Éden

Éden, do hebraico עֵדֶן (eden), significa “deleite”, “prazer”. A palavra aparece em Ezequiel e Isaías, mas sua importância reside na narrativa do Jardim do Éden em Gênesis 2-3. Localizado geograficamente de forma incerta, com menção aos rios Tigre e Eufrates, o Éden permanece um mistério. Deus colocou Adão para cultivá-lo, criando também a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal, cujo fruto foi proibido. A serpente induziu Eva, criada da costela de Adão, a desobedecer, resultando na expulsão do casal e na Queda.

Além de sua dimensão geográfica, o Éden é um símbolo poderoso de pureza e comunhão com Deus, representando um estado original perdido pela humanidade. A esperança de restauração se encontra em Apocalipse 22:1-5, com a promessa de um novo céu e uma nova terra. A árvore da vida, presente no Éden original e restaurado, simboliza a imortalidade e a plenitude da vida em Deus.

Paraíso

O paraíso refere-se a um tipo de jardim, um lugar ou estado de deleite, um estado pós-morte.

O termo provavelmente vem do proto-irânico para *parādaiĵah-, significando “recinto murado” e chegou ao assírio como pardesu, referindo-se a um “domínio”.

No Antigo Testamento, o termo hebraico גן עדן (Gan Eden), traduzido como “Jardim do Éden”, descreve um lugar de beleza e abundância, onde Adão e Eva desfrutavam da comunhão com Deus. A expulsão do jardim, narrada em Gênesis 3, marca a perda da inocência e o início da história humana marcada pelo sofrimento e pela morte.

Xenofonte utilizou o termo παράδεισος (parádeisos) para descrever “parques para animais”. A palavra também foi adotada no aramaico (pardaysa) como “parque real” e no hebraico (פַּרְדֵּס pardes) como “pomar”, aparecendo três vezes na Bíblia Hebraica: Cântico dos Cânticos 4:13, Eclesiastes 2:5 e Neemias 2:8. A Septuaginta, versão grega do Antigo Testamento, utilizou parádeisos para traduzir tanto pardes quanto gan (jardim), como em Gênesis 2:8 e Ezequiel 28:13, associando o termo ao Jardim do Éden. Essa associação se perpetuou no árabe (firdaws فردوس) e no Corão.

O conceito de um recinto murado se perdeu em muitos usos iranianos posteriores, passando a significar simplesmente uma plantação ou área cultivada, como o persa Pardis e seus derivados.

Na Bíblia Hebraica, o termo pardes surge no período pós-exílico, referindo-se a parques ou jardins, como os parques reais de Ciro, o Grande, descritos por Xenofonte. No judaísmo do Segundo Templo, “paraíso” passou a ser associado ao Jardim do Éden e às profecias de sua restauração, sendo transferido para o conceito de céu. No apócrifo Apocalipse de Moisés, Adão e Eva são expulsos do paraíso (e não do Éden) após a queda. Após a morte de Adão, o Arcanjo Miguel leva seu corpo para ser enterrado no Paraíso, no Terceiro Céu.

A literatura intertestamentária e o Novo Testamento trazem novas perspectivas sobre o paraíso. A ideia de um lugar de recompensa para os justos após a morte ganha destaque, como evidenciado em Lucas 23:43, onde Jesus promete ao ladrão crucificado: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Em 2 Coríntios 12:4: Paulo descreve um paraíso no terceiro céu. Apocalipse 2:7 menciona a “árvore da vida” no paraíso de Deus, simbolizando a restauração da comunhão divina.

Alguns estudiosos sugerem que a concepção do paraíso no Novo Testamento pode ter sido influenciada por ideias helenísticas, como o conceito de Campos Elíseos. No entanto, a centralidade da figura de Cristo e a promessa de ressurreição distinguem a visão bíblica de outras tradições.

O paraíso, portanto, pode ser compreendido como um lugar de deleite terreno, um estado de comunhão com Deus ou uma realidade futura de recompensa eterna. Sua interpretação varia de acordo com diferentes tradições teológicas e abordagens exegéticas. Independentemente da perspectiva adotada, o paraíso representa a busca humana pela felicidade plena e pela reconciliação com o divino.