Zeruia

Zeruia, cujo nome em hebraico é צְרוּיָה (Tseruyah), é a mãe de três figuras: Joabe, Abisai e Asael. Sua genealogia não é explicitamente detalhada nas Escrituras, embora seja presumido que ela tenha alguma ligação com a linhagem de Davi, já que seus filhos desempenharam papéis na corte e nos exércitos do rei.

Zeruia é mencionada em diversas passagens bíblicas, nos livros de Samuel e Crônicas. Sua presença nas narrativas, embora não proeminente, está associada com seus filhos. Joabe, em particular, tornou-se o comandante do exército de Davi. Abisai também se destacou como um guerreiro valente e leal a Davi, enquanto Asael era conhecido por sua velocidade e habilidade na perseguição.

Boanerges

Boanerges (Βοανεργές, Boanerges; בְּנֵי רֶגֶשׁ B’nei Regesh [interpretação tradicional, porém debatida]), é um epíteto aramaico dado por Jesus a Tiago e João, filhos de Zebedeu, em Marcos 3:17. O texto bíblico oferece uma interpretação grega do termo: “Filhos do Trovão” (υἱοὶ βροντῆς, huioi brontēs). A origem e o significado exato de Boanerges têm sido objeto de debate acadêmico.

A interpretação tradicional, baseada na tradução grega de Marcos, associa o termo ao caráter impetuoso e zeloso dos irmãos. Esta interpretação é suportada por episódios narrados nos Evangelhos, como o desejo de Tiago e João de invocar fogo do céu sobre uma cidade samaritana (Lucas 9:54) e o pedido de posições de destaque no Reino de Deus (Marcos 10:35-37).

Contudo, a etimologia exata do termo aramaico é incerta. Alguns estudiosos sugerem que o original aramaico seria B’nei Ra’ash (בְּנֵי רַעַשׁ), que significa “filhos do tumulto” ou “filhos do terremoto”, enquanto outros propõem B’nei Regesh (בְּנֵי רֶגֶשׁ), com o significado de “filhos da ira” ou “filhos do clamor”. A dificuldade reside em harmonizar essas propostas com a tradução grega fornecida por Marcos.

Sisaque

Sisaque I, também conhecido como Sheshonq I, foi um faraó do Egito que governou no século X a.C., fundador da XXII dinastia. Ele é conhecido por sua campanha militar contra o Reino de Judá, registrada na Bíblia em 1 Reis 14:25-26 e 2 Crônicas 12:2-9.

De acordo com o relato bíblico, Sisaque invadiu Judá durante o reinado de Roboão, filho de Salomão, e saqueou o templo de Jerusalém, levando consigo os tesouros do templo e do palácio real. Essa invasão ocorreu aproximadamente cinco anos após a divisão do reino de Israel, e é interpretada como um julgamento divino sobre a idolatria do povo.

A campanha de Sisaque também é documentada em registros egípcios, com destaque para uma inscrição no templo de Karnak, que lista as cidades conquistadas durante sua campanha na Palestina. Essa inscrição confirma a narrativa bíblica e fornece detalhes adicionais sobre a extensão de suas conquistas.

Boaz

Boaz (em hebraico: בֹּעַז, Bōʻaz), cujo nome possivelmente significa “nele há força”, foi um rico proprietário de terras de Belém que desempenha um papel central no livro bíblico de Rute. Ele é apresentado como um parente próximo de Elimeleque, o falecido marido de Noemi (Rute 2:1).

Boaz é retratado como um homem de caráter nobre e piedoso. Ele demonstra bondade e generosidade para com Rute, a moabita viúva que retorna a Belém com Noemi, sua sogra. Boaz a acolhe em seus campos, permitindo que ela recolha espigas durante a colheita, e a protege de qualquer assédio (Rute 2:8-16).

Além de sua generosidade, Boaz se destaca por sua observância à lei e aos costumes de Israel. Ciente de seu dever como parente resgatador (goel), ele se dispõe a casar com Rute para preservar a linhagem de Elimeleque e garantir a herança familiar (Rute 3:1-13).

O casamento de Boaz com Rute é um ato de redenção que vai além da esfera familiar. Ele representa a inclusão dos estrangeiros na comunidade de Israel e a fidelidade de Deus às suas promessas. Rute, a moabita, torna-se parte da linhagem de Davi, e consequentemente, ancestral de Jesus Cristo (Mateus 1:5).

Nefilim

Nefilim (נְפִלִים, nephilim), termo que aparece em Gênesis 6:4a e Números 13:33, designa seres enigmáticos que habitaram a Terra antes do dilúvio e no período anterior à conquista de Canaã. Sua identidade é objeto de debate, sendo frequentemente interpretados como gigantes ou seres semidivinos.

A etimologia do termo é incerta. Derivado do verbo hebraico נָפַל (naphal, “cair”), pode se referir a guerreiros caídos em batalha, seres extraordinários ou até mesmo “abortos”, sugerindo uma aparência disforme. A Septuaginta traduz o termo como γιγαντες (gigantes), “gigantes”, influenciando a interpretação posterior.

Em Gênesis 6:4a, os nefilim são mencionados no contexto da união dos “filhos de Deus” com as “filhas dos homens”. A relação exata entre esses seres e a descendência dessa união é obscura, gerando diversas interpretações. Alguns os consideram os próprios filhos dessa união, enquanto outros os veem como uma classe de guerreiros poderosos, contemporâneos a esses eventos.

Números 13:33 associa os nefilim aos anaquins, povo de gigantes que habitava Canaã. Essa conexão reforça a interpretação dos nefilim como gigantes, embora a presença deles após o dilúvio gere dificuldades.

A interpretação dos nefilim variou ao longo da história. Textos judaicos como o Targum Pseudo-Jonathan e o Talmude Babilônico os descrevem como anjos caídos ou seus descendentes. O livro apócrifo de Enoque expande a narrativa de Gênesis 6, apresentando os nefilim como gigantes nascidos da união de anjos rebeldes com mulheres.

O Novo Testamento, embora não mencione os nefilim, alude a Gênesis 6:1-4 em passagens como Judas 1:6-8 e 2 Pedro 2:4, associando os “filhos de Deus” a anjos caídos. Jesus, em Mateus 24:37-39, menciona os eventos anteriores ao dilúvio, mas sem referências a seres sobrenaturais.