Sangue

Sangue, em hebraico דָּם, dam; em grego αἷμα, haima, é dotado de diversos simbolismos e significados na Bíblia, abrangendo vários contextos religiosos, culturais e rituais. Este fluido corporal vital não é apenas um componente físico, mas está profundamente interligado com crenças, rituais e ética.

No Antigo Testamento, o sangue é emblemático da própria vida, conforme retratado em Levítico 17:11, afirmando: “a vida de uma criatura está no sangue”. Aqui o sangue remete à santidade da vida, proibindo o seu consumo e enfatizando a sua sacralidade.

O sangue está intrinsecamente ligado a rituais de sacrifício, servindo como meio de expiação, purificação e consagração. A aspersão de sangue nas cerimônias de sacrifício simboliza a renovação das alianças entre Deus e a humanidade, significando perdão e renovação espiritual.

O sistema sacrificial levítico e de outras passagens do Antigo Testamento, o sangue da vítima era jogado contra o altar como relembrar Deus e os ofertantes da aliança, bem como sobre do peso e o custo de uma vida vivida separada de Deus. Nas ofertas expiatórias o sangue servia como detergente para purificar o santuário do pecado cometido pelo ofertante ou acumulado no local durante os ciclos anuais. O animal não era punido em lugar do ofertante, nem seu sangue substituia sua culpa, nem era ofertado para apaziguar a ira de Deus. Os rituais da Páscoa o sangue dos cordeiros sacrificados marcava as casas dos israelitas, protegendo-os em uma aliança com Deus.

O Novo Testamento vem em destaque sangue de Jesus Cristo. Seu sangue é visto como o símbolo da redenção, do perdão e do estabelecimento de uma nova aliança entre Deus e a humanidade. Através do sangue de Cristo, os crentes são purificados do pecado e recebem a reconciliação espiritual com Deus. O decreto apostólico veda o consumo de sangue

Além do simbolismo religioso, o sangue na Bíblia reflete normas culturais e éticas. A proibição de consumir sangue sublinha o respeito pela vida e a sacralidade da criação. Os rituais que envolvem sangue destacam a intrincada ligação entre os reinos físico e espiritual, onde a purificação e a consagração são alcançadas através de atos simbólicos.