Senabris

Al-Sinnabra, Senabris, Sennabris ou Senebris (em hebraico, possivelmente derivado de סנאבריס, embora a forma exata não seja confirmada; em grego, Σενναβρις ou formas variantes) foi umba localidade na Galileia com relevância histórica, embora sem menções na Bíblia.

Josefo (Guerras Judaicas 3.447; 4.455) a descreve como situada a cerca de 30 estádios (aproximadamente 5,5 km) de Tiberíades, na fronteira com o Vale do Jordão, também referida como Ginnabris. Vespasiano acampou ali durante sua campanha na Galileia em 68 d.C. Em 351 d.C., o exército de Ursicino, general de Galo César, chegou a Senabris e oprimiu seus habitantes. Um palácio omíada do califado existiu no local desde o tempo do califa Mu’awiya (661-680) até o século VIII. A vila e a ponte sobre o Jordão continuaram a ter alguma importância durante os períodos cruzado e mameluco.

A identificação exata de Senabris foi debatida por anos. Sabia-se que era vizinha de Bet Yerah. Alguns estudiosos a identificam com Kinneret, perto da foz do Jordão no Mar da Galileia, uma localização próxima a Bet Yerah, de acordo com o Talmude de Jerusalém (Meg. 1:1, 70a). Outra identificação proposta é com Senn en Nabra. Em 2002, as evidências arqueológicas apontaram para Al-Sinnabra.

Doutor

O termo “doutor” se refere a diferentes títulos e funções, como didaskalos (διδάσκαλος) no Novo Testamento e nomikos (νομικός). É crucial distinguir esses usos de noções contemporâneas, como um grau acadêmico avançado.

Didaskalos, traduzido como “mestre” ou “doutor”, designava no mundo greco-romano um instrutor ou professor, inclusive de crianças (Romanos 2:19). No Novo Testamento, o termo é aplicado a Jesus, correspondendo ao título hebraico “Rabbi” (Mateus 8:19; João 3:2), enfatizando sua autoridade como ensinador da verdade divina. Também se refere a outros ministros responsáveis por instruir a comunidade cristã (Atos 13:1; Efésios 4:11). A função de didaskalos envolvia a interpretação das Escrituras, a transmissão do ensino apostólico e a exortação moral. Didaskalos é usado como designação para Jesus às vezes acompanhado de outros títulos como “rei e professor” em Martírio de Policarpo 17:3. A frase “ὁ διδάσκαλος καὶ ὁ κύριος” (“o professor e o senhor”) é usada como título de respeito a Jesus (João 13:13). O termo também se aplica a João Batista (Lucas 3:12), estudiosos das escrituras em Jerusalém (Lucas 2:46; João 3:10) e um oficial de uma assembleia cristã, às vezes remunerado por seu ensino (Atos 13:1; 1 Coríntios 12:28). Paulo é chamado de “professor dos gentios” (1 Timóteo 2:7), e Policarpo é descrito com os títulos de “professor apostólico e profeta” e “distinto professor” (Martírio de Policarpo 16:2; 19:1). Contudo, διδάσκαλος também pode referir-se a “professores da maldade” (Pastor de Hermas 9, 19, 2).

Nomikos, frequentemente traduzido como “intérprete da lei” ou “advogado”, referia-se a especialistas na lei mosaica. No Novo Testamento, o termo aparece em referência a estudiosos da lei, talvez mosaica ou greco-romana, como Zenas (Tito 3:13), que possuíam conhecimento e expertise em sua interpretação. A função de nomikos envolvia a análise da lei, sua aplicação a casos concretos e seu ensino ao povo. É importante ressaltar que nomikos não se refere a um profissional do direito no sentido moderno, mas sim a um especialista na lei religiosa judaica.

O termo doutor é apresentado como um dom carismático, ou seja, uma habilidade especial concedida pelo Espírito Santo para o serviço na comunidade cristã. O dom de ensino (didaskalos) capacita o indivíduo a comunicar e explicar a verdade bíblica de forma clara, precisa e relevante para os cristãos. Embora o ensino seja um dom distinto, ele se relaciona com outros dons, como o de sabedoria, conhecimento e exortação. Enquanto o ensino se concentra na exposição da mensagem cristã, a sabedoria permite aplicar essa verdade de forma prática e discernente, o conhecimento proporciona uma compreensão mais profunda das coisas relevantes à vida em Cristo, e a exortação motiva e encoraja os ouvintes a viverem de acordo com a verdade ensinada.

Em Atos 13:1, a igreja em Antioquia é apresentada com profetas e mestres, evidenciando o reconhecimento e valorização do ensino como função importante. Paulo, em 1 Coríntios 12:28, inclui os “mestres” na lista de dons divinos concedidos à igreja, ressaltando a relevância do ensino para o corpo de Cristo. A natureza específica e especial do dom de ensino é enfatizada na pergunta retórica de Paulo em 1 Coríntios 12:29: “São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres?”. Por fim, em Efésios 4:11, Paulo descreve os “mestres” como parte do equipamento dado por Deus à igreja, juntamente com apóstolos, profetas, evangelistas e pastores, com o propósito de promover o crescimento e edificação da comunidade.

