Friedrich Gogarten

Friedrich Gogarten (1887-1967) foi um teólogo protestante alemão, expoente do que frequentemente é chamado de teologia existencial e teologia prática.

Seu pensamento teológico centrou-se na ideia do kerygma, enfatizando a proclamação do evangelho como o cerne da fé cristã. Gogarten procurou preencher a lacuna entre a teologia e a vida cotidiana, enfatizando a relevância da fé na sociedade contemporânea. Defendeu uma compreensão mais experimental do cristianismo.

As obras de Gogarten, incluindo “A Realidade da Fé” e “A Igreja e o Mundo”, provocaram discussões teológicas e influenciaram o desenvolvimento da teologia existencial e da teologia prática.

Zacarias Escolástico

Zacarias Escolástico (falecido após 536) foi um escritor monofisista no início do Império Bizantino.

Nascido em uma era de controvérsia religiosa, Zacarias dedicou sua vida a defender e promover a perspectiva monofisista, que enfatizava a unidade da natureza de Cristo.

Zacarias começou sua carreira como jurista em Constantinopla por volta do ano 492. No entanto, logo voltou sua atenção para questões teológicas e se envolveu em assuntos eclesiásticos. Seu conhecimento e paixão pela causa monofisista o impulsionaram para as fileiras do clero, levando à sua nomeação como bispo de Mitilene, localizada na ilha de Lesbos.

Embora Zacarias Escolástico tenha contribuído para vários campos de estudo, seu trabalho mais significativo foi a história da Igreja, que cobriu o período de 450 a 491. Esse relato histórico serviu como um recurso valioso para entender os desenvolvimentos religiosos e políticos da época. Por meio de pesquisa meticulosa e análise cuidadosa, Zacarias forneceu uma narrativa abrangente que esclareceu a intrincada dinâmica entre diferentes facções dentro da Igreja.

Além de sua história na Igreja, Zacarias escreveu várias biografias, incluindo as Vidas de Severo de Antioquia e Pedro, o Ibérico, entre outras. Esses escritos visavam fornecer informações sobre a vida e os ensinamentos de figuras influentes na tradição monofisista.

Reconhecendo a importância de se envolver com sistemas filosóficos e religiosos rivais, Zacarias também compôs obras contra os neoplatônicos e os maniqueus. Esses tratados serviram como uma defesa teológica do monofisismo enquanto criticavam os sistemas de crenças alternativos predominantes durante seu tempo. Por meio de seus escritos, Zacarias se envolveu no discurso intelectual e defendeu suas convicções.

Raimundo Lúlio

Raimundo Lúlio (c. 1232–c. 1315/16), conhecido em catalão como Ramon Llull, foi um filósofo, teólogo, poeta, missionário, apologista cristão e ex-cavaleiro nascido no Reino de Maiorca. Reconhecido como uma figura central na literatura catalã, Lúlio é considerado um precursor da teoria da computação e influenciou diversas áreas do conhecimento.

Nascido em uma família abastada em Palma de Maiorca, Lúlio levou uma vida cortesã em sua juventude. Por volta dos 30 anos, teve uma experiência religiosa profunda que o levou à conversão e ao compromisso com a propagação do cristianismo, especialmente entre muçulmanos no Norte da África. Ele aprendeu árabe, viajou amplamente e se envolveu em diálogos inter-religiosos, buscando construir pontes entre diferentes tradições religiosas.

Lúlio desenvolveu o Ars Magna (Grande Arte), um sistema que combinava lógica, filosofia e teologia para demonstrar a verdade do cristianismo. Utilizando diagramas e símbolos, o Ars Magna explorava combinações de atributos divinos e conceitos, sendo considerado uma contribuição inicial à computação moderna. O uso de métodos combinatórios e simbólicos nesse sistema influenciou pensadores posteriores, como Gottfried Leibniz. Além de seu aspecto lógico, os escritos de Lúlio também comunicam reflexões místicas.

