Yong ganhou notoriedade. Publicou mais de 50 livros e 200 artigos. Adicionalmente investiga também temas diversos que são poucos discutidos, como a teologia da disabilidade, a hospitalidade e o diálogo entre ciência e experiência do Espírito Santo. É um dos atores contemporâneos envolvidos no diálogo teológico entre cristianismo e budismo.

Foi presidente da Society for Pentecostal Studies (2008-09), editor da PNEUMA, Journal of Religion, Disability & Health e Religious Studies Review.

Sua carreira acadêmica inclui ser deão no Fuller Theological Seminary, professor na Regent University School of Divinity, na cátedra J. Rodman Williams Professor of Theology, na Bethel University em St. Paul e no Bethany College of the Assemblies of God. Além do trabalho acadêmico, também exerce o ministério pastoral, sendo filiado à Igreja Internacional do Evangelho Quadrangular.

BIBLIOGRAFIA

Yong, Amos. “Between the Local and the Global: Autobiographical Reflections on the Emergence of the Global Theological Mind,” in Shaping a Global Theological Mind, ed. Darren C. Marks (Burlington, VT: Ashgate, 2008), 187-94.

Yong, Amos. Discerning the Spirit(s): A Pentecostal-Charismatic Contribution to Christian Theology of Religions.Sheffield: Sheffield Academic Press, 2000.

Yong, Amos. Beyond the Impasse: Toward a Pneumatological Theology of Religions. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2003.

Yong, Amos. Spirit-WordCommunity: Theological Hermeneutics in Trinitarian Perspective. Burlington, VT: Ashgate, 2002.

Yong, Amos. The Spirit Poured Out on All Flesh: Pentecostalism and the Possibility of Global Theology (Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2005);

Yong, Amos. Theology and Down Syndrome: Reimagining Disability in Late Modernity. Waco, TX: Baylor University Press, 2007.

Yong, Amos. Hospitality and the Other: Pentecost, Christian Practices and the Neighbor Maryknoll, NY: Orbis Books, 2008.

Vondey, Wolfgang and Martin William Mittelstadt, eds., The Theology of Amos Yong and the New Face of Pentecostal Scholarship: Passion for the Spirit. Global Pentecostal and Charismatic Studies 14. Leiden: Brill, 2013.

Yetzer ha-Ra’

Yetzer ha-Ra’, em hebraico יֵצֶר הַרַע, é o conceito judaico de inclinação ou impulso para o mal. O conceito é derivado de Gn 6:5, 8:21.

No pensamento rabínico, Deus fez as inclinações boas (Yetzer Ṭob ou Yetzer Ha-tov) e más (Yetzer ha-Ra’). No entanto, mesmo este último tem alguma bondade, porque a humanidade então ordena o amor de Deus. Ambas as inclinações são inerentes à humanidade e não interagem de forma dissociada. Juntos, eles ajudam a criar a vida humana pelos interesses da ânsia de lucrar, casar, ter filhos, comer e beber. É similar ao conceito de vícios privados, benefícios públicos da fabula abelhas de Bernard de Mandeville.

Segundo os rabinos, o Yetzer ha-Ra’ tem sete nomes diferentes na Bíblia: mal (Gn 8:21); incircunciso (Dt 10:16); impuro (Sl 51:12); inimigo (Pv 25: 21); pedra de tropeço (Is 57:14); pedra (Ez 36:26); e oculto (Jl 3:20). É popularmente identificado com as concupiscências da carne, vingança, avareza, traquinagem infantil, ira, violência, vaidade, idolatria, inveja e outros atos reprováveis.

Mais tarde, na Idade Média, o conceito foi identificado com Satanás e com o anjo da morte (B. B. 16a; comp. Maimônides, “Moreh”, 3. 12, 3. 22).

O Yetzer ha-Ra’ não é de origem humana ou demoníaca, mas tem Deus como o Criador de tudo. O ser humano é responsável por ceder à sua influência. Com as instruções de Deus (Torá), a humanidade é capaz de resistir às más inclinações e fazer o bem. O ser humano nasce com esse impulso maligno até que surge aos treze anos, o Yetzer Ha-tov, uma inclinação contrabalançada para o bem.

De acordo com Rabi Jonathan, o Yetzer, como Satanás, engana o homem neste mundo e testemunha contra ele no mundo vindouro (Suk. 52b). No entanto, distingue-se de Satanás. Em outras ocasiões é apresentado como paralelo ao pecado. (Gen. Rabbah 22; a parábola de 2 Sm 12. 4). Deus finalmente destruirá o Yetzer ha-Ra’, como prometido em Ez 36:26.

O termo “yetzer” aparece tanto em Dt 31:21 e em Is 26:3 para a disposição da mente. No Judaísmo do Segundo Templo, essa inclinação tornou-se mais cristalizada em Siraque 15:14: “Deus criou o homem desde o princípio… e o entregou nas mãos de seu Yetzer.” (Cf. Siraque 6:22; Ed 4:8, Rm 7:7-24)

O conceito de pecado original não existe no judaísmo no sentido de a queda de Adão ter transmitido malícia e culpa à posterioridade humana. Adão e Eva já tinham a inclinação para o mal, mas o pecado de desobediência não foi motivado pela Yetzer ha-ra’. Antes, na escolha deles sopesou as duas Yetzer. Por vezes, as noções de depravação humana irremediável ou de concupiscência no cristianismo são comparáveis com o conceito de Yetzer ha-Ra’.

VER TAMBÉM

BIBLIOGRAFIA

Allen, Wayne. Thinking about Good and Evil. JPS Essential Judaism. Lincoln: Jewish Publication Society, 2021. 

Rosen-Zvi, Ishay. Demonic Desires. Divinations: Rereading Late Ancient Religion. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2011.

Rosen-Zvi, Ishay. “Refuting the Yetzer: The Evil Inclination and the Limits of Rabbinic Discourse.” The Journal of Jewish Thought & Philosophy 17, no. 2 (2009): 117-41.

Sol, Adam. “”Were It Not for the Yetzer Hara”: Eating, Knowledge, and the Physical in Jonathan Rosen’s “Eve’s Apple”.” Shofar (West Lafayette, Ind.) 22, no. 3 (2004): 95-103.

Towers, Susanna. “The Rabbis, Gender, and the Yetzer Hara: The Origins and Development of the Evil Inclination.” Women in Judaism 15, no. 2 (2018): 1.

“Yeẓer ha ra'”  Jewish Encyclopedia.