Ministério

Ministério (διακονία, diakonia; שֵׁרוּת, sherut) refere-se ao serviço realizado em nome de Deus e para o benefício da comunidade de fé. O termo grego diakonia, utilizado no Novo Testamento, abrange uma variedade de atividades, desde o serviço prático, como o cuidado dos necessitados, até a proclamação do evangelho e o cuidado espiritual. A ideia central é a de um serviço humilde e abnegado, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir” (Marcos 10:45).

O conceito de ministério é frequentemente contrastado e, ao mesmo tempo, relacionado com outras palavras que denotam serviço. Enquanto diakonia enfatiza a ação voluntária e motivada pelo amor, outros termos como doulos (δοῦλος; עֶבֶד, eved) referem-se a um servo ou escravo, submisso a um mestre, e leitourgia (λειτουργία; עֲבוֹדָה, avodah) denota um serviço público ou litúrgico, muitas vezes associado ao culto no templo. Hyperetes (ὑπηρέτης) é um termo que descreve um assistente ou subordinado, que executa ordens.

Embora doulos possa implicar uma posição de menor autonomia, o Novo Testamento frequentemente utiliza essa palavra para descrever os seguidores de Cristo, indicando uma submissão voluntária à vontade divina. Leitourgia, por sua vez, conecta o ministério ao culto e à adoração. Hyperetes, aplicado a ministros como Paulo, enfatisa o papel de cooperadores de Deus. Todas estas palavras compartilham a ideia de serviço, mas diakonia se destaca pela ênfase no amor, na humildade e na motivação altruísta.

Ouro

O ouro (זהב, zahav; χρυσός, chrysós), um metal precioso de cor amarela brilhante, é mencionado extensivamente na Bíblia, desde o Gênesis até o Apocalipse. Valorizado por sua beleza, raridade e maleabilidade, o ouro desempenhava múltiplos papéis nas culturas do antigo Oriente Próximo e no mundo bíblico. Era utilizado na fabricação de ornamentos, joias, objetos de culto, utensílios reais e como moeda de troca. No contexto religioso, o ouro simbolizava a divindade, a realeza, a pureza e a glória celestial.

No Antigo Testamento, o ouro é associado à riqueza e ao poder, como nas descrições do Templo de Salomão, adornado com grandes quantidades do metal. Também era empregado na confecção de objetos sagrados, como o propiciatório da Arca da Aliança e os utensílios do Tabernáculo. No Novo Testamento, o ouro é um dos presentes oferecidos pelos magos ao menino Jesus, simbolizando sua realeza. Em Apocalipse, a Nova Jerusalém é descrita como uma cidade de ouro puro, representando a glória e a perfeição do reino de Deus.

Sacrifício

O sacrifício, um ato ritualístico central em diversas religiões, incluindo o antigo Israel, envolve a oferenda de algo valioso a uma divindade.

Na Bíblia, o sacrifício abrange desde oferendas vegetais até o sacrifício de animais, e assume variadas funções, como purgação de pecados, demonstração de gratidão, comunhão com a divindade e súplica. A prática sacrificial no Antigo Testamento é detalhadamente regulamentada na Torá, especialmente em Levítico, especificando os tipos de ofertas, os procedimentos rituais e os participantes. O sistema sacrificial israelita possuía um complexo simbolismo teológico, apontando para a santidade de Deus, a gravidade do pecado e a necessidade de reconciliação.

A interpretação do sacrifício evoluiu ao longo da história judaico-cristã, com o Novo Testamento apresentando a morte de Jesus Cristo como o sacrifício supremo e definitivo, que supera e cumpre os sacrifícios do Antigo Testamento.

No período do Segundo Templo e no judaísmo rabínico, a destruição do Templo de Jerusalém (70 d.C.) e a subsequente impossibilidade de realizar os sacrifícios prescritos levaram a uma reinterpretação da prática. A oração, o estudo da Torá e as boas ações passaram a ser vistos como formas de sacrifício espiritual, substituindo a oferenda material em muitas vertentes do judaísmo.

Na filosofia e na cultura ocidental, o conceito de sacrifício expandiu-se ainda mais. A renúncia a desejos e prazeres pessoais em prol de um bem maior, a dedicação a uma causa, o heroísmo que implica risco de vida e a abnegação em favor do próximo passaram a ser compreendidos como formas de sacrifício. Essa ampliação semântica reflete a internalização e a moralização do conceito original, agora desvinculado do ritual religioso específico, mas ainda carregado de valor moral e espiritual. O sacrifício, assim, tornou-se sinônimo de esforço, renúncia e entrega em nome de um ideal, seja ele religioso, moral, político ou pessoal.

Ramessés

Ramessés foi uma cidade egípcia localizada na região nordeste do Delta do Nilo. Sua construção foi iniciada pelo faraó Seti I, o segundo governante da XIX dinastia, e concluída por seu filho, Ramessés II, que reinou entre 1290 e 1224 a.C.

A cidade serviu como capital durante esta dinastia, um período de poder e expansão do Egito. Escavações arqueológicas e estudos textuais têm identificado Ramessés com a moderna Qantir. Suas evidências mostram a importância estratégica da cidade como centro político, religioso e militar do império egípcio durante o reinado de Ramessés II.

A cidade é mencionada com a permissão dada por José, filho de Jacó, para que sua família habitasse na “terra de Ramessés” (Gênesis 47:11). Já no Êxodo seria um dos pontos de partida dos israelitas em sua jornada para fora do Egito. (Êxodo 1:11, 12:37, Números 33:3, 5).

Bereia

Bereia (Βέροια), uma cidade antiga localizada na Macedônia, desempenhou um papel significativo na história bíblica e no desenvolvimento do cristianismo.

Mencionada no livro de Atos dos Apóstolos, Bereia foi visitada por Paulo de Tarso durante sua segunda viagem missionária, juntamente com Silas e Timóteo. Após serem perseguidos em Tessalônica, eles encontraram uma comunidade receptiva em Bereia, onde pregaram o Evangelho na sinagoga da cidade.Os habitantes de Bereia são notáveis por sua atitude crítica e investigativa em relação aos ensinamentos religiosos. De acordo com Atos 17:10-13, os bereanos examinavam as Escrituras diariamente para verificar a veracidade das pregações de Paulo. Essa postura é frequentemente elogiada como um exemplo ideal para os cristãos contemporâneos que buscam fundamentar sua fé nas Escrituras.

A cidade moderna que ocupa o local da antiga Bereia é Véria, na Grécia. As ruínas arqueológicas revelam influências romanas e bizantinas, destacando-se pela presença de estruturas como a ágora e o teatro romano. A importância histórica de Bereia reside não apenas em seu passado arquitetônico ou político mas também no legado espiritual deixado pelos seus habitantes dedicados ao estudo das Escrituras.

Embora a data exata do estabelecimento da cidade seja desconhecida, sabe-se que ela esteve sob controle persa antes dos romanos e foi uma das primeiras cidades macedônicas a ser conquistada pelo Império Romano após a Batalha de Pidna em 168 a.C. Durante o reinado do imperador Diocleciano (284-305 d.C.), Bereia serviu como uma das capitais da Macedônia.