C. Norman Kraus

Charles Norman Kraus (1929-2024), conhecido como C. Norman Kraus, foi um teólogo, professor e autor menonita.

Nascido na região de Tidewater, Virgínia, Kraus se destacou como um prodígio acadêmico desde cedo. Após frequentar o Eastern Mennonite College, estudou no Goshen Biblical Seminary, onde foi contratado como professor de Bíblia e história da igreja aos 27 anos. Permaneceu nessa instituição por toda a sua carreira docente, embora com interrupções para estudos e experiências de ministério.

Sua contribuição acadêmica começou com a dissertação de mestrado na Princeton Theological Seminary, publicada como Dispensationalism in America: Its Rise and Development (1958). Este livro foi pioneiro em sua análise do dispensacionalismo entre os cristãos americanos e influenciou historiadores como Ernest Sandeen. Após obter seu Ph.D. na Duke University, com foco em teologia, Kraus publicou The Community of the Spirit (1974), seguido por The Authentic Witness: Credibility and Authority (1979). Ambas as obras articulavam uma alternativa anabatista às compreensões protestantes e evangélicas tradicionais, enfatizando a unidade entre crença e ação, e o papel da “comunidade messiânica” no discipulado fiel.

Uma fase crucial em sua vida e obra começou em 1980, quando ele se mudou para o Japão por sete anos. Lá, uma pergunta de um amigo japonês sobre o porquê da crucificação de Jesus o impulsionou a desenvolver uma cristologia construtiva. O resultado foi sua obra-prima, Jesus Christ Our Lord: Christology from a Disciple’s Perspective (1987). Este livro, acessível e academicamente rigoroso, propôs uma cristologia narrativa enraizada na história dos Evangelhos, em oposição às formulações filosóficas tradicionais. A publicação causou um intenso debate na comunidade menonita, com críticas de setores que não apreciavam sua tentativa de escrever uma teologia que fizesse sentido fora do contexto evangélico norte-americano. Apesar da hostilidade, a obra estabeleceu Kraus como um dos mais proeminentes teólogos doutrinários menonitas. Seguiu com a obra de teologia sistemática, God Our Savior: Theology in a Christological Mode (1991).

Após sua aposentadoria e uma mudança para Harrisonburg, Virgínia, Kraus continuou a produzir textos teológicos importantes, como An Intrusive Gospel? Christian Mission in a Postmodern World (1998) e Using Scripture in a Global Age (2006). Demonstrou coragem intelectual ao editar To Continue the Dialogue: Biblical Interpretation and Homosexuality (2001), a primeira publicação menonita a incluir vozes que argumentavam por uma postura inclusiva.

James K. A. Smith

James K.A. Smith é professor de filosofia e ocupa a Cátedra Gary & Henrietta Byker na Universidade Calvin, Michigan.

Smith tem um doutorado em Filosofia pela Universidade Villanova (2002), onde estudou com John D. Caputo. Sua tese de doutorado abordou a fenomenologia da teologia. Antes disso, ele obteve um M.Phil. no Institute for Christian Studies em Toronto e um B.Sc. na Emmaus University.

Criado na tradição pentecostal (Pentecostal Assemblies of Canada), Smith agora congrega em igrejas da tradição Reformada (Christian Reformed Church of North America) embora mantenha suas raízes pentecostais. Essa dupla afiliação molda sua abordagem teológica e filosófica.

A filosofia de Smith explora a tensão da vida moderna e convida os leitores a uma prática de fé intencional. Os seres humanos seriam movidos por seus desejos e que esses desejos são moldados por hábitos e rituais cotidianos, tanto seculares quanto religiosos. Em sua trilogia Cultural Liturgies, ele desenvolve a ideia de que a adoração cristã é uma prática formativa central que direciona nossos desejos para Deus.

