H. Wheeler Robinson

Henry Wheeler Robinson (1872– 1945) foi um teólogo e acadêmico britânico.

Teve formação batista e passagem em várias universidades britânicas e na Europa continental. Em uma época quando Oxford mantinha prencoceitos com pessoas não anglicanas, Wheeler Robinson tornou-se docente e pesquisador do Antigo Testamento. Foi pioneiro em usar conhecimentos da sociologia e antropologia nos estudos bíblicos e teológicos. Propôs uma forma de antropologia teológica a respeito da constituição do ser humano de modo monista e integral, a personalidade corporativa.

Dewey Beegle

Dewey Maurice Beegle (1919-1995) foi um biblista e bibliologista evangelical americano, calcado no metodismo.

Beegle nasceu em Seattle, Washington. Seus pais eram membros ativos da Igreja Metodista Livre, e seu pai foi professor de matemática no Seattle Pacific College. A família Beegle trabalhou como missionária por um curto período no Panamá, mas retornou a Seattle devido a problemas de saúde.

Desde cedo, a vida de Dewey Beegle esteve ligada aos estudos acadêmicos. Ele formou-se no Seattle Pacific College e concluiu seu curso Summa Cum Laude no Asbury Theological Seminary. Em 1952, obteve o título de Doutor em Filosofia (Ph.D.) pela Universidade Johns Hopkins.

Após sua graduação no Seattle Pacific College, trabalhou como professor em uma escola primária. Assumiu um cargo no Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados Unidos como patrulheiro de fronteira. Posteriormente, ingressou na Guarda Costeira dos Estados Unidos. Durante esse período, participou de um culto de avivamento em San Francisco, Califórnia, onde decidiu dedicar-se ao ministério. Pouco depois, matriculou-se no Asbury Theological Seminary, onde sentiu o chamado para a docência.

Após sua formação no Asbury Theological Seminary, Beegle mudou-se com sua família para a Universidade Johns Hopkins. Lá, estudou sob a orientação de William F. Albright, pesquisador do Antigo Testamento, e começou a explorar questões acadêmicas relacionadas à doutrina das escrituras. No final de seu período em Johns Hopkins, iniciou seu trabalho no Departamento de Traduções da American Bible Society e tornou-se presbítero na Igreja Metodista Livre.

Em 1952, começou a lecionar no New York Theological Seminary, anteriormente conhecido como Biblical Seminary. Durante esse período, publicou obras que provocaram debates, como God’s Word into English e The Inspiration of Scripture. Esta última, publicada em 1973, foi lançada no contexto do “Battle for the Bible”, período em que instituições fundamentalistas enfrentaram disputas internas sobre a inerrância bíblica. Essas controvérsias levaram Beegle a deixar a Igreja Metodista Livre e ingressar na Igreja Metodista Unida, bem como a abandonar sua posição no Biblical Seminary.

Entre 1964 e 1965, Beegle tirou uma licença sabática e viajou para terras bíblicas. Após esse período, aceitou uma posição no Wesley Theological Seminary. Durante sua permanência nessa instituição, atuou também como pastor de uma pequena igreja, publicou artigos em periódicos acadêmicos, escreveu outros livros, colaborou com a American Bible Society e foi incluído no “Who’s Who in Biblical Studies”.

Após se aposentar do Wesley Theological Seminary em 1986, continuou a trabalhar em equipes de tradução e liderou excursões às terras bíblicas e ao Oriente.

A bibliologia de Beegle

Dewey Beegle defendia uma abordagem indutiva para a compreensão das escrituras, em oposição à dedutiva, com ênfase na observação direta do texto bíblico. Criticava os métodos tradicionais de muitas vertentes evangélicas e fundamentalistas americanas, que dependiam do raciocínio dedutivo, argumentando que esses métodos tendem a obscurecer os fenômenos reais presentes nas escrituras.

