Novaciano

Novaciano (c. 200 – c. 258), também conhecido como Νοβατιανός em grego e Novatianus em latim, foi um estudioso, sacerdote teólogo e autor patrístico romano. Seria o primeiro autor cristão de Roma a utilizar o latim em seus escritos.

É considerado pela Igreja Católica como antipapa entre 251 e 258. Durante sua atuação, foi central em debates sobre a reintegração de cristãos que haviam renunciado à fé durante perseguições e sobre a prática da penitência.

Poucos detalhes de sua vida são conhecidos. Segundo relatos, foi um homem com formação literária e erudição. Segundo a narrativa de seus opositores, como o papa Cornélio, Novaciano seria alguém que, antes de sua conversão ao cristianismo, enfrentou possessão demoníaca e foi batizado por afusão em seu leito de enfermidade. Após sua recuperação, não recebeu a confirmação episcopal, gerando questionamentos sobre a validade de sua ordenação sacerdotal, que foi realizada posteriormente sob a aprovação do Papa Fabiano.

Durante a perseguição promovida pelo imperador Décio, após o martírio do bispo Fabiano em 250, o bispado de Roma permaneceu vaga por cerca de um ano. Nesse período, Novaciano assumiu papel de destaque na administração da Igreja. Adotou uma postura rigorista em relação à readmissão de cristãos que haviam renunciado à fé, defendendo que tais indivíduos poderiam se submeter à penitência perpétua, mas somente Deus poderia oferecer o perdão final. Essa posição o colocou em oposição a Cornélio, eleito bispo de Roma em 251. Novaciano foi consagrado bispo por três outros bispos e reivindicou a liderança da Igreja, levando à sua excomunhão em um concílio convocado por Cornélio no mesmo ano.

A visão rigorista de Novaciano não era completamente inédita, sendo influenciada por pensadores como Tertuliano e, em certa medida, Hipólito de Roma. Contudo, ele rejeitava explicitamente a autoridade da Igreja para conceder absolvição em casos de apostasia, o que foi criticado por Cipriano de Cartago. Cipriano o acusava de cismático e considerava que sua postura comprometia a unidade da Igreja.

Após sua excomunhão, Novaciano fundou um movimento que veio a ser conhecido como novacianismo, cujos seguidores adotavam práticas rigoristas e se recusavam a reconhecer a autoridade dos bispos das igrejas majoritárias. Esse movimento persistiu por vários séculos, sendo documentado em várias regiões do Império Romano.

Novaciano foi autor de tratados teológicos, incluindo De Trinitate, onde defendeu a doutrina trinitária contra heresias contemporâneas. Morreu possivelmente durante as perseguições do imperador Valeriano, no mesmo ano em que Cipriano, seu principal opositor, foi martirizado.