No Antigo Testamento, não há um termo único equivalente a “doutor”. Sacerdotes (Levítico 10:11; Deuteronômio 17:8-13) e escribas (Esdras 7:6; Neemias 8:1-9) desempenhavam papéis de ensino e interpretação da Lei, funções que se assemelham, em parte, às dos didaskalos e nomikos do Novo Testamento.

Zenas

Zenas (em grego: Ζηνᾶς) é um personagem mencionado na Epístola de Paulo a Tito (Tito 3:13), um provável jurista.

Em Tito 3:13, Paulo instrui Tito a ajudar Zenas, o “intérprete da lei”, e Apolo em sua viagem, providenciando para que nada lhes falte. Essa passagem sugere que Zenas era um homem instruído e respeitado na comunidade cristã, possivelmente um estudioso da lei que se converteu ao cristianismo.

A designação de Zenas como “intérprete da lei” (νομικός) indica que ele possuía conhecimento e habilidade na interpretação da lei. Essa informação é relevante, pois mostra que o cristianismo primitivo não rejeitava o conhecimento e a erudição, mas os colocava a serviço do Evangelho. O nome é tipicamente grego, o que leva a uma ambiguidade sobre qual ordenamento legal seria Zenas um especialista. A considerar somente seu nome, a maior probabilidade é que seria um jurista das leis greco-romanas. Contudo, sua associação com Apolo, um judeu com nome helenista, leva à possiblidade de que era um mestre na lei mosaica.

A colaboração de Zenas com Apolo, outro personagem importante do Novo Testamento, também é digna de nota. Apolo era um judeu de Alexandria, conhecido por sua eloquência e conhecimento das Escrituras (Atos 18:24-25). A união de Zenas e Apolo em uma missão demonstra a diversidade de talentos e habilidades presentes na comunidade cristã primitiva, e como cada um contribuía para o avanço do Evangelho.

A ajuda solicitada por Paulo a Tito para Zenas e Apolo em sua viagem sugere que eles estavam envolvidos em alguma missão ou trabalho itinerante.

José

A Bíblia contém uma notável variedade de indivíduos chamados José (em grego: Ἰωσήφ; em hebraico: יוֹסֵף). Além das figuras proeminentes de José, filho de Jacó, e José, pai de Jesus, outras pessoas com esse nome aparece na Bíblia: .

  1. José, um levita, mencionado no Livro de Êxodo (Êxodo 3:1), da família de Gerson, ancestral de Asafe, um dos principais cantores e músicos do templo na época do Rei Davi (1 Crônicas 25:1, 2, 9).
  2. José de Arimateia (Mateus 27:57-60; Marcos 15:43-46; Lucas 23:50-54; João 19:38-42). Membro do Sinédrio, é descrito como um homem justo e piedoso que não concordou com a condenação de Jesus. Após a crucificação, ele corajosamente pediu o corpo de Jesus a Pilatos e o sepultou em um túmulo novo.
  3. José Barsabás é outro personagem mencionado no Livro de Atos dos Apóstolos (Atos 1:23). Ele foi um dos dois candidatos propostos para substituir Judas Iscariotes como apóstolo.
  4. José, pai de Igal, o espião da tribo de Issacar, enviado por Moisés do ermo de Parã (Números 13:2, 3, 7).
  5. José, filho de Jonã, é mencionado como antepassado de Cristo Jesus na linhagem de Maria (Lucas 3:30).
  6. José, descendente de Davi e contemporâneo à destruição de Jerusalém pelos babilônios, é mencionado em Lucas 3:30.
  7. José, que despediu suas esposas estrangeiras e seus filhos, acatando a exortação de Esdras (Esdras 10:10-12, 42, 44).
  8. José, sacerdote da casa paterna de Sebanias, no tempo do sumo sacerdote Joiaquim, do governador Neemias e do sacerdote Esdras (Neemias 12:12, 14, 26).
  9. José, filho de Matatias e antepassado de Jesus Cristo do lado materno (Lucas 3:24, 25), que viveu anos depois do exílio babilônico.
  10. José Barnabé, o levita de Chipe (Atos 4:36, 37) ).

José pai de Jesus

José (em grego: Ἰωσήφ; em hebraico: יוֹסֵף), um homem de Nazaré, desempenha um papel crucial nos Evangelhos como o esposo de Maria e o pai terreno de Jesus. Sua história, embora relativamente breve nos relatos bíblicos, é rica em significado e relevância teológica.

José é apresentado como um descendente da linhagem de Davi, um homem justo e carpinteiro de profissão (Mateus 1:19; Lucas 2:4). Seu papel como pai de Jesus é central para a narrativa do Novo Testamento, pois, embora não seja o pai biológico de Jesus, ele assume a responsabilidade de criá-lo e protegê-lo, conferindo-lhe sua linhagem davídica e integrando-o à comunidade judaica.

Os Evangelhos narram que José, ao saber da gravidez de Maria, que era virgem, é confrontado com uma situação difícil. Um anjo do Senhor aparece a ele em sonho, revelando que a criança foi concebida pelo Espírito Santo e que ele deveria se casar com Maria (Mateus 1:20-21). José, obedecendo à mensagem divina, aceita sua missão e se torna o pai terreno de Jesus.