A abordagem indutiva parte de dados concretos ou observações específicas do texto e busca derivar princípios gerais a partir deles. Para Beegle, esse método permite que o texto bíblico fale por si, sem a imposição de noções pré-concebidas. Por exemplo, ao analisar o Evangelho de Marcos, uma abordagem indutiva examinaria passagens específicas, os gêneros textuais, o contexto, as interações de Jesus com diferentes grupos, para derivar conclusões sobre seus ensinamentos e caráter da passagem e inferir doutrinas a partir dessas leituras.

Já a abordagem dedutiva começa com um princípio geral ou doutrina e busca aplicá-lo a instâncias específicas do texto bíblico. Esse método frequentemente interpreta as escrituras por meio de pressupostos teológicos estabelecidos. Por exemplo, ao partir do princípio da inerrância bíblica, as aparentes discrepâncias no texto seriam interpretadas como metáforas ou explicadas teologicamente, em vez de permitir que os dados textuais moldem a compreensão da doutrina.

Beegle argumentava que os métodos dedutivos tradicionais poderiam obscurecer o verdadeiro significado das escrituras e dificultar sua capacidade de corrigir interpretações errôneas baseadas na tradição. Ele acreditava que uma abordagem indutiva respeita a integridade do texto, promovendo um engajamento mais honesto e permitindo uma compreensão mais autêntica da mensagem bíblica.

Em sua obra Scripture, Tradition and Infallibility, Beegle explicou as interconexões entre escritura, tradição e autoridade, destacando como esses conceitos moldam o discurso teológico. Demonstrou que discussões sobre inspiração devem incluir considerações sobre revelação e canonicidade, promovendo uma abordagem holística à interpretação bíblica.

Beegle via a teologia como um campo dinâmico, onde as escrituras desempenham um papel central, mas não isolado. Defendia que o estudo crítico e indutivo do texto é essencial para uma interpretação teológica mais robusta e fundamentada.

Rob Bell

Rob Bell (nascido em 1970), é um ministro evangélico, autor e palestrante norte-americano.

Bell formou-se no Wheaton College e no Seminário Teológico Fuller, nos Estados Unidos. Enquanto estudava nessa última escola, frequentava e ministrava aos jovens da Los Angeles Christian Assembly. Em 1999, fundou a Mars Hill Bible Church, em Grand Rapids, Michigan. Sob sua liderança, a igreja experimentou um crescimento impressionante, tornando-se uma comunidade vibrante que atraía milhares de pessoas. Seus sermões eram marcados por uma mensagem centrada na graça e no amor de Deus, abordados de maneira envolvente e acessível a públicos diversos.

Em 2005, Bell lançou seu primeiro livro, Velvet Elvis: Repainting the Christian Faith, que explorava a fé cristã com uma abordagem inovadora. A obra propunha uma visão de fé mais aberta e em constante evolução. O sucesso do livro o consolidou como uma das vozes mais influentes no cenário religioso contemporâneo. Em 2011, publicou Love Wins: A Book About Heaven, Hell, and the Fate of Every Person Who Ever Lived, que rapidamente se tornou seu trabalho mais controverso. Nesse livro, Bell argumentava que a doutrina do inferno eterno não era compatível com a ideia de um Deus amoroso. Sugeria que o inferno deveria ser entendido como uma condição de separação de Deus, mas que essa separação não era necessariamente definitiva. Além disso, defendia que a salvação e o amor de Deus são universais, desafiando interpretações exclusivistas da fé cristã. O livro gerou intensas críticas de alguns setores, que o acusaram de heresia e universalismo, mas também atraiu muitos leitores interessados em uma abordagem mais inclusiva e compassiva.

Após a polêmica causada por Love Wins, Bell deixou a liderança da Mars Hill Bible Church em 2012 e mudou-se para a Califórnia. Lá, passou a se dedicar a novos projetos, incluindo a escrita, palestras e produções televisivas. Continuou a explorar temas relacionados à espiritualidade, cultura e justiça social, mantendo uma postura crítica em relação a muitos aspectos do protestantismo americano.

