Tecoa

A cidade de Tecoa, localizada na região de Belém, aproximadamente 12 km a sudeste de Belém (Efrata). Tecoa era situada numa região montanhosa de Judá e é mencionada em diversos contextos bíblicos.

Dois personagens bíblicos notáveis eram de Tecoa. Uma mulher sábia de Tecoa foi enviada por Joabe para interceder junto a Davi, buscando o perdão para seu filho Absalão após ele ter fugido por matar seu meio-irmão Amnom (2 Samuel 14:1-20). O profeta Amós também era de Tecoa, onde trabalhava como pastor e cultivador de sicômoros antes de ser chamado para profetizar em Israel durante o reinado de Jeroboão II (Amós 1:1).

Tecoa foi fortificada por Roboão, filho de Salomão, como parte de seu esforço para proteger o reino de Judá (2 Crônicas 11:5-6). Durante o reinado de Josafá, os exércitos de Moabe e Amom se reuniram perto de Tecoa para lutar contra Judá, mas foram derrotados pela intervenção divina (2 Crônicas 20:20-26). A menção de Tecoa nesses eventos históricos e proféticos destaca sua importância na geografia e na história de Judá.

Beerote

Os beerotitas eram os habitantes de Beerote, cidade geralmente identificada como a moderna el-Bireh, localizada aproximadamente 2,5 km a sudoeste de Betel. Originalmente considerada parte do território de Benjamim (2 Samuel 4:2), Beerote e seus habitantes são mencionados em diversos contextos bíblicos.

Dois filhos de Rimom, o beerotita, Recabe e Baaná, assassinaram Isbosete, filho de Saul (2 Samuel 4:2-3, 5-9). Naarai, outro beerotita, era o escudeiro de Joabe (2 Samuel 23:37; 1 Crônicas 11:39). Os beerotitas também são mencionados na lista de cidades repovoadas após o exílio babilônico (Esdras 2:25; Neemias 7:29). A fuga dos beerotitas para Gitaim devido a Saul e sua casa (2 Samuel 4:3) ilustra a instabilidade política da época.

Asserá

Asserá era uma importante deusa semítica ocidental, cultuada em diversas culturas do Antigo Oriente Médio, incluindo os cananeus e, em certos períodos, os israelitas. Ela era frequentemente associada à fertilidade, à maternidade e, em algumas tradições, era considerada a consorte do deus El, a principal divindade do panteão cananeu, e mãe de outros deuses.

No contexto bíblico hebraico, o culto a Asserá é repetidamente condenado. Os relatos bíblicos mencionam a presença de postes ou imagens de Asserá, frequentemente localizados em lugares altos ou em santuários, e associados a práticas religiosas consideradas idólatras pelos autores bíblicos (Deuteronômio 16:21; 1 Reis 14:23; 2 Reis 17:10). A influência do culto a Asserá é evidente em diversos períodos da história de Israel e Judá, com relatos de reis que promoveram ou toleraram seu culto (1 Reis 15:13; 2 Reis 21:7) e outros que buscaram erradicá-lo (2 Reis 18:4; 23:4-6).

A arqueologia tem fornecido evidências da presença do culto a Asserá na região, incluindo inscrições que a associam a Yahweh em um período da religião israelita (por exemplo, as inscrições de Kuntillet Ajrud). Essas descobertas indicam uma complexidade na história religiosa de Israel, onde o monoteísmo javista coexistiu, em certos momentos, com a veneração de outras divindades, como Asserá.

A luta contra o culto a Asserá, conforme narrada na Bíblia, reflete um esforço para estabelecer a exclusividade do culto a Yahweh.

O debate sobre “Yahweh e sua Asserá” centra-se na religião de Israel e Judá no período monárquico, particularmente entre os séculos IX e VII a.C. O debate surgiu com a descoberta de inscrições em hebraico antigo em Kuntillet ‘Ajrud, no Sinai, e em Khirbet el-Qom, na Judeia, que contêm bênçãos formuladas como “Eu te abençoo por Yahweh [de Samaria/de Temã] e por sua Asserá”. A questão reside na interpretação do termo “Asserá” nesta fórmula, especialmente devido ao uso do sufixo possessivo (“sua”). Historicamente, Asserá é uma deusa mãe cananeia, consorte do deus supremo El em textos ugaríticos. Na Bíblia Hebraica, o termo asserá também pode se referir-se a um objeto de culto, um poste ou árvore sagrada, associado a locais de culto e condenado pelos profetas e pelo código deuteronômico como símbolo de idolatria. Uma corrente de interpretação acadêmica defende que a Asserá das inscrições é, de fato, a deusa, indicando que ela era venerada como consorte de Yahweh por alguns segmentos da população israelita e judaíta, refletindo práticas religiosas politeístas que só mais tarde foram suprimidas pelas reformas monoteístas. A construção possessiva poderia indicar “a Asserá associada ao culto de Yahweh” ou ser uma variação vernacular. Outra perspectiva argumenta que o termo asserá nas inscrições se referiria ao símbolo cultual, o poste sagrado, o que faria mais sentido gramatical com o possessivo (“o poste sagrado de Yahweh”) e estaria alinhado com as críticas bíblicas focadas nos objetos. Uma terceira alternativa propõe interpretações intermediárias, como Asserá representando uma hipóstase da presença ou bênção de Yahweh, simbolizada pelo objeto.

Beritas

Os beritas eram os habitantes da cidade de Abel-Bete-Maaca, localizada na região norte de Israel. Esta cidade possuía importância estratégica.

Durante o reinado de Davi, Abel-Bete-Maaca foi visitada por Joabe em perseguição a Seba, filho de Bicri, que havia se rebelado. A sabedoria de uma mulher da cidade evitou sua destruição, persuadindo os habitantes a decapitar Seba e jogá-lo pelas muralhas (2 Samuel 20:14-22). Abel-Bete-Maaca também é listada entre as cidades conquistadas por Ben-Hadade, rei da Síria, durante o reinado de Baasa de Israel (1 Reis 15:20; 2 Crônicas 16:4). Em um período posterior, durante o reinado de Peca, rei de Israel, Tiglate-Pileser III, rei da Assíria, conquistou Abel-Bete-Maaca e deportou seus habitantes (2 Reis 15:29). A referência aos “sábios de Abel” (2 Samuel 20:18) sugere que a cidade era conhecida por sua prudência e conhecimento.

Cadmoneus

 Os cadmoneus eram uma tribo cananeia. O termo Bnei Kedem (“Filhos do Oriente“) pode indicar que fossem da região nordeste da Palestina. Os cadmoneus são mencionados na lista das nações que habitavam a terra de Canaã e que foram prometidas aos descendentes de Abrão (Gênesis 15:19). No entanto, eles não são proeminentes em outras narrativas bíblicas e pouco se sabe sobre seus costumes, organização social ou história detalhada em comparação com outras tribos cananeias mais frequentemente mencionadas.