Kosuke Koyama

Kosuke Koyama (1929–2009) foi um missionário, missiólogo e teólogo contextual japonês, conhecido por sua teologia do búfalo d’água (waterbuffalo theology).

Koyama, nascido em Tóquio viveu os eventos tumultuosos do século XX, incluindo os devastadores bombardeios a Tóquio durante a Segunda Guerra Mundial. Em razão disso, discorreu sobre sofrimento e da compaixão.

Estudou teologia no em Tóquio e nos Estados Unidos, onde obteve um doutorado no Seminário Teológico de Princeton. Essa exposição às tradições teológicas orientais e ocidentais foi fundamental para moldar sua perspectiva distintiva.

Koyama atuou como missionário na Tailândia, imergindo-se na cultura local e enfrentando os desafios de contextualizar a fé cristã em um ambiente não ocidental. Essa experiência direta alimentou seu comprometimento com uma “teologia da cruz”, enfatizando a centralidade do sofrimento e da solidariedade com os marginalizados como valores cristãos essenciais.

Seu influente livro, Teologia do Búfalo-d’Água (1974), destaca-se como uma obra seminal na teologia contextual. Utilizando a imagem do búfalo-d’água como símbolo de força paciente e resiliência, Koyama metaforicamente o conectou às realidades de muitas comunidades asiáticas enfrentando adversidades. O livro utiliza o búfalo como um símbolo de força paciente e resiliência na agricultura asiática, torna-se uma metáfora para a compreensão da fé cristã no contexto das culturas asiáticas.

Koyama defende a necessidade de contextualizar a teologia, enfatizando que as reflexões teológicas devem estar enraizadas nas experiências vividas nas comunidades locais. O livro desafia uma abordagem da teologia centrada no Ocidente e destaca a necessidade de uma teologia que responda aos contextos culturais e históricos específicos das sociedades não-ocidentais. Koyama afirma que uma teologia contextual deve ser capaz de ressoar e abordar as lutas e desafios diários enfrentados pelas pessoas nestes contextos.

Além de suas contribuições teológicas, Koyama dedicou-se ao diálogo inter-religioso, especialmente entre o cristianismo e o budismo, buscando compreensão mútua e respeito entre tradições religiosas.

O legado de Kosuke Koyama perdura como uma influência profunda em teólogos, missiólogos e praticantes em todo o mundo. Seu comprometimento com uma teologia contextual, abordando as lutas das pessoas comuns diante da pobreza e opressão, continua sendo uma força orientadora.

A ênfase de Koyama no diálogo inter-religioso e sua crítica ao imperialismo cultural ocidental permanecem relevantes no mundo interconectado de hoje. Além de suas buscas acadêmicas, ele serviu como decano da Escola de Pós-Graduação em Teologia do Sudeste Asiático em Cingapura por 16 anos e recebeu a Medalha Henry Luce de Teologia em 1985.

Seu extenso conjunto de obras inclui publicações notáveis como Sobre a Vida Cristã (1979) e O Deus que Caminha Devagar (1993).

Kazoh Kitamori

Kazoh Kitamori (1916-1998) foi um teólogo japonês.

Foi professor no Tokyo Union Theological Seminary e ministro da
Kyodan Church (Igreja Unida de Cristo no Japão).

Kitamori discorreu sobre o conceito de “teologia da ferida”, enfatizando a importância do sofrimento de Cristo na compreensão da redenção. Seu livro “Theology of the pain of God” encontrou audiências mesmo entre não cristãos e fora do Japão.

No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, Kazoh Kitamori, explorou o conceito de sofrimento divino. Kitamori enfatiza o conflito interno de Deus, dividido entre a natureza divina da justiça e da compaixão. Enquanto a justiça de Deus exige ira contra os pecadores, a compaixão de Deus anseia por sua redenção. A vontade eterna de Deus é criar e amar a humanidade, mesmo diante de seus pecados. No entanto, o santo amor de Deus também requer justiça e ira contra o pecado. Isso cria um conflito interno dentro de Deus entre justiça e amor, ira e graça. Por fim, o amor triunfa e Deus se sacrifica na cruz para estender a graça aos pecadores. Kitamori argumenta que a superação da ira e do amor por Deus envolve também a superação do sofrimento humano. Ao carregar os fardos dos outros e compartilhar a mensagem do amor divino, participamos da dor de Deus.

Este conceito é prefigurado no Antigo Testamento e plenamente realizado no sacrifício de Cristo na cruz, onde Deus vence a ira com amor. A ênfase está na vitória do amor em vez de satisfazer a ira. A cruz abre caminho para nossa reconciliação com Deus e a restauração da vida divina.

BIBLIOGRAFIA

Kitamori, Kazoh. Theology of the Pain of God. Eugene, OR: Wipf and Stock, 2005.