A teologia de Rob Bell é caracterizada por uma forte ênfase no amor e na graça divina, que ele considera o centro da experiência cristã. Questiona diversas teorias dominantes nos Estados Unidos, como a do inferno eterno e a expiação penal substitutiva, propondo uma leitura das Escrituras que leve em conta o contexto histórico e cultural, mas que também dialogue com os desafios contemporâneos. Além disso, Bell demonstra uma abertura significativa ao diálogo com outras tradições religiosas, buscando aprender com elas e encontrar pontos de convergência. Ele também se engaja profundamente em questões de justiça social, acreditando que a fé cristã deve inspirar ações concretas para transformar o mundo, combater a pobreza, proteger os direitos humanos e preservar o meio ambiente.

Estevão Gobaro

Estevão Gobaro (c. 540-570), um autor do século VI, identificado como um “aristotélico” e “triteísta”, cujos escritos destacaram contradições aparentes nas tradições teológicas da Igreja.

Conhecido exclusivamente através de Fócio, o patriarca de Constantinopla no século IX e também bibliógrafo. Gobaro é mais notado por sua obra, cujo título é desconhecido, mas que foi amplamente criticada por Fócio por sua falta de benefício correspondente ao esforço evidente de sua composição. A obra consiste em cinquenta e dois tópicos gerais e eclesiásticos, além de algumas questões mais específicas.

O método de Gobaro consistia em listar opiniões antitéticas sobre cada tema. Organizava seu material citando tanto fontes que confirmavam a doutrina eclesiástica quanto aquelas que sustentavam posições rejeitadas. Essas últimas eram fundamentadas em citações de escritores antigos, que, segundo Fócio, não examinavam suas posições com precisão. Em contraste, as doutrinas eclesiásticas eram apoiadas por testemunhos de homens santos que articulavam a verdade de forma precisa. Entre os temas abordados, destacam-se questões como a ressurreição dos justos, o conceito de milênio, o local do paraíso e a natureza dos corpos ressuscitados.

Gobaro também discute opiniões específicas relacionadas à teologia e aos escritos de figuras influentes. Ele analisa as impressões de Severus de Antioquia sobre os “instrutores santos”, bem como suas opiniões sobre declarações feitas por Cirilo e João, em sua carta a Tomás, bispo de Germanícia. Gobaro rejeita algumas afirmações de Gregório de Nissa, Papias de Hierápolis e Irineu de Lyon, particularmente aquelas relacionadas ao reino dos céus como um estado de deleite tangível.

A relação de Gobaro com os escritos de Papias é significativa. Fócio menciona que Gobaro chamou Papias de mártir, o que, se confirmado, seria a primeira menção existente sobre o martírio de Papias. No entanto, essa informação reflete uma transmissão indireta de fontes, passando por Severus, Gobaro e, finalmente, Fócio. Gobaro, portanto, é uma figura cuja obra fornece uma visão fragmentada e indireta das tradições teológicas e debates do cristianismo primitivo, preservada unicamente pela crítica de um escritor posterior.

Gobaro, Sic et Non de Pedro Abelardo e as Sentenças de Pedro Lombardo compartilham certas semelhanças metodológicas em sua abordagem das tradições teológicas, mas também apresentam diferenças significativas em termos de objetivos, organização e contexto histórico.

O Sic et Non de Pedro Abelardo, escrito no século XII, adota uma estratégia semelhante de apresentar pares de citações aparentemente contraditórias de autoridades teológicas e patrísticas. No entanto, o objetivo de Abelardo é fomentar a análise crítica e incentivar os leitores a resolverem as contradições por meio da razão e do estudo. Ele utiliza essa abordagem dialética para avançar a compreensão teológica, insistindo na importância da lógica e do rigor intelectual como ferramentas para harmonizar os textos contraditórios.

As Sentenças de Pedro Lombardo, por outro lado, representam uma abordagem mais sistemática e conciliadora, típica da escolástica madura. Escrito também no século XII, o texto organiza e sintetiza as tradições teológicas em quatro livros temáticos (Deus, criação, Cristo e os sacramentos). Embora Lombardo reconheça a existência de opiniões divergentes entre os Padres da Igreja, seu objetivo é propor uma teologia unificada e coerente. As Sentenças evitam expor contradições sem solução, concentrando-se em harmonizar as posições teológicas com base na razão e na autoridade eclesiástica.