Em Thinking in Tongues: Pentecostal Contributions to Christian Philosophy (2010), Smith apresenta uma visão para uma filosofia cristã enraizada no pensamento pentecostal. Ele refuta a ideia de que o pentecostalismo seja anti-intelectual e defende que a tradição oferece recursos para a filosofia e a teologia. Smith propõe cinco características para uma filosofia com base na experiência pentecostal: uma abertura ao milagroso; uma epistemologia encarnada, onde o conhecimento é vivido; uma abordagem afetiva da razão, reconhecendo o desejo como motor da vida; uma racionalidade narrativa, valorizando testemunhos; e uma orientação escatológica, focada na esperança do Reino de Deus. Ele vê a glossolalia como uma manifestação de uma epistemologia encarnada e uma forma de oração além do discurso racional.

Wolfgang Vondey

Wolfgang Vondey (1970) é um teólogo sistemático e historiador do cristianismo, nascido na Alemanha, dedicado aos estudos pentecostais e carismáticos. Vondey é Professor de Teologia Cristã e Estudos Pentecostais na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, onde também dirige o Centro de Estudos Pentecostais e Carismáticos.

Antes de sua carreira teológica, Vondey obteve seu mestrado na Universidade Philipps Marburg, na Alemanha, em Estudos Japoneses, Linguística Japonesa e Mídia. Ele viveu no Japão na década de 1990, onde estudou na Universidade Keio em Tóquio e trabalhou como Coordenador de Relações Internacionais em Okinawa. Em 1996, ele se mudou para os Estados Unidos para iniciar seus estudos teológicos, obtendo o Mestrado em Divindade no Pentecostal Theological Seminary (1999) e o doutorado em Teologia Sistemática e Ética na Marquette University (2003). Após uma bolsa de pós-doutorado no Boston College, ele se juntou à Regent University em 2005, onde fundou e dirigiu o Centro de Estudos de Renovação.

Vondey é um membro ativo da Society for Pentecostal Studies e da American Academy of Religion. Também é o presidente fundador do grupo de estudos ecumênicos da Society for Pentecostal Studies. Sua pesquisa é interdisciplinar, integrando teologia, história, sociologia e filosofia.

O pensamento teológico de Wolfgang Vondey concentra-se na pneumatologia, na eclesiologia, na teologia ecumênica e na interseção entre teologia e ciência. Sua abordagem é a de um teólogo sistemático classicamente treinado que aplica seus conhecimentos aos movimentos pentecostais e carismáticos. Explora a teologia desses movimentos a partir de uma perspectiva mais ampla, focando em temas como a teologia da dádiva, a eclesiologia e o papel do Espírito Santo na vida da igreja e na esfera pública.

Vondey argumenta que o pentecostalismo não é apenas um fenômeno religioso, mas uma força teológica e cultural global que oferece uma perspectiva única para a teologia contemporânea. Demostra como a experiência do Espírito Santo pode informar e enriquecer o diálogo teológico e a prática da igreja, contribuindo para a reconciliação e a unidade em um mundo fragmentado.

Sinopse de suas principais obras

The Scandal of Pentecost: A Theology of the Public Church (Bloomsbury, 2023) discute a relevância pública do pentecostalismo. O movimento, muitas vezes marginalizado ou incompreendido, tem a capacidade de atuar como uma “igreja pública”, engajada em questões sociais e políticas a partir de sua teologia da experiência e dos dons do Espírito Santo. O livro explora a teologia política da glossolalia e como o pentecostalismo pode reconciliar as “línguas de Babel, Jerusalém e Corinto”.

The Liturgy of the Gospel: Theological Hermeneutics in Pentecostal Perspective (Cascade Books, 2025) explora a teologia pentecostal a partir da perspectiva da hermenêutica litúrgica. Vondey argumenta que a liturgia pentecostal, centrada na experiência do Evangelho, oferece uma maneira única de interpretar e viver a fé cristã.

