Monte Horebe

O Monte Horebe, também conhecido como Monte Sinai (Jebel Musa, “Monte de Moisés” em árabe), é um local de importância religiosa para o judaísmo, cristianismo e islamismo. A identificação precisa do local exato permanece debatida, mas a tradição o situa na Península do Sinai, no Egito.

O Antigo Testamento cristão descreve o Monte Horebe como o lugar onde Moisés recebeu as Tábuas da Lei, contendo os Dez Mandamentos (Êxodo 3:1; 19-20). Foi ali que Deus se revelou a Moisés na sarça ardente (Êxodo 3) e estabeleceu a aliança com o povo de Israel. O nome Horebe é usado de forma intercambiável com Sinai, embora alguns estudiosos sugiram nuances de significado, com Horebe enfatizando a natureza árida e desolada do local, enquanto Sinai destaca a presença divina.

A importância do Monte Sinai se estende além do Pentateuco. No livro de Reis, o profeta Elias busca refúgio no Monte Horebe (1 Reis 19), onde tem um encontro com Deus. Essa passagem reforça a associação do monte com a presença divina e a revelação.

A tradição cristã também reverencia o Monte Sinai como um local sagrado, ligando-o à história de Moisés e à entrega dos Dez Mandamentos. O Mosteiro de Santa Catarina, localizado no sopé do monte, é um dos mais antigos mosteiros cristãos ainda em funcionamento e abriga uma rica coleção de manuscritos antigos.

No Islã, o Monte Sinai (Jabal al-Ṭūr) é considerado um dos locais mais sagrados, associado à revelação divina a Moisés (Musa) e à entrega das Tábuas.

Jactância

Jactância significa “gabar-se, vangloriar-se”. O termo hebraico הִתְפָּאֵר (hitpa’er) e o grego καυχάομαι (kauchaomai) transmitem a ideia de exaltação própria, muitas vezes com um tom de presunção e orgulho excessivo.

A Bíblia condena a jactância em diversas passagens. Provérbios 27:1 adverte: “Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que o dia pode trazer.” Essa passagem enfatiza a incerteza do futuro e a tolice de vangloriar-se de algo que ainda não aconteceu. Tiago 4:16 exorta: “Agora, porém, vos jactais das vossas presunções; toda jactância tal como esta é maligna.” Essa passagem associa a jactância à presunção e ao orgulho, classificando-a como um comportamento pecaminoso.

A jactância pode se manifestar de diversas formas, como vangloriar-se de conquistas, talentos, riquezas ou posição social. No entanto, a Bíblia adverte que toda jactância é vã e passageira. Em vez de se vangloriar, o crente é chamado a reconhecer que tudo o que possui vem de Deus e a depositar sua confiança nele.

A humildade e a gratidão são os antônimos da jactância. Filipenses 2:1-11 exorta os crentes a terem a mesma atitude de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou sua igualdade com Deus algo a que devesse se apegar; em vez disso, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens.

Tribulação

A palavra “tribulação” é um motivo literário que aparece na Bíblia para descrever períodos de aflição, sofrimento e provação. O termo hebraico צָרָה (tsarah) e o grego θλῖψις (thlipsis) carregam a ideia de angústia, aperto e pressão. A Bíblia Hebraica usa o termo para descrever diversas situações de dificuldade, desde opressão por inimigos até calamidades naturais e crises pessoais.

Este motivo literário era amplamente conhecido na Antiguidade. Aparece em relatos mesopotâmicos, como Épico de Atrahasis e o Épico de Gilgamesh, como narrativas de grandes catástrofes, como dilúvios, que ilustram o sofrimento infligido por forças divinas e eventos naturais. Já o Épico de Erra apresenta uma visão de caos, onde sete demônios são os agentes de um período de intensa perturbação. Na literatura ugarítica, a Lenda de Keret também aborda o tema do sofrimento, narrando as provações de um rei e sua perseverança. Os textos egípcios, como As Admoestações de Ipuwer, retratam um Egito em tumulto, refletindo períodos de instabilidade social e os impactos de desastres naturais.

No Antigo Testamento, a tribulação é frequentemente associada à opressão por inimigos, como no caso do Egito (Êxodo 1-15) e da Babilônia (2 Reis 24-25). O conceito de “tempo de angústia de Jacó” (Jeremias 30:7) prenuncia um período de intenso sofrimento para Israel, seguido de restauração divina. Os Salmos também expressam o clamor e a angústia diante de situações de aflição (Salmos 22, 130). Os profetas, por sua vez, alertam sobre as consequências da desobediência a Deus, que incluem a tribulação (Deuteronômio 28).

A literatura intertestamentária retrata a tribulação como um período de sofrimento e provação, mas também como um tempo de esperança, resistência e reafirmação da fé. Aparece em 2 Macabeus e em obras como o Martírio de Isaías.

No Novo Testamento, Jesus fala sobre a tribulação que seus seguidores enfrentarão (Mateus 24:21; João 16:33). O livro de Apocalipse descreve um período de grande tribulação que os fiéis enfrentam.

As interpretações sobre a natureza e a duração acerca da tribulação variam entre as diferentes tradições cristãs. Algumas interpretações postulam que haveria uma Grande Tribulação como um evento futuro específico, enquanto outras interpretações consideram a Grande Tribulação uma representação arquetípica do sofrimento que os cristãos enfrentarão ao longo da história e no cotidiano.

Apesar dos sofrimentos associados à tribulação, o foco nas Escrituras é na perseverança e da fé em meio ao sofrimento. Em Romanos 5:3-5, Paulo escreve que a tribulação produz perseverança, a perseverança gera caráter e o caráter, esperança. Essa esperança não decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações por meio do Espírito Santo que nos deu.

Zeruia

Zeruia, cujo nome em hebraico é צְרוּיָה (Tseruyah), é a mãe de três figuras: Joabe, Abisai e Asael. Sua genealogia não é explicitamente detalhada nas Escrituras, embora seja presumido que ela tenha alguma ligação com a linhagem de Davi, já que seus filhos desempenharam papéis na corte e nos exércitos do rei.

Zeruia é mencionada em diversas passagens bíblicas, nos livros de Samuel e Crônicas. Sua presença nas narrativas, embora não proeminente, está associada com seus filhos. Joabe, em particular, tornou-se o comandante do exército de Davi. Abisai também se destacou como um guerreiro valente e leal a Davi, enquanto Asael era conhecido por sua velocidade e habilidade na perseguição.

Ferezeus

Ferezeus são um dos povos que habitavam Canaã antes da chegada dos israelitas. A etimologia do termo hebraico הַפְּרִזִּי (ha-perizzi) é incerta, com algumas sugestões ligando-o a “aldeia” ou “lugar aberto”, indicando talvez um estilo de vida mais estabelecido do que nômades.

Os ferezeus são frequentemente listados ao lado de outros grupos cananeus, como heteus, amorreus, cananeus, heveus e jebuseus, como em Êxodo 3:8 e Deuteronômio 7:1. Essa presença constante nas listas sugere que os ferezeus eram um grupo significativo na região, com sua própria identidade cultural e social.

A Bíblia não oferece muitos detalhes sobre a cultura, costumes ou organização social dos ferezeus. As narrativas bíblicas se concentram principalmente em seu relacionamento com os israelitas, especialmente no contexto da conquista de Canaã. Em várias passagens, como Josué 24:18 e Juízes 1:4, os israelitas são instruídos a destruir ou subjugar os povos cananeus, incluindo os ferezeus.