Cal

Calcário, é uma rocha sedimentar composta principalmente de carbonato de cálcio (CaCO3), geralmente na forma de calcita ou aragonita. Embora o calcário seja abundante na Palestina e em outras regiões mencionadas na Bíblia, não existe um termo hebraico ou grego único e específico que corresponda diretamente ao termo geológico moderno calcário.

As palavras hebraicas e gregas traduzidas como “pedra” nas Escrituras (por exemplo, אֶבֶן, ‘even, em hebraico; λίθος, líthos, em grego) são termos genéricos que podem se referir a diversos tipos de rocha, incluindo o calcário, mas não o distinguem especificamente de outras rochas, como arenito, basalto, etc. A Bíblia menciona o uso de pedras para construção de casas, muros, altares e outros edifícios (Levítico 14:40-42; 1 Reis 5:17; Mateus 24:2), mas não especifica o tipo de rocha utilizada.

A cal (CaO), obtida pela queima do calcário, é mencionada em alguns textos. Em Isaías 27:9, a destruição dos altares idólatras é comparada à transformação de pedras em cal (כְּאַבְנֵי־גִר, ke’avnei-gir, “como pedras de cal”). Amós 2:1 descreve a profanação de um túmulo, onde os ossos de um rei foram queimados até virarem cal. A palavra hebraica usada aqui é שִׂיד (sid), que é traduzida como “cal”. No Novo Testamento, não há referência explícita nem à cal nem ao calcário.

Sal

O sal (מֶלַח, melaḥ, em hebraico; ἅλς, háls, em grego) é uma substância mineral de grande importância, mencionada frequentemente na Bíblia, tanto em sentido literal quanto simbólico.

No Antigo Testamento, melaḥ era essencial para a vida cotidiana, usado como tempero e conservante de alimentos. Era também um componente importante nas ofertas religiosas (Levítico 2:13: “E todas as tuas ofertas dos teus alimentos temperarás com sal (melaḥ); e não deixarás faltar à tua oferta de alimentos o sal (melaḥ) da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal (melaḥ)”). O “pacto de sal” (berit melaḥ) mencionado em Números 18:19 e 2 Crônicas 13:5 simbolizava uma aliança perpétua e inviolável, provavelmente devido às propriedades preservativas do sal. A região do Mar Morto, rica em sal, é frequentemente mencionada (Gênesis 14:3; Josué 3:16). A mulher de Ló, transformada em estátua de sal (Gênesis 19:26), serve como um lembrete da desobediência e do juízo divino. O sal também podia ter um uso destrutivo, sendo espalhado em cidades conquistadas como símbolo de desolação permanente (Juízes 9:45).

No Novo Testamento, ἅλς (háls) mantém os significados do Antigo Testamento, mas Jesus introduz uma nova dimensão simbólica. Em Mateus 5:13 (Sermão da Montanha), Jesus diz a seus discípulos: “Vós sois o sal (háls) da terra; ora, se o sal (háls) se tornar insosso, com que se há de salgar? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.” Aqui, o sal representa a influência positiva dos cristãos no mundo, preservando-o da corrupção moral e dando sabor à vida. Em Marcos 9:50, Jesus diz: “Bom é o sal (háls); mas, se o sal (háls) se tornar insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal (háls) em vós mesmos, e paz uns com os outros.” Colossenses 4:6 instrui: “A vossa palavra seja sempre com graça, temperada com sal (háls), para saberdes como deveis responder a cada um.” Aqui, o sal simboliza sabedoria, discernimento e a capacidade de comunicar a verdade de forma eficaz e atraente.

Enxofre

Enxofre é um termo para traduzir algumas palavras na Bíblia, גָּפְרִית, gofrit, em hebraico; θεῖον, theîon, em grego; e está fortemente associada ao fogo e ao juízo divino.

No Antigo Testamento, gofrit aparece em contextos de destruição e punição. A menção mais famosa está em Gênesis 19:24-25, onde Deus faz chover fogo e enxofre (gofrit) sobre Sodoma e Gomorra, destruindo as cidades e seus habitantes devido à sua iniquidade. Deuteronômio 29:23 descreve a terra de Israel, caso o povo se desvie da aliança com Deus, como se tornando um deserto de enxofre (gofrit) e sal. Jó 18:15 usa o enxofre (gofrit) como imagem da desolação da habitação do ímpio. Salmos 11:6 descreve Deus fazendo chover “fogo e enxofre (gofrit)” sobre os ímpios. Ezequiel 38:22 profetiza o juízo de Deus sobre Gogue, incluindo “chuva inundante, e grandes pedras de saraiva, fogo, e enxofre (gofrit)”.

A Septuaginta traduz gofrit como θεῖον (theîon), que também significa “enxofre”, mas tem uma conotação adicional de “divino” ou “relacionado aos deuses”, possivelmente reforçando a ideia do enxofre como instrumento do juízo divino.

No Novo Testamento, θεῖον (theîon) aparece principalmente no livro de Apocalipse, em contextos semelhantes de juízo e destruição. Apocalipse 9:17-18 descreve cavalos com couraças de fogo, jacinto e enxofre (theîon), e de suas bocas saem fogo, fumaça e enxofre (theîon). Apocalipse 14:10 fala dos ímpios bebendo o vinho da ira de Deus e sendo atormentados com fogo e enxofre (theîon). Apocalipse 19:20; 20:10; 21:8 descrevem o lago de fogo e enxofre (theîon) como o destino final da besta, do falso profeta e dos ímpios.