Pentecostalism: A Guide for the Perplexed (Bloomsbury, 2013), uma das obras mais conhecidas de Vondey e serve como uma introdução acessível à teologia do movimento pentecostal. O livro aborda a complexidade e a diversidade do pentecostalismo global, explorando suas origens, sua teologia e sua prática de forma concisa e esclarecedora para estudantes e pesquisadores. O livro foi objeto de uma discussão em mesa-redonda em 2023.

The Cambridge Companion to Pentecostalism (Cambridge University Press, 2014), que editou, é um guia acadêmico que reúne contribuições de diversos estudiosos para apresentar uma visão completa do movimento pentecostal. A obra abrange tópicos como a história, a teologia, a liturgia e a dimensão social do pentecostalismo em diferentes partes do mundo.

Bibliografia


Vondey, Wolfgang. The Scandal of Pentecost: A Theology of the Public Church. Bloomsbury Publishing, 2023.

Vondey, Wolfgang. The Liturgy of the Gospel: Theological Hermeneutics in Pentecostal Perspective. Cascade Books, 2025.

Vondey, Wolfgang. Pentecostalism: A Guide for the Perplexed. Bloomsbury/T&T Clark, 2013.

Vondey, Wolfgang, ed. The Cambridge Companion to Pentecostalism. Cambridge University Press, 2014.

Vondey, Wolfgang. “A Political Theology of Glossolalia: Reconciling the Tongues of Babel, Jerusalem, and Corinth”. Journal of Pentecostal Theology, 2024.

Vondey, Wolfgang. “Synodality and Charisms: A Pentecostal Perspective on Hierarchical and Spiritual Gifts in the Life and Mission of the Church”. Theological Studies, 2024.

Vondey, Wolfgang. “Baptism in the Holy Spirit”. In The Brill Encyclopedia of Global Pentecostalism. Brill, 2020.

João Gomes da Rocha

João Gomes da Rocha (1861-1947) foi um médico, hinista e missionário congregacionalista brasileiro.

Nascido no Rio de Janeiro, filho de portugueses, João Gomes da Rocha foi adotado pelo casal missionário escocês Robert e Sarah Kalley. Eles o batizaram em 1885, na Escócia.

Estudou medicina em Londres, onde atuou como médico e missionário. Durante uma visita ao Brasil, em 1893, filiou-se à Igreja Evangélica Fluminense, fundada por seu pai adotivo, Robert Kalley. A missão o enviou para a África e, ao retornar a Londres, permaneceu lá exercendo a medicina até sua morte.

Após a morte de Robert, João auxiliou sua mãe adotiva na compilação do hinário Salmos e Hinos. Habilidoso em português, assumiu a responsabilidade pela terceira edição do hinário em 1889 e pela quarta em 1919.

Michele De Simone

Michele De Simone (1901-1942) foi um ministro pentecostal ítalo-americano.

Originário de San Giorgio a Liri (Frosinone), na região do Lácio, nos meados dos anos 1920 ouviu o evangelho por meio de Giovanna de Matteis Pagano. Emigrou, em seguida, para os Estados Unidos

Radicado em Shelton, Connecticut, onde serviu como ancião provavelmente desde 1925, também na igreja italiana de Himroad Street no Brooklyn, New York. Integrou a Unorganized Italian Christian Churches desde sua primeira convenção em 1928. Em 1931, foi enviado a Roma para avaliar o estado da igreja italiana. Criticou a falta de liberdade religiosa e o regime de Concordata entre os governos italiano e da Santa Sé.

Culto, hábil em grego e hebraico, De Simone buscou aproximar o movimento pentecostal italiano com as igrejas evangélicas norte-americanas, especialmente as Assemblies of God. Defendia que os jovens buscassem formação em escolas bíblicas americanas. Sua posição gerou oposição e certo isolado do movimento italo-americano, então avesso a um estudo formal da Bíblia, favorencendo a experiência carismática. Morreu pregando na igreja italiana de Syracuse, New York.