Lúlio escreveu em catalão, latim e árabe. Discorria sobre temas filosóficos, teológicos e literários. Sua obra inclui tratados, poesia, romances e um manual sobre cavalaria. Ele foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da língua catalã como meio literário.

Como missionário, Lúlio empreendeu várias jornadas ao Norte da África, enfrentando riscos e oposição. Defendia a criação de escolas de línguas para apoiar os esforços missionários e dedicou sua vida a promover o diálogo entre religiões. Sua dedicação à missão cristã culminou em sua morte, possivelmente como mártir em Túnis.

O legado de Raimundo Lúlio abrange filosofia, teologia, literatura e ciência. Ele é celebrado como um dos pilares da cultura catalã e um pioneiro no diálogo inter-religioso. Seu Ars Magna continua sendo estudado por sua relevância histórica e pelas perspectivas que oferece sobre o conhecimento e a computação.

Fócio

Fócio de Constantinopla (c. 820–895 d.C.) foi um patriarca da Igreja Ortodoxa e um protagonista teológico e filosófico do Império Bizantino do século IX. Seu período de atuação ocorreu com intensos conflitos políticos e celigiosos, incluindo tensões entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica Romana. Fócio assumiu o patriarcado de Constantinopla em 858, em meio ao cisma que separava as duas tradições cristãs. Durante sua liderança, Fócio defendeu a ortodoxia e promoveu a educação e o conhecimento.

Uma de suas principais obras, a Biblioteca, é uma coleção de resumos e análises de textos clássicos e contemporâneos, representando uma importante contribuição para a preservação do conhecimento da literatura greco-romana e da filosofia. Fócio também examinou a relação entre fé e razão, argumentando que a razão podia ser empregada para compreender verdades divinas. Ele questionou certas interpretações aristotélicas que julgava incompatíveis com a doutrina cristã.

No campo teológico, Fócio aprofundou o entendimento ortodoxo da Trindade, destacando a unidade divina em três pessoas. Sua oposição ao uso do filioque – a cláusula que acrescentava a procedência do Espírito Santo “do Pai e do Filho” – foi uma questão central em suas críticas às práticas ocidentais e teve impacto significativo no cisma entre as Igrejas Oriental e Ocidental. Ao longo de sua trajetória, Fócio se posicionou como um defensor da tradição e da doutrina ortodoxa frente às divergências teológicas e culturais que marcavam o cristianismo de sua época.

Domingos de Gusmão

Domingos de Gusmão (1170-1221), o fundador da Ordem dos Pregadores, conhecida como Ordem Dominicana. Nasceu em Caleruega, no Reino de Castela (atual Espanha), e faleceu em Bolonha, Itália. Sua canonização ocorreu em 3 de julho de 1234, pelo Papa Gregório IX.

Filho de uma família nobre, seu pai era senhor feudal e sua mãe, membro da nobreza local. Domingos estudou artes e teologia na Universidade de Palência. Em 1196, ingressou nos cônegos regulares da Catedral de Osma, onde posteriormente assumiu a posição de subprior.

Em 1203, durante uma missão diplomática para negociar um casamento dinástico para o príncipe herdeiro de Castela, Domingos encontrou monges cistercienses pregando contra os cátaros no sul da França. Observando a pouca eficácia dessas pregações, devido ao contraste entre o estilo de vida luxuoso dos monges e o ascetismo dos cátaros, decidiu adotar um estilo de vida mais austero.

Em 1206, iniciou uma comunidade de mulheres convertidas do catarismo em Prouille, França, o que marcou o início da Ordem Dominicana. Em 1215, Domingos estabeleceu uma regra formal para seus seguidores e buscou a aprovação papal para sua nova ordem.

A Ordem dos Pregadores, oficialmente fundada em 1216, dedicava-se à pregação, ao estudo teológico e à vida comunitária em pobreza e serviço. Domingos estruturou a ordem com uma organização centralizada e governança democrática. Sob sua liderança, a ordem cresceu rapidamente, fundando casas em importantes centros educativos como Paris e Bolonha. Valorizava a educação e o estudo da teologia.